Figuras populares de Ponte de Lima
Manuel Ponte Nova
Luís Dantas
Colaborador
Nas horas
vagas, nos dias de ramerrame, os amigos foram‑se habituando a visitá‑lo na sua
casa flutuante para merendas e cavaqueiras. Preparavam peixe de cebolada numa
caçarola esquentada por um fogareiro a petróleo e bebiam vinho tinto por malga.
Iam de uma conversa para outra, com reportórios de anedotas, evocações de
perigos e tragédias sucedidas no rio, narravam crendices, proezas extraordinárias
e casos picarescos como aquele de Santiago Maior de Cardielos. «Quando passei
ali pela primeira vez», contava o anfitrião, «perguntaram-me se ia levar os
feijões ao Florentim. Não entendi patavina, mas gritei à mulherzinha: Num trago
feijões! De uma outra ocasião, aconteceu a mesmíssima coisa. Mais tarde, vim a
apurar pelo Piqueira, barqueiro em Darque, os contornos da graçola: em eras
priscas viveu em Cardielos um reizete pouco cristão, o tal Florentim, Barreto
de apelido, estirpe nobre. Diziam que se fez tão tirano, que as vassalas
donzelas combinadas para casar, haviam de vir estar com ele os dias, que ele
quisesse, antes de se ajuntarem com seus maridos, os quais, quando ele mandava,
as vinham buscar, trazendo‑lhe de oferta umas rasas de feijões.» A estória deu
azo a sorrisos e comentários velhacos, e quando se davam conta já o sino da
igreja Matriz tocava as trindades.
No dia
seguinte, ao ler do pataco, o Ponte Nova deixava uma vela a arder na capela de
Nossa Senhora da Guia e retomava o trabalho na extensão vastíssima das águas. Ia
com ele o Zé Patacho, moço de bordo, de calças arregaçadas, sempre descalço, a
cantar: A Maria Noba/como bai bonita/de seu lenço nobo/e saia de chita! //Ó
Maria Noba, quem te deu o lenço? / Foi û caixeirinho/chamado Lourenço. // Ó
Maria Noba, / quem te deu a saia? Foi û caixeirinho/das bandas da Maia. //Ó
Maria Noba, / ó Noba Maria! /quem me dera ter/a tua alegria. E durante muitos
anos subiram e desceram o rio, à vela ou à vara, nas cargas e descargas de
produtos artesanais, rolos de madeira, sulfato, enxofre, cal, milho, feijão,
centeio, farinha, sal, batatas, bacalhau, couves, galos, frangos, perus, patos,
coelhos, porcos, vitelas, ovelhas, vinhos, açúcar e potes de mel.
Sabe‑se que o
correr dos meses eram pachorrento, mas, a partir do final da segunda metade do
século, o modo de viver, os hábitos e os costumes começaram a ser influenciados
irremediavelmente pelo ritmo das máquinas, da construção de estradas, dos
motores dos automóveis e das camionetas.
ENTRE VISTAS E
OUVIDOS
Política em declínio
Colaborador
Invocando razões
de saúde cujas maleitas não haviam sido diagnosticadas até à eleição, o
ex-ministro e respeitável político João de Deus Pinheiro anunciou, pesaroso que
não tomará assento na sede da democracia respeitando os conselhos do seu médico
que lhe terá receitado os ares dos campos de golf, bem mais saudáveis que a
cadeira parlamentar, favorável às artroses e outras doenças congéneres.
Infelizmente, o
povo português, tão apaparicado em tempo de eleições, vai-se habituando a
estes malabarismos que desacreditam a classe política e promovem a abstenção
eleitoral.
Por certo, Deus Pinheiro compareceu em
campanha comprometendo-se ao exercício do cargo se para ele viesse a ser
eleito, pugnando pela defesa do distrito que o candidatou, e deu esperanças aos
seus eleitores que nele depositaram confiança, mandatando-o para representar
os seus interesses e anseios. Por isso, a sua atitude configura
irresponsabilidade e absoluto desprezo pelos cidadãos votantes. Curiosamente, o
seu comportamento, não sendo repudiado pelo partido, foi por esse tacitamente
avalizado.
Perante a
enorme e sempre condenada abstenção que se vais implantando no sistema
eleitoral como a maior opção política sufragada em sucessivos e diferentes
actos eleitorais, estávamos preparados para zurzir nos abstencionistas e
defender a obrigatoriedade do voto de forma a acabar com os indiferentes e
acomodados que, deixando para os outros a responsabilidade da escolha, se
julgam no direito de exigir do Estado e afins soluções para os seus problemas
sociais como direito de cidadania. Iríamos mesmo defender que a estes
conformados fosse vedado o acesso a benefícios fiscais, ao sistema do Serviço
Nacional de Saúde, aos abonos e subsídios sociais e de família, ao subsídio de
desemprego, ao rendimento de inserção social, como forma de os mentalizar para
o grave dever de consciência que é comum a todo o cidadão no gozo dos seus
direitos de maioridade cívica. Mas, mediante atitudes como a desta ilustre
personalidade, mais não nos resta que acatar a posição dos abstencionistas que,
assim defraudados, consideram inútil essa tarefa preferindo não contribuir para
a manutenção de uma classe que se demite da própria responsabilidade, tantos são
os casos de adulteração do serviço público com que, tão displicentemente, somos
confrontados.
É necessário e
urgente criar-se na classe política uma nova consciência cívica que, eliminando
este clima de suspeição e descrédito, garanta confiança nesses profissionais ou
disponíveis da causa pública, fazendo-os entender que os cargos que exercem são
de serviço e não para alcançar fins pessoais ou como fonte de riqueza, repondo
no seu verdadeiro sentido o termo “ministro” que, nas suas impolutas origens,
assumia o carácter de exercício de ministério ou de serviço e não o adulterado
conceito actual de poder, afinal o oposto do seu real e genuíno sentido.
É imperativo
impedir que qualquer dignitário político afastado do cargo venha a
transferir-se para o sector privado ou para administrar institutos criados à
medida e por feitio, encerrando-se a lura onde estes coelhos se alapam
refasteladamente.
Abolidas estas
mordomias, credibilizado o sistema, a enorme coutada onde se pavoneiam os tentáculos
do poder perpetuado será destruído podendo todos nós, enfim, avançar para a
exigência do cumprimento dos deveres cívicos e colher os frutos de um serviço público
visando o interesse colectivo e a promoção da sociedade.
Enquanto isso, valha-nos Deus,
Pinheiro!
Colaborador
Deixa a vila
com créditos nacionais e internacionais acrescidos; hoje, Ponte de Lima é uma
referência turística, gastronómica, mas sobretudo histórica, com um património
material muito cuidado e com um património imaterial intangível, mas sempre
centro do homem verdadeiro, daquele limiano que tanto ama a Vaca das Cordas,
como as feiras no areal, como as Feiras Novas, como os garranos ou os cabritos
do monte, como as corridas de cavalos, mas sobretudo, aquele homem que deixa um
rasto cultural distinto e uma extensão desportiva para os jovens limianos que
hoje carrega medalhas de ouro, prata e de bronze, sobretudo nos desportos
nautico-fluviais.
Ponte de Lima
pode orgulhar-se de se ter constituído num ritual de mobilidade diversificada,
com uma fileira de gente jovem, com sorriso ou sopro, de ritmo vital de
energias com o embrião da “transubancialidade”, isto é, domínio da essência ou
da força daquilo a que chamamos destino.
Campelo lega
aos limianos um alento forte para que a vila e todo o concelho, num sopro, não
de Deus, mas dos homens, preserve as suas tradições e valorize as suas riquezas
humanas, sociais, culturais, mas também materiais. É uma terra com futuro, com
“dentes” e com olho no futuro, para não desperdiçar sinergias criadas
endogenamente no seio da cordialidade deste povo limiano.
Há dias lemos
que em Ponte de Lima “se crítica muito em surdina”. Entendo o que o emissor
quis dizer, mas aqui a palavra surdina tem pouca consistência, porque sendo
natural não tem contexto para se tornar madura, eficiente ou eficaz. É uma
surdina de campainha que normalmente só toca a defuntos e nós precisamos mais
dos que tocam ao “nencifar”, isto é, ao simbolismo da abundância e sobretudo da
fertilidade espiritual e não só.
Perder os
dentes sé acontece normalmente na nossa velhice; ora, em Ponte, uma terra plena
de juventude e de mandíbulos activos extensivos ao imaginário tanto quanto ao
progresso, é de crer que essa “agressividade da juventude limiana”, mesmo em
auto-defesa daquilo que é seu, não se fique na castração dos valores reais e não
virtuais, de um futuro pleno de potencialidade.
Por isso, que
esta nossa homenagem ao autarca muito conhecido pelo famoso caso político do
“queijo limiano”, leve a todos os limianos uma mensagem de crédito num futuro
risonho, sem mascaras de algumas manifestações contingentes, com o rosto do sol
que aquece, mas também alumia.
Algumas
mascaras podem ser até demoníacas , mas a vida tem dentro dela anjos e demónios.
No conflito entre esta mítica dualidade, o povo limiano vai usar as marionetas
da sua prodigiosa imaginação, para criar e gerir um futuro de marfim, inquebrável
e incorruptível, como foi o Presidente que ora se despede dignamente do seu
cargo.
A geomância que
é a teoria da adivinhação tem segredos de vento e de água; pois bem, com o tal
“vento norte” e com a água do nosso sagrado Rio Lima, o futuro de Ponte de
Lima, tem fumo ou incenso de um diagnóstico que se vai fazer no legado deixado
e no querer dos que se lhe vão seguir.
Futuro é
esperança, esperança é mais que sonhos, e é o estilo de eliminar o que não for
essencial. Esta vila tem estômago de fortuna e não de fracasso.
O fracasso pode
até descobrir o génio, mas o sucesso esconde-o. Esta terra limiana é um torrão
de sucesso que sabe pensar no seu futuro para se lá chegar, sem tropeçar no seu
presente.
O maior crime
contra um trabalhador é uma empresa que não dá lucros, só que Daniel Campelo além
de seguro e sensato é um bom talento e de sucesso. O sucesso tem dois terços de
inspiração e um terço de perseverança e o talento para alguns medíocres e
invejosos não só os incomoda como também faz deles refinados malandros. O
talento não é um direito; é sim uma obrigação. Enganar um homem não é admiração,
mas uma mulher que engana outra mulher , tem que ter talento (…).
Parabéns Daniel
Campelo. Ponte de Lima está grata ao teu trabalho, empenho e honestidade.
Para alguns
detractores políticos o elogio pode ser um V Império, mas para a maioria dos
limianos este elogio corresponde só a gratidão.
Colaborador
Continuou o seu
percurso e já longe do seu palácio, encontrou um velho conhecido, o Jerónimo. Este,
depois de o ter ouvido atentamente, também lhe disse que não.
Já no seu regresso a casa, José encontrou o
Francisco. Também este, depois de o ter escutado, com um sorriso nos lábios, disse-lhe que não.
Cansado, triste
e desiludido, José entrou em casa, ali
para os lados de S. Bento e resolveu consultar o oráculo, ) divindade que
responde a consultas). E do oráculo
responderam-lhe que, se ele queria a ajuda da Manuela, do Paulo, do Jerónimo e
do Francisco teria que, primeiro, cumprir as promessas que fez ao seu povo,
tais como: diminuir o desemprego, baixar os impostos, acabar com guerra aos
professores, melhorar as pensões sociais, aumentar o salário mínimo, aumentar a
celeridade da justiça, acabar com os
paraísos fiscais, melhorar os cuidados de saúde, etc. etc., depois, mostrar que
está disposto a alterar o seu modo de governar.
Se assim proceder, no próximo governo, o José vai ter mais compreensão
por parte daqueles que agora lhe disseram não, dando-lhe possibilidade para
concluir esta legislatura. Se, por ventura, cair na tentação de governar, em
minoria, como fez, durante quatro anos e meio, com maioria absoluta, o José
dificilmente terminará o seu mandato, com total prejuízo, para o seu povo.
Ai, José, José, olha mais para o teu
povo, cada vez mais pobre e necessitado, que sofre, na pele, o problema do
desemprego e da injustiça… Esse mesmo povo, que ao longo da sua história lutou,
com armas na mão, para que a sua Pátria
fosse livre e democrática, onde valha a pena viver.
o
deslumbramento
Colaborador
Claro que
aqueles que se apropriam de modo fraudulento da nossa representação ou aqueles
que a adquirem por métodos legítimos mas a vêm a aproveitar para outros fins, a
desrespeitar a nossa vontade, não nos deixam estar sossegados. E há sempre algo
que ocorre inesperadamente e nos tira a paz.
Como estamos
quase sempre calados, até porque se falássemos todos ao mesmo tempo ninguém se
entendia, há quem venha falar por nós e, arrogando-se o estatuto de intérpretes
da nossa vontade, diz coisas que nós não diríamos ou fala de uma forma
diferente da nossa. Mesmo quando falamos quase sempre não o fazemos no momento
e no lugar certo. Mas podemos estar seguros de que alguém se aproveita e falará
por nós.
Alguns destes
ainda se desculpam, que falam assim por ser a maneira de se fazerem ouvir, que
aplicam o exagero ou outra forma específica porque só existem duas opções: Ou
ocupam um lugar que está vazio ou reforçam a voz que já ocupou o lugar de onde
a voz se ouça melhor. Mas o problema é que não é só esta razão que os move, os
seus propósitos são no geral bem diferentes dos nossos. Eles movem-se numa lógica
de poder e têm do poder uma noção demasiado lata, mesmo quando se dizem
liberais.
Todos nós, os não
políticos, gostaríamos que o poder se desenvolvesse só o necessário e amoldado
a nós, capaz de satisfazer as nossas necessidades do presente e do futuro. Todos
nós gostaríamos de ter algum poder e influenciar o restante, disso não fugimos.
Hoje, mesmo que tenhamos tido essa ideia, sabemos que é inglório lutarmos pela
anarquia, a anarquia já não é possível num mundo de relações complexas que
exigem a submissão a algum poder.
No entanto o
nosso problema com o poder não está resolvido. Ele consiste muito em
deixarmo-nos deslumbrar pelo poder dos políticos. Eles aparecem nos
telejornais, dão entrevistas, fazem declarações e nós ficamos embasbacados. Até
pequenos títeres de província, caciques de aldeia, quando têm uns minutos de
tempo de antena depressa passam a figuras nacionais e a terem a sua eleição
garantida.
A nível dos políticos
nacionais este poder mediático imenso está mais repartido entre situação e
oposição e dá origem a batalhas mais renhidas que têm o duplo efeito de nos
causar repulsa e deslumbramento. A gravidade do problema reside em que isto é
sinal de que já perdermos a noção, eu diria mais, ainda não chegamos à noção do
que é razoável, do que é ponderado, proporcional, apropriado, aplicável na prática.
Assim admiramos
os políticos, as suas excentricidades, as suas arrepiantes vulgaridades. Cobiçamos
a sua vida por coisas fúteis, condescendemos com poderes excessivos de figuras
pueris a quem entregamos mais facilmente o poder. As figuras mais sérias só nos
atraem esporadicamente, que no geral ainda nos suscitam temor. Permitimos que o
poder seja usado a propósito e despropósito, que no meio das influências
legitimas se disfarçam intuitos desonestos.
Todos nós, os não
deslumbrados, gostaríamos de exercer algum poder a propósito e de ter alguma
influência legítima sobre outros ao mesmo tempo que aceitaríamos ponderar a
opinião dos outros em relação ao que nos coubesse fazer e não dissesse respeito
somente a nós mesmos. A colaboração com os outros é o caminho e a partilha o
objectivo final a atingir.
Quanto ao deslumbramento,
nem sequer sabemos se alguma vez acabará. Mas o grave está em que nem nós próprios
podemos ter a certeza de que estamos perfeitamente imunes a esse mal. Haverá
algumas noções que nos ajudariam a exercer o poder de uma forma moderada e
justa. A mais forte é mesmo a noção de partilha que convertida em sentimento
muito ajudaria à convivência humana. Mas não haverá dúvida de que o vazio de
poder é um impedimento a essa partilha.
Para exercer o
poder é melhor retirá-lo a alguém do que ocupar o vazio. Este é aproveitado
pelos mais perversos que o utilizam como justificação não de um poder específico
e limitado mas de um poder geral, suficientemente lato para permitir todos os
sonhos de poder. Invertendo a questão dá a teoria de “ou nós ou o caos”. Nesta
situação o deslumbramento é quase inevitável.
Quando temos
consciência de que haverá outras pessoas prontas a exercer o poder com uma eficácia
semelhante à nossa, quase automaticamente somos levados a exercê-lo com mais
cuidado, de forma mais participada, de modo a suplantar por essa via todos os
outros possíveis utilizadores. A democracia só avança se houver um número cada
vez maior de pessoas habilitado a exercer o poder e se um maior número tiver
uma participação genuína no poder.
A desculpa de
muitos, que nos é apresentada a nós e também de certeza a eles próprios, é que
as alternativas seriam bem piores do que a sua. Há realmente casos em que as
alternativas sobram, no entanto de duvidosa qualidade, mas geralmente
escasseiam e é nestes casos que a porta está mais aberta a todos os
oportunistas. Porém este facto não dá direito a ninguém de excluir os outros da
participação na gestão da coisa pública.
É o querer a exclusividade na gestão
que leve muitos a não fomentarem qualquer tipo de participação. Quando a
preocupação pela defesa do poder suplanta a preocupação pela sua melhoria
permanente e pela sua partilha o resultado é sempre desastroso. A opção
adoptada por muitos é a teimosia com recurso a argumentos laterais, o
prescindir do aperfeiçoamento próprio, a exclusão do contributo dos outros. O
poder torna-se um vício e o deslumbramento é o elemento viciante.
Colaborador
Comecem desde
um ponto de creação que comece num ponto de centralidade. Comecem o dia
aceitando quem são. “Scanem” as energias doo dia com sua mente. Vocês conhecem
o programa. A partir desse ponto, enviem amor para todas as direcção
Comecem desde
um ponto de creação que principia num ponto central. Comecem o dia aceitando
quem são. “Scanem” as energias do dia com a sua mente. Vocês conhecem o seu
programa. A partir desse ponto, enviem amor para todos os carenciados dele. Comecem
num ponto central em direcção ao lado de fora.
Não podem se
preocupas compor os que os amam. Não podem se procupar para torná-los melhor, levando-os a renunciar
às suas tarefas, às suas dúvidas e os seus medos. Cada soma, cada enfermidade,
cada situação é uma prenda, Eles próprios devem desenvolvê-los. Vocês não podem
abrir os presentes recebidos pelos outros. Mantenha a visão de que os seres
amados estão salvos. Mantenham a visão para eles de como ocreador minha a visão
a vosso respeito indefinidamente, não os abandonem. Isso jamais se fará. Se os temos sempre na mais alta
estima estimação e a sua luz é vista dessa forma.
Nunca abandone
os demais. Venham e falem-lhes de amor ao seu coração, de forma em que o
creador chegue até vós através das energias , da luz e através do seu coração. Nunca
se deve abandonar alguém na Terra. Somos o Conselho Pleyadiano e lhes agradecemos e os honramos.
Aceitam que.
Odeiam. Aceitem o que vos recusa. Aceitem o que ter o ama Aceitem o que vos
traz alegria. Amem a sua condição humana, porque só amando-a evoluirão. Vocês são
o vértice da vossa própria pirâmide. São o que procuram. São a luz que
procuram, são o amor que procuram e s
*Publicado
por energia alternativa para Urantia. Por Gillian MacBe
Tradução
livre de João Gonçalves da Costa, Porto-10-2009.
joaogcp@sapo.pt
Porto-10-2009.
Colaborador
Muito para lá
do modo extremamente peculiar de se exprimir de António Marinho Pinto, e de
discordar do conteúdo de muitas das suas intervenções, a verdade é que
concordei de imediato com aquela sua definição muito sintética: Fujam!!
De resto, isso
mesmo transparecia já naquela conversa com a tal figura tutelar do Direito
Português, vão passados quase vinte e cinco anos sobre a mesma. Mas com esta
diferença: mau grado tudo, o ambiente dos nossos hospitais, de um modo indiscutível
e apesar dos naturais e inevitáveis conflitos de interesses, soube adaptar-se e
responder à generalidade dos desafios que lhe foram sendo colocados, que é uma
situação diametralmente oposta à que vem tendo lugar com os tribunais.
Para ver que
assim é, basta recordar dois temas ainda muito recentes, um passado em torno de
uma decisão do Conselho Superior da Magistratura, outro ligado às (re)mudanças
que parecem ir agora ter lugar nos domínios penal e de processo penal.
No primeiro
caso, passaram-se anos com mil e um a exigir a presença de gente escolhida pela
classe política, ou pelo setor da advocacia, no sentido de que personalidades
exteriores à magistratura tivessem assento naquele órgão da Judicatura,
iniciativa de que sempre discordei.
Surgiu, no
entretanto, o caso Rui Teixeira, e de pronto se passou a ouvir que quem não é
juiz e votou de determinada maneira devia deixar o referido órgão, ao mesmo
tempo que o presidente deste, certamente com razão, ainda conseguiu explicar
que não existe no caso sansão alguma. Portanto, onde está aqui a mão exterior à
magistratura judicial?
No segundo
caso, não há quem se não recorde das mil e uma exigências, na sequência do caso
Casa Pia, para que se alterasse a utilização da escuta telefónica como meio
essencial de prova. Isto num tempo em que o telefone, fixo ou portátil, é um
instrumento do dia-a-dia da vida das pessoas e das comunidades, e, portanto,
também da grande criminalidade. Ao mesmo tempo, exigia-se um direito quase
absoluto à inocência, defendendo-se, de modo uníssono, uma redução inacreditável
dos prazos de investigação e das condições para aplicação do regime de prisão
preventiva.
Mas eis que
surgiram as mais recentes eleições. Num ápice, o que todos haviam defendido
passou a ser posto em causa pelos mesmos. Ficaram de fora, naturalmente, os que
haviam promovido a iniciativa legislativa das tais mudanças. Quem apoiara o
preto ou simplesmente se calara, por mera tática política, passou a defender o
branco. E a verdade é que parece que alguma brancura vai mesmo vir aí num
destes dias. Num qualquer ano, lá mais para diante, outra negritude acabará por
impor-se. A lusitana democracia sinusóide.
Por tudo isto, eu pergunto ao meu caríssimo
leitor: tem ou não razão o Bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho
Pinto, quando dá como melhor sinónimo para a Justiça em Portugal, Fujam!!? Claro
que tem! É lamentável que assim seja, mas é a grande e evidente verdade.
colaborador
E nos Fiéis Defuntos,
Vão aos Campos santos
Visitar seus defuntos.
E acendem lampiões,
Lembram seus amores,
Recordam paixões.
Onde estão enterrados,
Todos prestam culto,
Aos seus bem-amados.
Amor do passado,
Todo o ente querido,
É ali lembrado.
Choram de saudade,
Há vozes que imploram,
A Deus piedade.
Ouvem-se ais sentidos,
E cada um reza,
Por os seus entes queridos.
Está impregnada de odores,
De cera queimada
E de tantas flores.
Na hora do adeus,
Há quem faça um pranto,
Ao deixar os seus.
Quando a gente sai,
O silêncio é imenso,
Quando a noite cai…
colaboradora
Da solidão do meu quarto a vaguear pela
rua.
Poisei a caneca p’ra beber mais logo
E pensar na avó que me trouxe ao colo.
Para afogar a mágoa da mãe que perdi.
E pensar no pai que nem conhecia
A doce saudade da mulher que não soube amar.
Bebia, bebia p’ra esquecer em vão
Os dois no jardim em noites de verão.
O filho perdido que não quis compreender
Já não estamos os três sentados à mesa
O tempo passado que eu queria apagar.
Seremos ainda uma sociedade conservadora?
Manuel Pires Trigo
Colaborador
Normalmente associa-se
o Minho ao conservadorismo, a um atraso atávico, onde não entram ideias
modernas, nem inovações. Há um certo erro nesta visão porque, paralelamente à
formal, sempre no Minho se desenvolveu uma cultura de transgressão em muitos
aspectos do comportamento. O Minho não é uma sociedade
imóvel, apática. Só que as referências parecem não ter mudado e a transgressão
não significa mais nada além disso mesmo, não representa uma vontade de mudança
Haverá sempre alguns aspectos da
vida que voluntariamente ou não assumem temporária e conjuntural a prevalência
sobre outros. Qualquer domínio da actividade humana pode mesmo assumir uma
importância desmedida e até alterar certezas tidas por absolutas. As forças e
fraquezas próprias surpreendem-nos por vezes. Para sabermos se um domínio da
actividade trava ou acelera a mudança exige-se um olhar sobre o que lhe é intrínseco
e sobre o exterior hipoteticamente afectado.
O grande travão do desenvolvimento
económico tem sido os próprios factores económicos. É a economia que se mostra
incapaz de gerir convenientemente as suas insuficiências e os seus excessos. O
grande travão do desenvolvimento cultural tem sido a própria cultura que não
controla as suas próprias fontes de financiamento. Também o grande travão ao
desenvolvimento político democrático são as próprias forças instaladas que
condicionam a nossa visão das relações sociais, do ambiente e mesmo das formas
de economia possíveis.
Não somos atrasados, entendemos é
mal toda a organização social que extravase o domínio da nossa aldeia. O nosso
mundo vivencial pode aumentar mas o conhecimento relacional mantém-se. De tal
modo que gente que hoje é erudita, cultivada, cosmopolita, mas que tem a sua
origem nesta terra, cultiva ainda essa visão estreita que lhe ficou da infância
e para não perturbar as relações cá vividas assume, quando cá está, essa forma
de comportamento reservado e obsequioso que nos caracteriza.
Tais pessoas são capazes de se
baixarem ao nosso nível, embora usando uma visão estereotipada e essa sim
ultrapassada, mas nós somos incapazes de nos elevar até eles, de colocar os
problemas que eles colocam, porque para nós tudo se resume a uma realidade
trivial e a alguns medos que a imprensa nos trás. A nossa visão do mundo
desenvolveu-se com muito pouca formação, pouca mais informação e está
condicionada pelo passado, pelo presente e pela falta de uma visão esclarecida
do futuro.
Tal como o fazem com as aldeias os
meios de comunicação social também vão criando e mantendo os seus estereótipos
que falam daquilo que se desenrola nas grandes metrópoles, no sexo, na política
e nalguns outros sectores mais especializados, mas que em nada nos ajudam a
perceber a realidade. Limitamo-nos a ser caixas de ressonância, repetidores de
umas vozes mais tonitruantes que por acaso se façam ouvir.
Ter voz própria nunca aqui foi uma
ambição particularmente sentida. Há uns loucos que de vez em quando despontam e
falam em dissonância com todos. Mas aí o discurso é incoerente e repentista. E
como podia deixar de ser assim, como é que se poderiam desenvolver vozes
personalizadas e com suficiente ligação à realidade nesta terra de fundos
caminhos, altos muros, espessos bosques, culturas exuberantes?
Faltam-nos as grandes planuras,
horizontes largos, visões diversificadas? Mas também nós podemos subir a altos
miradouros, vislumbrar de lá planícies verdejantes, outros montes mais longínquos,
ainda e sempre barrando-nos a paisagem. Só que não podemos permanecer lá tanto
tempo quanto queríamos. Temos a beira-mar, essa imensidão líquida de que não
nutrimos medo, antes nos atrai sempre. Faltam-nos os barcos para nos fazermos
ao mar.
Podemos sonhar, só que os nossos
sonhos não coincidem com os sonhos dos outros. Estes, aqueles que têm acesso à
largueza da mundividência, têm os seus sonhos construídos noutra base,
assentes em pilares de outra flexibilidade, movimentam-se melhor, aspiram a
outros céus. A nós até este verde persistente e sombrio nos enche, não deixando
espaço para outras cores, para outros odores, é um travão aos nossos sentidos.
Somos duros, de cintura firme, de imaginação paralítica.
Não está em causa a
beleza do local, a ternura da paisagem, a amenidade da aragem, o vigor que
brota do próprio solo. Está em causa a saturação, o excesso, a asfixia, a
necessidade de subir ao monte para respirar, evitar a paralisia, o atrofiamento,
o definhamento e a necessidade de exercitar a voz. Principalmente exercitar a
voz quando as vozes dominantes são monocórdicas. E conservadorismo existe
quando isto acontece.
As autárquicas
Hélio
Bernardo Lopes
Colaborador
Em segundo lugar, o fortíssimo
desaire sofrido pelo PSD nas segundas eleições, cujos resultados se situaram
dentro do intervalo de cofiança apresentado na noite europeia na emissão da SIC
Notícias.
E, em terceiro lugar, o novo desaire
sofrido pelo PSD nas mais recentes eleições autárquicas. Em todo o caso, um
desaire que se estendeu, por igual, à CDU e ao Bloco de Esquerda. Embora, claro
está, não tenham sido eleições nacionais.
Tal como pude já escrever na noite
das anteriores eleições paralamentares, deverá ter já começado o
desenvolvimento da queda destes dois últimos partidos, sobretudo, porque a
continuação da sua subida acabaria por beneficiar a direita e, naturalmente,
vir a pôr em causa o pouquíssimo que ainda resta das conquistas presentes na
Constituição de 1976.
Os eleitores estão já muito
treinados, sabendo perfeitamente perceber o que realmente está em jogo, não
estando na disposição de apoiar a salvação política de dois partidos à custa,
no fundo, da destruição das exíguas conquistas que ainda estão presentes na
Constituição da República.
Mas os eleitores terão agora, mais
uma vez, a oportunidade de medir o grau de responsabilidade do PCP e do Bloco
de Esquerda: irão ajudar a direita a derrubar o partido mais votado em eleições
livres...?
Atenção, porque os eleitores
portugueses já sabem muito bem o que fazem, mesmo sem grande apego à dita
democracia...
E já agora, meu caríssimo
leitor: tente encontrar um mapa onde se mostrem as cores dos anteriores
vencedores autárquicos, e compare-o com o destas últimas eleições. O que acha?
Ao Limiano Manuel Pimenta a minha
homenagem
José Lima
Colaborador
Bill Gates sensivél aos problemas
dos mais desprotegidos, junta-se à Fundação Rotária Internacional, para
eliminar a poliomielite no mundo.
Portugal, na decada de 60, inicia
uma campanha de combate, com a vacinação de 1.377.610 doses, o que a pôe em
posição privilegiada.
Sobre Bill Gates, Richard Quert
disse: “acho que este homem fez
realmente uma revolução, na forma como se ajudar a comunidade”.
Manuel Pimenta não é Bill Gates, mas
é o homem modesto, generoso, e culto, que como qualquer cidadão da sua geração,
prestou serviço militar na Guiné. Fruto do seu trabalho, inteligência e
capacidade empreendedora, tornou-se, como hoje se diz, um empresário de
sucesso.
Manuel Pimenta, foi um dos cidadãos
deste país que contribuiu para a mais progressista constituição Europeia, enquanto deputado do parlamento
português.
A sua experiencia de vida, e oriundo
de uma região pobre, o Minho, a sua vivência na Guiné, a sua ansiedade de
saber, por isso a sua cultura, levou-o a desejar uma sociedade mais justa,
dignificando as pessoas e as suas carências. Por isso, criou a Fundação Manuel
Pimenta, que com a cooperação com outras instituições, pessoas colectivas, públicas e privadas, designadamente autarquias,universidades,
e demais instituições de ensino, organismos de cariz científico e cultural,
procurando na interacção com outras entidades a máxima rentabilização dos
recursos próprios.
Os anos de guerra, marcam qualquer
um, e Manuel Pimenta, homem sensível, não pode deixar de responder ao apêlo.
Por isso, a Fundação Manuel Pimenta, vai construir uma Maternidade em
Cacheu-Guiné/Bissau, mas não fica por aqui, e em 29 de Agosto passado, na sua
residência na Quinta d’Arrifana, em Moreira do Lima, teve lugar a assinatura de
um protocolo de colaboração entre a Fundação Manuel Pimenta e a Universidade
Lusófona da Guiné-Bissau.
Este acto de grande importância
cultural e solidária, contou com a presença de ilustres figuras do nosso
distrito. Deve-se no entanto destacar, o Doutor
Professor Manuel Damásio, Presidente do grupo Lusófona, e o Engenheiro
Montenegro Fiuza responsavel pela Universidade Lusófona da Guiné-Bissau.
Manuel Pimenta, não precisou de ter criado a fundação, para proteger, apoiar,
dar-se aos mais carenciados. A sua humildade e modéstia, levam-no a ocultar
muito do que tem feito em prol dos outros.
Manuel Pimenta, é pai de dois filhos
que lhe seguem as pisadas, na formação académica, mas fundamentalmente nos
valores. São dois jovens que já deram provas de querer dar continuidade a uma
dinastia, que com eles, vai na sétima geração.
Esta fundação de que eles (filhos),
também são fundadores, garantem a continuidade de trabalhar por uma sociedade
mais justa, onde a fome, a desigualdade de oportunidades, o desemprego, a
corrupção, a ganância, não tem lugar. Só o equilibrio, porque o contrário é
anti-natura.
Não posso deixar de louvar, quem
deixa em testamento a criação de uma fundação para ajudar a humanidade, mas
mais admiração é para aqueles que o fazem em vida, abdicando de alguma
mordomias, para assim colmatar necessidades básicas dos mais desfavorecidos.
Manuel Pimenta, não é Bill Gates,
mas é um português, limiano que deve servir de exemplo a muitos. Não sendo
revolucionário, pode contribuitr para a mudança, ajudando a comunidade, local,
nacional e mundial.
Enquanto houver homens
como Manuel Pimenta, a esperança nunca morre.
ENTRE VISTAS E OUVIDOS
Seriedade e honestidade
Franklim
Fernandes
colaborador
Foi fértil em sublimes
tiradas a verborreia das últimas campanhas eleitorais que, longe do fulgor oratório
e do colorido visual e sonoro de outros tempos, trouxeram à praça pública
travestidas personalidades bem diversas das que conhecemos do dia-a-dia político,
afinal a sua verdadeira face, activa e emotiva.
Expressões como “é preciso mudar”, “é
preciso fazer”, “é urgente e imperativo”, “somos a competência e o progresso” e
outros que tais, inundaram as nossas praças com profusão tal que somos levados
a crer que, de facto, toda a acção politica e social tem sido nula ou
inconsequente e nada se aproveita da obra realizada.
No meio de toda esta máquina publicitária,
há uma expressão profundamente leviana e seriamente preocupante que,
despudorada e inconscientemente, foi proferida em abundantes enxurradas.
Sobretudo em presença de várias
candidaturas em debate de ideias, nos frente a frente que a comunicação social
nos dispensou, foi recorrente ouvir-se “eu sou sério e honesto” reivindicando
tais atributos como qualidades exclusivas que não se encontrarão associadas aos
opositores uma vez que o vocábulo “também” não participa daquela expressão
reivindicativa de posse.
Tudo seria diferente se tal expressão
admitisse o “eu também sou sério
e honesto”.
Estamos então conversados sobre o
significado de honestidade e seriedade assim levianamente proferidos e ficamos
a saber que são atributos de mentalidades superiores, adquiridos no egoísta
discernimento pessoal, pressuposto elemento de oposição às ideias fatalmente
desonestas e irresponsáveis dos demais, em rota de colisão com os auto
proclamados seres impolutos e irrepreensíveis, arautos de ética e de carácter.
Uma segunda conecção a esta peculiar
seriedade dimana da proximidade do termo “democracia” no seu sentido lato de
absoluta liberdade, aquela que altera e molda leis e conceitos, morais e éticas,
abstraindo-se da liberdade responsável para despenalizar, desculpar, adulterar.
Por mim, prezo muito mais o conceito
de seriedade e honestidade que deriva do reconhecimento dos outros, duvidando
seriamente de quem sente necessidade de, a todo o momento e em qualquer
circunstância, se declarar sério e impoluto. O conceito que os outros fazem de
nós é genuíno e resulta da observação directa e desinteressada da nossa postura
perante a sociedade.
Seriedade e
honestidade não se apregoam, antes se cultivam, vivem-se e os outros que as
apreciem e avaliem porque, se a elas não estiver aliada verdadeira humildade, é
certo e sabido que nenhum destes valores fará parte da estaleca do homem, por
muito que ele as apregoe e delas se ufane.
“Porrada” de Gondufe foi o melhor episódio das Feiras Novas?
Cândido
Costa
Colaborador
Devo confessar que assisti com muita
atenção ao cortejo etnográfico, observando todo o trabalho desenvolvido pelos
participantes, não esquecendo um pormenor muito importante, que é a forma como
os mesmo estão trajados para o trabalho apresentado, certamente que os membros
do júri sabem, melhor que ninguém, que antigamente o lavrador não usava calças
de ganga, e que o malhador não usava adornos, como sejam os broncos na orelha.
Então o que é a etnografia?
Qual a classificação do trabalho
apresentado pela freguesia da Correlhã, o rigor dos trajes e a postura dos seus
participantes?
A freguesia de Poiares, com a
representação da malhada, em que a sequência e o rigor do levantar dos malhos,
levado a cabo por jovens e menos jovens que sabem estar no tempo e na época que
representam, envergando trajes indicados para esse trabalho?
Perdoem-me as pessoas das outras
freguesias que tão bom trabalho apresentaram no cortejo etnográfico, apenas me
referi a estas duas freguesias como exemplo.
Sendo um apaixonado pela etnografia,
fiz recolha escritas, visuais, através de imagens e fotografias das tradições,
usos e costumes das gentes do Vale do Neiva, zona onde estou inserido, e por
essa razão segui, atentamente, durante o cortejo os trabalhos apresentados e os
trajes que os participantes envergavam. Se todos o fizessem certamente a
classificação seria outra.
Vocês são um vórtice de energia*
João Gonçalves
Costa
Colaborador
Vocês contêm todas as possibilidades
dentro de vós mesmos, contudo não as vêem Acreditam como os Deuses que são.
Utilizem as vossas palavras, os vossos pensamentos, as vossas intenções para
vos levar em círculo completo, onde deve
dar entrada. Se desconhecem o terreno, se ignoram as instruções para atingir o
nível seguinte do vosso ser, então peçam que vos seja mostrado e confiem no que
vêm.
Nos próximos três meses tentarão uma
grande viagem, uma imensa viagem, quando regressar a partes do seu passado, de
seu futuro e seu presente simultaneamente. As energias sobrepor-se-ão e num
momento verão à sua volta uma e
acreditarão que viviam em seu passado, ao minuto seguinte pensarão que estavam
em seu futuro, e logo depois, voltaram ao presente, que é pré-enviado, como
sabem ( mais elevada vibração.
Eu estão em seu futuro, e depois
voltarão ao presente que é pré-enviado, como sabem (NT: presente = presente =
presente; = pre-sent =pré-enviado.)
Vocês contêm dentro de vós todas as
possibilidade. Estão zangados com
as vossas famílias: Estais zangados com
as vossas famílias os vossos amigos, porque eles ainda dormem. Mas se eles acordassem, de vez, vocês
dormiriam? Se acordassem enquanto vocês
dormiam? Teria gostado que o resto do
Universo os abandonasse? Atava o cabelo para trás e continuaria a andar pela
estrada fora porque você os tinha decepcionado? Quando se desinteressam de alguém,
eles sabem-no e sentem-no. Dá a impressão que há uma facha de néon no seu campo
magnético. Todos sabem o que se passe excepto você.
Nos próximos três meses experimentarão
uma imensa viagem quando regressarem a partes do seu passado, do seu futuro e
do seu presente simultaneamente. As energias sobrepor-se-ão e, num momento verão
à vossa volta e acreditarão que estavam em seu passado, ao seguinte minuto
passarão que estavam em seu futuro.
Nos
próximos 3 meses experimentarão uma imenso viajem, quando ingressarem em
partes de seu passado, seu futuro, e seu presente simultaneamente. As
energias vão sobrepor-se e num momento verão à vossa volta e acreditarão que estavam em seu passado, depois no
siguinte minuto pensaram que estavam em
seu futuro, e de repente voltarão ao presente que é pre-enviado, como sabem
(NT: present = presente; pre-sent = pre-enviado). Observem a vibração más elevada de sua pró pia luz). Observem
a vibração mais elevada da vossa própria
luz.
Tradução livre de João
Gonçalves da Costa, Porto-10-2009.
Ser prior, numa freguesia
destas
Antero
Sampaio
Colaborador
O Engº. José Sócrates, vencedor das
Eleições Legislativas, onde o Partido Socialista teve uma maioria relativa, foi
indigitado pelo Sr. Presidente da República, para formar um novo Governo.
Todos os partidos disseram, NÂO. E
disseram não, embora, passada a aprovação do Programa do Governo e do Orçamento
(estou convencido que estes diplomas de
vital importância par o País, vão ser aprovados), poderiam viabilizar
determinados diplomas, desde que o P.S.
alterasse a sua política, política que marcou a sua postura, durante a última
legislatura.
Assim e salvo melhor
opinião, o Partido Socialista terá que governar sozinho. Isto não é a primeira
vez, pois o Engº. António Guterres, também foi Primeiro Ministro do Governo
Minoritário. Simplesmente, nessa altura, o Partido Social Democrata tinha outro
sentido de Estado e foi criado o tal chamado BLOCO CENTRAL.
Nesta legislatura, não
vai ser fácil, para o Primeiro Ministro governar este País. Digo mais, não vai
ser nada fácil SER PRIOR NUMA FREGUESIA DESTAS.
Portugal atravessa ainda uma das
piores crises, económica e financeira, da sua História. O desemprego continua a
aumentar, atingindo e de que maneira, os jovens licenciados; as empresas
continuam a fechar, algumas delas alegando falta de encomendas, outras fecham
por motivos que deixam os seus trabalhadores de “boca aberta”; as exportações,
mola real da economia continuam a baixar; o investimento, quer nacional ou
estrangeiro é quase nulo; o nosso ensino é deficiente; os cuidados de saúde,
sobretudo no interior do País, deixam muito a desejar, pois a maioria dos médicos,
pretende fixar-se nas grandes cidades do litoral; a justiça, cara e morosa, não
é capaz de resolver o problema da criminalidade, cada vez maior e mais
sofisticada; a nossa agricultura vive dias difíceis, etc. etc. Todos estes
problemas dificultam a vida da maioria do povo português, que não confia nos políticos e prefere, na minha opinião,
preocupar-se mais com a ida da nossa selecção de futebol ao Campeonato do Mundo
, com a próxima vinda do Papa a Portugal ou
com as reportagens televisivas sobre a vida de Amália Rodrigues…
Caro leitor, quando aqueles que agora nos vão governar,
numa nova legislatura, encontram, por parte das Oposições, não uma cooperação
mas sim, uma total obstrução, reafirmo o que disse: Assim, vai ser difícil ser-se prior numa freguesia destas.
Será amor
esse teu sentimento?!…
(lê este poema, talvez
fiques elucidado/a)
Jaime
Franco
Colaborador
0 amor é assim,
Nunca tem fim,
É para sempre;
Eu sei porquê,
Amor, não sente;
Que bem se engana,
Só tem paixão;
Tem sempre fim,
Tem duração…
É perdoar,
É querer bem;
E não perdoa,
Amor não tem;
Sem esperar,
Compensação;
Para receber,
Só tem paixão…
Se ao dar um beijo,
Sentes desejo,
E tentação;
Não é amor,
Mas sim paixão;
Não se inflama,
Não fica a arder;
Não tem desejo,
Mas sim prazer…
Nunca na vida,
Sentiu amor;
Que o que sente,
É só calor;
Ao duvidar,
Está a confessar,
Sem o saber;
Uma ilusão,
Que está a viver…
Parecia de
mel e era de fel
colaboradora
Em tempos que já lá vão.
Como era doce o sacana do João
E fosse lá como fosse
Conquistou meu coração
Agora é pedra e cimento
Ternura ficou na Igreja
No dia do casamento.
Perecia de mel o João
Em tempos que já lá vão.
Agora fala a gritar
Quem manda em casa sou eu
E ninguém mais vai mandar.
Ferido desiludido
Meu coração ainda chora
E o João senhor de tudo
Bate o pé não vai embora.
Parecia de mel o João
Em tempos que já lá vão.
Ó tempo volta p’ra trás
Quero ser livre e donzela
E o bom senso vai ficar
À porta de sentinela.
Se o tempo voltar p’ra trás
Vou fechar meu coração
E se alguém à porta bater
Fico a sonhar à janela
Mas quem bate
Eu não vou ver.
CS4308
Votos
contados, vale a pena falar?
Colaborador
E valerá a pena ser oposição, mas
convenhamos que aqui deveríamos ter uma conduta mais comedida. Nas eleições
nacionais é comum fazer-se oposição logo a partir do dia seguinte à eleição,
sem um balanço feito, sem uma autocrítica, muitas vezes sem ter em conta as
consequências dessa posição. Tanto nas locais como nacionais impor-se-ia que um
balanço completo fosse feito porque o idealismo político de cada um comporta
decerto alternativas mais flexíveis dos que as mostradas durante as campanhas
eleitorais.
Porém mesmo quem se propunha
trabalhar com os vencedores não pode ou não deve abdicar assim de rompante das
suas ideias e passar a partir da derrota a perfilar outras, só porque
aparentemente saíram vencedoras. Pelo menos haveria que ver se foram as pessoas
ou as ideias que venceram, porque estas só parcelarmente são tidas em conta.,
e, se uma pessoa está bastante convencida da validade das suas, mais se deve
empenhar na sua defesa.
Afinal o que faz as pessoas votarem?
O que faz as pessoas mudarem de voto de umas eleições para outras, como
acontece tão drasticamente em Ponte de Lima? Será apenas um benefício imediato,
nem que seja só um bom relacionamento com os poderosos, que levará tantos
milhares de eleitores a redireccionar nas autarquias os votos em relação ao que
se praticara nas legislativas?
Mas as pessoas também gostam de se
olhar ao espelho e de olhar do mesmo modo o seu grupo, a sua aldeia, a
sociedade em que se integram. Será apenas o benefício mediático que levará a
entregar a gestão da imagem àqueles que contribuem para projectar a imagem básica
do concelho, mas também, reconheça-se, acrescentaram a essa imagem, para o bem
e para o mal, algo da sua lavra?
Ou serão tão só as pessoas, umas com
que nos identificamos porque elas se identificam connosco, e votamos nelas, e
outras com quem não temos ligação, que nos são avessas, indiferentes ou
fracamente apelativas e que não merecem o nosso voto? Afinal de que tipo de
pessoas gostamos mais, aqueles que se identificam mais com o nosso estado de
espírito, ou daqueles que nos dão ânimo para enfrentar o futuro?
Desde finais dos anos oitenta, desde
que entramos na Comunidade Europeia e dela começamos a sentir a influência,
desde a queda do muro de Berlim, que a política deveria ter deixado de ser
vista com o empirismo de outrora. O relacionamento político pode estar enfim a
um nível diferente do relacionamento social, inter-pessoal, familiar mesmo. A
política pode dar um contributo para a dignificação humana que a própria família,
abandonada à sua sorte, é incapaz de dar.
Quem votou neste ou naquele
candidato a autarca deve ter para nós a mesma dignidade, mesmo que vejamos que
houve factores que influenciaram o sentido do voto, sejam efeitos psicológicos
ou materiais, do âmbito da coacção ou do constrangimento, da chantagem ou da
sedução. Se houve quem se deixasse “levar” isso só revela a nossa falha política
quando nos propomos defender os direitos e a dignidade dos outros.
Afinal o ser indefeso, que pode ser
vítima, mas também o abutre pronto a cair sobre a presa, é o princípio e o fim
de toda a actividade política. Elevar a dignidade do homem é também colocá-lo
em situação de ser elemento de uma relação aberta, leal, igual entre quem é
chamado a trabalhar na organização do Estado e quem tem que delegar em alguém
as funções que ele próprio não pode ou não quer executar.
Quando há muito poucos a
queixarem-se, há, do outro lado, muitos a rejubilar, porque é sempre bom estar
do lado dos vencedores. No entanto a liberdade é suficiente para que possamos
atribuir culpas próprias aos que se queixam e nenhum valor aos que enaltecem a
vitória porque o seu contributo poderá ter sido nulo.
Aqueles que perdem fazem bem em
repensar o seu enquadramento e a sua intervenção política nesta sociedade que,
não os tendo escolhido, não formula desta forma qualquer juízo explícito de
valor. O que não podem é ignorar, querer teimosamente persistir no erro e
arrastar as organizações em que se inserem para um abismo permanente. O
eleitorado perdoa melhor àqueles que são fracos mas ganham e não perdoa aos que
perdem, mesmo sendo um pouco mais fortes. Ou será que só são teimosos?
Deputados
por Ponte de Lima
na Primeira República (1911-1926)
Narciso Cândido
Alves da Cunha
Colaborador
Eleito deputado por Ponte de Lima (Círculo
n.º 2), nas eleições de 28 de Maio para as Constituintes de 1911, representou
com empenho, afinco e probidade, os interesses da região minhota. A sua acção
política esteve sempre relacionada com as grandes causas. Na Câmara do Senado,
na sessão n.º 9 do dia 14 de Dezembro de 1911, chamou a atenção para os
problemas da instrução primária e popular: os maus métodos de aprendizagem; a
existência de salas de aulas em casas particulares com vários meses de renda em
atraso; a falta de escolas públicas e os edifícios degradados: «à escola da
vila de Ponte de Lima, concelho muito populoso e muito frequentado por
forasteiros, ruiu‑lhe o tecto, há tempo, não tendo havido desgraça porque os
alunos não foram atingidos pelos destroços.
Doutra escola que conheço, a escola
de Ferreira, no concelho de Paredes de Coura, diz o próprio professor que
quando chove, é preciso abrir os chapéus-de-chuva para se abrigarem da água.»
(2)
Num dos seus discursos sobre o mesmo
tema, o tribuno apresentou um projecto de lei para a «criação duma escola agrícola,
prática, móvel, pelo sistema das escolas conhecidas pelo nome de Maria Cristina
(3), e que tem dado óptimos resultados.» (4) Em boa hora, estas escolas tinham
já triunfado em várias localidades: Rio Tinto (1901), Vila Nova de Famalicão
(1902), Guimarães (1903), Barcelos (1904), Santa Marta, Viana do Castelo
(1905), Braga (1906), Arcos de Valdevez (1907), Ponte de Lima (1908), Penafiel,
Amarante (1909) e Marco de Canavezes (1911). Foram surgindo outras também de
iniciativa individual, na mesma ocasião, com o nome dos seus patronos: «Comércio
do Porto» (cujo título foi escolhido pelo Conde de S. Cosme do Vale, Famalicão,
1903); «Conde de Sucena» (Borralha, Águeda (1904), Azeméis (1905), Ovar e
Estarreja em 1907); «José Bessa» (Barcelos, 1905); «Alves Teixeira» (Vidago,
1907); «Condessa de Sucena» (Águeda, 1907); «Conde de Agrolongo» (Guimarães,
1909) e «Rodrigues de Morais» (Ponte de Lima, 1909).
Alves da Cunha tinha ali a palavra límpida,
larga visão do futuro - a emoção também o dominava - vontade de compartilhar a
vida digna com os homens, as mulheres e as crianças do mundo rural, com «as
massas anónimas, que vivem do campo, que vivem da terra e para a terra, que
mourejam todo o dia, hora a hora, desde manhã até de noite, debruçadas sobre a
mesma terra para lhe pedirem pão para comer e até para o dar ao Estado. Estas
classes considero‑as eu como o verdadeiro nervo da Nação (Apoiados), e
por isso hão‑de permitir‑me que lhes diga que elas têm sido, precisamente, as
mais esquecidas. (...)
Esse povo, ou essa classe do povo,
donde venho e com o qual me criei, cujas dores tenho auscultado desde há muitos
anos, a cujas festas tenho assistido e com quem ainda há pouco privei perto de
quatro anos para lhe estudar e registar a linguagem (...), é de índole
naturalmente boa, sofredora e ordeira. (Apoiados).
O povo do norte, e quando digo norte
não me refiro a esta ou aquela província determinada, mas a uma grande parte,
senão à maior parte do país, é essencialmente trabalhador, respeitador das
autoridades, pontual no cumprimento dos seus contratos e verdadeiramente amorável.
Haja vista o que se passa no Alto
Minho, naquelas montanhas da Peneda, Soajo e Castro Laboreiro, quando algum
forasteiro (e são bem poucos os que por lá aparecem) se abeira do tugúrio do
mais pobre dos habitantes que estão encerrados nas ravinas daqueles montes: o hóspede
é, para eles, uma pessoa sagrada e é tratado com o melhor que há em casa que,
na maior parte dos casos, é pão de centeio e leite.» (5)
Em Abril de 1912, defendeu ainda com
entusiasmo «um projecto de alta importância regional, e até nacional» (6): os
caminhos-de-ferro do Alto Minho.
A sua voz lúcida, vibrante e firme deixou‑se
de ouvir, mas permanece ainda hoje o eco retumbante dos seus ideais luminosos.
O grande homem público caiu
gravemente doente devido a uma pneumonia, e morreu em Lisboa, na casa da
Travessa da Palmeira, 64, 2.º andar, no dia 14 de Janeiro de 1913.
(2) Narciso Alves da Cunha,
Perspectivas do Alto Minho, Intervenções Parlamentares, Edição da Câmara
Municipal de Paredes de Coura, Paredes de Coura, 1997, pp. 33-34
(3) «Tendo o Comércio do Porto
preconizado a ideia de que para o engrandecimento agrícola em Portugal se
carece não de altas escolas agrícolas, mas sim de ensino posto ao alcance dos
mais modestos lavradores, um devotado filho do Porto, em cujo carácter parece
reviver o civismo da velha raça portuguesa, leu no Brasil essa afirmação do
jornal portuense e, no meio do labutar incessante da sua prodigiosa actividade
de comerciante, lembrou‑se de proporcionar ao próprio Comércio do Porto os
recursos pecuniários para a realização do pensamento de que fora apóstolo.
(...)
Interrogado o criador dessas
mensageiras do futuro agrícola de Portugal sobre o título que deveria dar‑se às
escolas, respondeu muito singelamente: «Chamem‑se «Maria Cristina» - o nome da
minha mulher.»
Bento Carqueja, Escolas Móveis Agrícolas,
Ilustração Portuguesa, n.º 110, Lisboa, 30 de Março de 1908
(4) Narciso Alves da Cunha,
Perspectivas do Alto Minho, Intervenções Parlamentares, Edição da Câmara
Municipal de Paredes de Coura, Paredes de Coura, 1997, pg. 35
(5) Idem, idem, pg. 36
(6) Idem, idem, pg.127
ENTRE
VISTAS E OUVIDOS
Portugueses
de Terceira
Colaborador
Estamos, assim, perante uma
verdadeira batota, consciente e voluntariamente idealizada e acabada pelo
Governo nada sensível às questões periféricas vistas à distância a partir das
amplas janelas do Palácio de São Bento e abençoada pela dominante Comunidade
Europeia.
Entretanto, as populações lesadas
continuam a vegetar em terra queimada, sofrendo com carência de
acessibilidades, de desertificação, de cuidados de saúde, de desemprego, de
fome, de todos os inconvenientes malefícios de interioridade.
Mas, à boca cheia, os nossos
paternalistas governantes, vão afirmando dissimuladas preocupações com este
estado degradante e miserável em que sobrevivem os enteados habitantes,
enganados como crianças a quem é oferecido o rebuçado do Rendimento de Inserção
Social, habilidoso sofisma que vem mantendo precariamente silenciosas graves
carências e em permanente vida airada uma significativa franja de beneficiários
deste abominável abono que, a troco de votos no padrastozinho amigo e solidário,
vai permitindo a inactividade voluntária e o parasitismo, em prejuízo dos
direitos sociais da massa trabalhadora, dos verdadeiros desempregados e das
reformas.
Está, assim, irremediavelmente
ferida a confiança de bem-intencionados e conscienciosos cidadãos no seu
governo que tão escandalosamente escamoteia a sua primeira preocupação governativa,
a de garantir o bem – estar da capital e seus arrabaldes como território
verdadeiramente nacional que merece atenção permanente, sendo a enorme
periferia do resto do rectângulo peninsular mera paisagem que apenas precisa de
pormenores para que os portugueses de Lisboa e Vale do Tejo, possam passar férias
e desfrutar fins-de-semana em mínimas condições de comodidade.
Enquanto isso, vão sendo erguidas as
bandeiras da ignorância, do comodismo, do seguidismo partidário inconsciente e
irresponsável, do masoquismo incoerente que deixa para os outros o ónus da
decisão esquecendo-se que a sua própria inacção e alheamento pela res pública
será a arma que se apontará a eles próprios o que seria bem feito se não viesse
prejudicar cidadãos civicamente conscientes e colectivamente empenhados para o
bem comum.
Com tais mentalidades, apenas nos
resta sobreviver com dignidade cívica e ética para, no fim desta peregrinação
em vale de lágrimas, sermos todos nós e os de Lisboa, tabelados na mesma
categoria de mortos, uns com direito a panteão, outros em campa rasa, mas todos
na mesma situação de antepassados.
Colaborador
É
verdade, meu caríssimo leitor, os portugueses devem estar atentos ao que se
passou desde que o Presidente Cavaco Silva tomou posse das funções que hoje
desempenha. E devem estar atentos a tal realidade porque o desempenho deste
Presidente da República, sem razão lógica, tem vindo muito rapidamente a perder
virtudes e a ser fonte de constante conflitualidade interinstitucional.
A generalidade dos comentadores
desse tempo eleitoral percebeu que a tal ideia imprecisa, quase certamente,
poderia traduzir uma vontade de intervir, fosse do modo que fosse, na condução
da governação do País, o que, nos termos constitucionais conhecidos, compete ao
Governo e não ao Presidente da República.
Isso mesmo foi logo possível
observar, ainda mesmo ao início do seu desempenho presidencial, com a ideia de
que nos temas de grande interesse nacional se deveriam procurar consensos
alargados. Ora, num Governo com maioria absoluta uma tal ideia simplesmente
correspondia a esvaziar boa parte do direito de governar que o Partido
Socialista havia recebido do eleitorado.
Com mui ligeiros e naturais conflitos,
em geral em torno de questões importantes e públicas da governação, as coisas
foram correndo, diga-se assim, normalmente. A verdade, porém, é que nem o PSD
saía do marasmo permanente em que ia vivendo e se voltou a ver agora, nem as
sondagens auguravam nada de bom.
Até que, depois de ter Luís Marques
Mendes deixado a liderança do seu partido, o mesmo veio a ter lugar com Luís
Filipe Menezes, e em condições de gravidade de bastidores que se perceberam mas
nunca foram esclarecidas. Assim surgiu, pois, Manuela Ferreira Leite, um
objetivo mito político que agora foi possível observar de um modo pleníssimo.
Quando um dia se fizer a história
deste mandato do Presidente Cavaco Silva, pelo que se me foi tornando evidente,
foi com a chegada de Manuela Ferreira Leite à liderança do seu partido que se
operou, já de um modo indiscutível, uma mudança no comportamento político do
Presidente Cavaco Silva. Uma mudança que se traduziu numa crescente oposição às
legítimas opções do Governo no âmbito que a Constituição da República lhe
confere.
O tempo, porém, ia passando, com as
sondagens a mostrar uma linha constante e sem variantes: o PSD na zona dos
trinta, e o PS na dos quarenta. A designada esquerda ia subindo sem parar e ao
CDS/PP, como de costume, profetizava-se o falhanço.
Surgiu, deste modo, a infelicíssima
ideia de fazer assentar a campanha eleitoral que ora passou em questões de caráter:
Manuela seria séria, competente, verdadeira e patriota, Sócrates tudo ao invés.
De um modo verdadeiramente estranho e espetacular, como se se estivesse a
tratar com uma qualquer magia, eis que a administração da TVI, espanhola ou
portuguesa, pôs Manuela Moura Guedes e o seu horroroso noticiário na alheta.
Portanto, para os incautos, de quem teria sido a cupla? A verdade, que logo todos
perceberam, é que a Sócrates é que tal iniciativa não convinha de todo.
Até que lá surgiu a notícia de
Agosto de que gente do Palácio Nacional de Belém estaria a apoiar a campnha do
PSD. Não tendo o Presidente da República desmentido de pronto tal notícia, como
fez, por exemplo, com o caso BPN, ainda que de si nada tivesse sido dito,
tornou-se natural e legítimo admitir que Cavaco Silva apoiaria tal apoio que
estava a ser dado ao PSD por gente do seu staff. Uma mais que expectável indução.
Depois, bom, foi o que se viu. Lá
surgiu o tal e-mail, ao mesmo tempo que o próprio Presidente Cavaco Silva nos
veio agora, de um modo algo inacreditável, dizer que não sabia se a respetiva
estrutura informática do palácio onde trabalha e mora é suficientemente segura!!
Claro está que nunca teve lugar
qualquer escuta, ou vigilância, ao Palácio Nacional de Belém, ou a gente que aí
trabalha, porque nada ali se passa que mereça uma especial atenção perversa do
Governo. A menos que ali estivesse a ter lugar algo de muito grave, ou de
ilegal, o que também não era o caso. Belém, num certo sentido, pouco difere de
Buckingham.
O que se deu, claro está, foi uma
tentativa, fosse de quem fosse, para se derrubar a liderança, pessoal e política,
do Governo, o que acabou por se não dar. Ao contrário, é Manuel Ferreira Leite,
como tudo já faz crer, que irá pela porta fora. Tudo, portanto, ao contrário.
Termino com esta pergunta ao meu
caro leitor: tenho ou não razão? E porque tenho, acha que Aníbal Cavaco Silva
está hoje em condições de desempenhar cabalmente um segundo mandato, depois dos
mil e tropeções políticos que foi possível observar-lhe? Não haverá por aí quem
seja melhor e mais capaz de desempenhar o cargo de Presidente da República?
Colaborador
Música profana e música religiosa
misturam-se como corpo e espírito e cruzam-se em ricas tradições dos ciclos
religioso e laico. A música religiosa é mais conservadora, mas a profana tanto é
lúdica como festiva, como austera e despida de todos os excessos, impondo sempre
a solenidade. Formas musicais sacras e formas musicais profanas,
predominantemente arcaicas ou recentes, a solo ou a coro, uníssono ou polifónico,
unisexual ou misto, fazem parte das tradições do Lima, como do Minho ou do
Coura ou mesmo do Ave e Cávado.
Os instrumentos musicais também são
variados, mas sobrevive a tudo isto uma linha tonal própria e hegemónica.
Por exemplo, a chulada substituía o
cavaquinho pela rabeca chuleira. No inventário musical limiano, claro que os
cantares ao desafio sobressaem dos demais.
Os Zés-Pereiras constituídos por
membrafones e aerofones, de percussão directa ficaram um pouco
descaracterizados no nosso Minho com a introdução da gaita-de-foles, que tem
origem celta e portanto também muito galaico. A junção entre os gaiteiros e os
bombos foi facilitado pelo intercâmbio cultural entre a Galiza e o Minho.
Reparem que a gaita-de-foles é um “ex-libris” musical escocês, muito mais que
galego ou minhoto. Mas os autóctones da Serra d’Arga, da Peneda, do Gerez, etc,
depressa fizeram deste instrumento quase exótico, uma concorrência séria ao
cavaquinho e à concertina, daí saindo “grupos” que ficaram célebres na Ribeira
Lima, que foram “Os unidos de Cepões”, os “Aguaceiros do Bárrio”, e outros de
menor renome, como os bombos de Fornelos, Vitorino de Piães, Facha, Cabaços e
S. Julião de Freixo.
A catalogação da música popular é
difícil e incorre em alguns erros e suposições que muitas vezes são mais invenções
do que dados provados e defensíveis. Isto porque a música popular escapa, de
algum modo, a uma origem bem definida, porque manipulada pelos seus
praticantes, misturam-se géneros, como alhos com bogalhos. É certo que há
sempre uma prevalência histórico-popular, de região para região, mas no seu
cerne, prevalece o reportório das romarias principais.
A prevalência dos cordafones
tradicionais (cavaquinho, viola braguesa, violão e posteriormente o rialejo)
trouxeram à nossa música uma estabilidade musical que é conhecida em Portugal
inteiro.
O Minho é a
capital do folclore como é a capital do “verde”. A arte de cantar e de dançar à
moda minhota não tem par em mais sítio algum. Por isso, é um património muito
nosso, peculiar, sugestivo, atractivo e envolvente, porque no “arraial dança
toda a gente”, mesmo que seja “pé de chumbo”. Os cantares ao desafio são por
excelência, manifestações tradicionais, mesmo de uma tradição oral, como são as
rezas, as quadras votivas, os cânticos e as danças comuns nos nossos campos.
O “desafio” nunca é contido mas é
sempre muito temático. Tem surpresa quanto baste e desgarrada que sobra. No
nosso Minho, a música e a dança são como o pão e o vinho para as nossas
mesas.
Oração
para afastar a inveja,
o encosto e os maus olhados
Colaborador
“Inbeja?”, pergunta a Ti Pitinhas. “Eu já sou
belha. A mim ninguém me tem inbeja. Só à gente rica e bonita”, responde
depressa, entretida com uma mão cheia de arruda. “Esta planta é boa pra isso”,
diz a velhinha de Vilar de Perdizes, quase sem parar. “mas olhe, eu conheço uma
oração que corta o mal da inbeja. Até a rezo muitas vezes”. Sim, sim , explica.
Não é por nada, mas às vezes o diabo é tendeiro”.
Sempre a separar umas ervas das
outras, a Ti Ana conta sorridente que muita gente lhe pede os ditos para
afastar o encosto. “Inda noutro dia estiveram cá muitos alentejanos a quem eu
dei. São muito engraçados”, lembra satisfeita. “cantei uma cantiga do Alentejo
e depois rezei”.
A ladainha da “doutora das
ervinhas”como todos a tratam carinhosamente, começa com a mão direita. “A gente
benze-se, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A seguir diz: corto
inbejas e maus olhados e todos os espíritos e raibas que no meu corpo e na minha
casa ande incostados. Pelo Poder de Deus e da Virgem Maria, Pai Nosso, Ave
Maria”.
Com uma lucidez encantadora, a Ti
Ana lembra que a reza deve ser repetida nove vezes, findas as quais o corpo terá
de ser benzido com arruda. E resulta. “Comigo sempre deu certo, porque isto não
faz mal a ninguém. É só para afastar o encosto”.
Mas expurgar o manquinho não é especialidade da Ti Ana. Do que ela
sabe mesmo é de plantas.De cor e salteado, diz para quem a quiser ouvir que o
loureiro é bom para a digestão, menstruação e reumatismo. Melhores ainda são os
coentros, que além de serem um tempero de trás de orelha, ajudam a acabar com a
gripe, as vertigens ou a arteriosclorose. A cidreira é das mais conhecidas por
facilitar a digestão. Mas também acalma as dores de estômago e o nervosismo, além
de combater as insónias. Depois destas todas e de mais algumas, que podem ser
compradas em frente do centro paroquial da vila, a Ti Ana Pitinhas, lembra a famosa salva, cujas
propriedades o próprio Padre Lourenço Fontes, já havia elogiado. A planta serve
para o tabagismo, depressão ou desinfecção. E é mais miraculosa que o “Viagra”,
pois liberta as mulheres da frigidez e os homems da falta de “músculo”.
Caro leitor, aqui tem os remédios da Ti Ana Pitinhas, uma transmontana
dos quatro costados. Se quiser saber mais, o melhor é um dia rumar a Vilar de
Perdizes. Talvez regresse com a ideia de utilizar mais e melhor determinadas
plantas que, podem não fazer bem, mas
mal não fazem, de certeza.
colaborador
Podem ajudar a construir momentos
De dor, de amor, de paz e alegria.
Tudo o que na vida o poeta sente
Ficará bem assinalado para sempre
E a tudo isto chamamos poesia.
Também para ti a porta esteve aberta
Para nela passar apenas o lado físico.
Porque a obra feita ao longo dos
anos
Sempre combateu a realidade, os
enganos,
Para que cá fique o melhor… o lírico.
Porque bem mais forte é o grande
amor
Que dá à natureza. A nostalgia
Não serve para quem nasce diferente,
Nem podemos considerar, nunca,
ausente
Aquele que viviu abraçado à poesia.
Quadras
soltas
Maria Alice Martins
colaboradora
Já não sou o que antes era
Assim vou levando a vida
Enquanto a vida me leva.
Na romaria dancei
Com o som da concertina
Nos teus braços balancei.
Contigo eu quero viver
Fico acordada de noite
Com medo de te perder.
São grandes os meus cansaços
Adormeci e sonhei
Que te prendi nos meus braços.
Só de ti tenho queixumes
Levanta os olhos do chão
Das pedras tenho ciúmes.
Eu foi ver o meu amor
Que anda no mar embarcado
Mandou-me um beijo nas ondas
Mas que beijo tão salgado.
Eu tenho de ti decerto
Ou eu vou viver contigo
Ou vens tu mais para perto.
Mas não sei onde ela mora
Se encontrar a alegria
Mando a tristeza embora.
Sonho de criança
Colaborador
Sinto uma enorme saudade;
Sinto na face o rubor,
Sinto no peito o calor,
O calor da mocidade!
Que estou sempre a recordar;
Talvez por ser inocente,
Não conseguiu ir em frente,
Não teve asas para voar!
Não era palavra vã;
Se não era amor de verdade,
Era decerto amizade,
Amizade pura e sã!
Porque essa é passageira;
Tal e qual como o vulcão,
Quando entra em erupção,
Nunca é para a vida inteira!
Não me sai do pensamento;
E apesar do seu calor,
Sinto cá dentro uma dor,
Que é para mim um tormento!
Quando já não há esperança;
Quando é já muito tarde,
Para tornar realidade,
O nosso sonho de criança!…
Refeição grátis nas escolas limianas
Franclim
C. Sousa
vereador da
educação do Município de Ponte de Lima
Esta proposta não
tem em conta a legislação sobre Acção Social Escolar e extravasa a competência
do Município.
Se
considerarmos que a escolaridade obrigatória vai desde o 1º ao 9º de
escolaridade, sendo o serviço de refeições do 5º ao 9º ano competência do
Ministério da Educação, cumpre-nos equacionar:
Em que condições o Município
assumiria esta competência?
Além disso devemos ter em
consideração que em breve a escolaridade obrigatória passará para o 12º ano.
A educação pré-escolar,
dos 3 aos 5 anos de idade, não é considerada ensino obrigatório. Será que as
1000 crianças deste ciclo de ensino também seriam abrangidas pela medida?
Estas são algumas das
questões que se devem colocar que precisavam ser esclarecidas no imediato do
aparecimento da proposta. Tudo o resto não passa de mera propaganda.
Como sabemos a política
de acção social implementada pelo Município de Ponte de Lima visa acima de tudo
a redução das assimetrias sociais, o combate à pobreza e à exclusão social que
no fundo se traduz por ajudar mais quem mais precisa.
Esta proposta do PSD, em
nossa opinião promove a desigualdade social e ofende os princípios básicos da
justiça social
A Acção Social Escolar do
Município está bem estruturada e permite apoiar efectivamente as crianças das
famílias mais carenciadas. Não há sistemas de acção social completos mas há
bons sistemas de acção social que permitem melhor qualidade de vida.
Esta política alcandorou
Ponte de Lima ao 5º e 1º lugares, na Região Norte, na qualidade de vida e no
desenvolvimento municipal, respectivamente.
Por sua vez não descortinamos
em que critérios de gestão se baseiam as propostas do PSD elevando os encargos
ao máximo e a redução de taxas ao mínimo.Fica à consideração dos leitores esta
reflexão.
Franklim Fernandes
Colaborador
O caso passa-se numa
freguesia rural do nordeste limiano e envolve uma família há muitos anos de
candeias às avessas com o presidente da autarquia que, no passado, foi alvo de
uma acção judicial perpetrada pelo director do grupo folclórico local, hoje avô
da criança afectada pela singular decisão que é tema desta crónica, de que
resultou a sua condenação em juízo.
Com a abertura do Centro
Educativo, recentemente inaugurado, numa localidade vizinha, as crianças da
terra em questão frequentam aquela nova infra-estrutura para o ensino pré-escolar.
Competindo às juntas de freguesia assegurar o transporte, e assim tendo agido
aquela autarquia, dele foi excluída a criança, situação única em toda a população
pré-primária.
Confrontado com tão insólita
atitude, o autarca ter-se-á limitado a argumentar, através de uma familiar, que
ela resultou exclusivamente da ausência do pai da menor a uma reunião
informalmente convocada com a finalidade de delinear o plano de viagem do
transporte para o aludido centro educativo.
Ora, sendo obrigação da
autarquia assegurar esse transporte pré-escolar, não se afigura razoável nem
sequer legítima a disposição da autarquia em rever a sua posição desde que os
pais da menor se disponham a custear o transporte a setenta e cinco cêntimos
por quilómetro percorrido diariamente.
Então, e a regra da
universalidade de direitos?
Fácil é perceber-se que a
criança é vitima de danos colaterais e duma inacreditável descriminação
terceiro-mundista levada a cabo por um responsável autárquico que se alheia do
dever de servir servindo-se do poder para exercer represálias e saciar a sua
sede de vingança pessoal descarregando sobre uma criança indefesa o seu
visceral rancor. Tratou-se apenas de aguardar pela ocasião para dar uma traiçoeira
estocada num alvo determinado para atingir um outro por via colateral.
Perante outras estórias
de afrontamento de âmbito meramente particular e pessoal como a de ordenar a
colocação de um bloco de granito de considerável volume e peso no terreno do
pai dessa criança apenas para, segundo terá afirmado, “limitar o meu terreno e
o dele”, apesar de não ser proprietário de qualquer imóvel nas imediações (o “meu”
será a estrada municipal confinante com a propriedade do lesado cidadão), e a
de pactuar com a descarga de lixo onde antes existiu um contentor entretanto,
misteriosa e estrategicamente, desaparecido em combate, uma bem formada consciência
é levada a questionar que motivações lógicas terá uma qualquer figura a
servir-se do voto popular (e todos sabemos, oh! Se sabemos!) com que facilidade
ele se garante, e do poder que assim se institui para remover barreiras éticas
e servir mesquinhos interesses particulares ignorando o interesse colectivo ou
os elementares direitos individuais de outrem, saciando ódios de estimação e
concretizando desforras pessoais esgrimindo uma espada a que se dá o honroso
nome de legitimidade democrática.
A violência assim
exercida demonstra como é perigosa a conferência e concentração do poder local
em mentalidades destituídas de valores éticos e de senso de bem comum
cimentando a sua tirania no indevido uso da confiança de outros superiores
poderes tutelares sobre cuja sombra vegetam.
Em democracia não pode
valer tudo, sobretudo valer-se do poder para exercer pressão e vingança.
Poder assim não tem
sentido, é abominável e criminoso.
Ainda
há esperança
professor
de Língua Portuguesa
Bela e forte é a flor que
cresceu nos telhados.
O ouro é provado no fogo;
o valor de um homem avalia-se nas contrariedades, nos obstáculos, nas
dificuldades de todo o género.
Jamais se encontrará
outra maneira de medir quanto vale um homem.
O fraco foge daquilo que é
difícil e árduo; alimenta-se daquilo que recebe dos outros; ama o que é fácil e
cómodo. O homem nobre vive do que dá; enfrenta as dificuldades; não tem receio
de ir contra corrente.
Durante o terrível ataque
terrorista nos Estados Unidos, num dia 11 de Setembro, aconteceu que alguns
homens foram contra corrente. Os relatos dos sobreviventes referem o facto
espantoso de que – enquanto a multidão descia, tão depressa quanto possível, as
escadas que conduziam à salvação – os bombeiros subiam as mesmas escadas,
procurando mais pessoas para salvar.
A corrente descia e eles
subiam. Tinham a perfeita consciência de que o edifício podia ruir a qualquer
momento, como de facto veio a acontecer. Mas subiam, subiam...
Os que iam a descer nunca
mais poderão esquecer os rostos daqueles homens que iam a subir e nunca mais
regressaram lá das alturas. Hão-de lembrá-los, talvez, como anjos salvadores;
mas, sobretudo, como homens fortes, cheios de nobreza. «Não podemos ir embora –
explicavam. – Este é o nosso dever».
O ataque às torres gémeas
suscitou inúmeros actos de heroísmo, muitos dos quais ficarão escondidos para
sempre. Porque esse ataque foi para os homens o mesmo que o fogo é para o ouro:
fê-los mostrar o que valem.
Não gosto de tragédias,
mas gosto de ver como o homem se ergue nas tragédias. Gosto de verificar que
continuamos a ser capazes de heroísmo. E que – apesar de muitas vezes as nossas
revistas e a nossa televisão prestarem culto à mediocridade – continuamos a ser
capazes de apreciar o heroísmo.
Assim, ainda há esperança!
Colaborador
O Menã,
para ser um grande poeta, faltava-lhe escolaridade; mas, para ser um grande
amante da poesia, sobrava-lhe paixão. A mesma paixão desmedida que devotava à
sua e nossa terra, a quem dedicava as melhores das suas rimas.
Eu gostava dele na
simplicidade dos seus versos e da sua forma de viver. Por isso, aqui expresso a
minha grande tristeza.
O
tesouro da nossa vila
Colaborador
A vila cresceu sempre
como uma comunidade , talvez como uma família parental, como soi dizer-se hoje;
não tem limites temporais e essa intemporalidade manifesta-se na sua cultura,
no seu linguajar castiço, na capacidade de se reproduzir nos outros sem
interferir nos espaços alheios: é uma vila ligada muito ao seu historicismo,
mas também à sua religiosidade secular.
A capacidade de se
estruturar sem perder a sua verdadeira simbologia, o destituir o conceito
redutor de uma vaidade com base na sua cultura popular, a capacidade de criação
e valorização de todos o seu “histórico”, a crítica velada mas dinâmica, tanto
do jeito e do gosto de qualquer limiano, a dinâmica transformadora verificada
na sociedade com o crescimento sobretudo de jovens promissores, estudantes,
atletas e até cientistas; com uma alma que pretende a todos, que se herdou, mas
que também se renova; uma emoção muito eclética porque ela é empresarial,
mercantil, muito melhor, mas sobretudo uma emoção muito ritual, com o exemplo
mor da tradicional “Vaca das Cordas” onde ferve a histeria, a raiva ou mesmo a
paciência, do confronto com o imprevisto, de uma forma ousada, mas sem bases
patológicas, porque esse povo vive a “Vaca das Cordas” e as suas “Feiras Novas”
como ninguém: há um caldeamento de culturas, de costumes, de tradições, de
rituais, de vivências, fruto de um processo social que se consubstância no
respeito pela cultura do seu povo.
Já dissemos muitas vezes
que as Feiras Novas não são sequer uma romaria, mas antes uma festa pagã à
natureza bucólica que rodeia esse concelho. Os espaços limianos não são
estanques, mas antes partilhados com uma humanidade que bem poderia chamar-se o
acervo de uma território que cheira a rio, mas também cheira a monte ou a
serra, e que criou um perfume especial não só para a vila como para todos os
forasteiros.
Hoje, Ponte de Lima é a
rota turística mais frequentada e apetecida de quem viaja pelo nosso Minho. A
sua proximidade da Peneda e do Lindoso, o seu leque variado de literatura oral,
música, dança, folclores, trajes, cantares, tudo isso junto faz um universo
festivo com ritmos que se compuseram não só com música ou dança, mas também e
sobretudo com uma cultura agrária, sobretudo do milho e do vinho e outra
cultura de gado específicos, como a do garrano, do cabrito e do cavalo do monte
(montês).
Não houve necessidade de
invenções de tradições e costumes, porque estão lá como bens actuais dum
passado e de um presente à altura deste nosso povo limiano.
Hoje fala-se mais em
Portugal de Ponte de Lima do que, por exemplo, de Braga ou de Viana, porque
esta vila tem saberes e sabores autóctones, que são atractivos para qualquer
ser humano. É uma vila com cheiro a Minho e com um perfume lusitano, sóbrio,
mas consistente, para não tirar loas ao nosso Viriato de viseu.
Os nobres, a burguesia, o
povo simples, apesar dos seus próprios estatutos específicos, estão todos
marcados por uma ruralidade que tanto é brasonada como cheira a “postas de
cavalos do monte”. É esta energia intemporal que dá aos próprios telhados da vila
a sua verdadeira idade, coisa que nem sempre é fácil. Escritores, eruditos e
populares fazem uma simbiose perfeita da vila que temos: lendária, histórica e
actual.
Presa
ao meu olhar
colaborador
Há tanta coisa para ver,
Mas tudo o que eu mais
adoro,
É quando a vejo aparecer…
Fica presa ao meu olhar,
Sempre que está ao alance,
Logo que a vejo chegar,
Não a perco um só instante…
Vejo sempre onde ela vai,
Vejo tudo o que ela faz,
Quando entra e quando
sai,
Se fala para algum rapaz…
Vejo a rua onde ela passa,
Espalhando o seu perfume,
Sorrindo a todos com graça,
Despertando o meu ciúme…
Vejo a casa onde ela
mora, / Lá na herdade…
A janela do seu quarto, /
Para o meu lado…
Vejo até o quanto chora,
/ Com saudade…
Ao olhar aquele quadro!…
Será do pai, ou da mãe,
Quem sabe, do namorado,
Mas só pode ser de alguém,
Por ela muito amado…
Por o jeito com que adora,
E porque ajoelha e reza,
É talvez nossa Senhora,
Ou é Jesus com certeza…
Vejo o seu rosto dorido,
Sempre que vai para a
cama,
Vejo-a despir o vestido,
Vejo-a vestir o pijama…
Só depois vem à janela,
Para fechar a persiana,
Por isso não vejo ela,
Deitada na sua cama…
Daquele altinho onde eu
moro, / Vejo o céu…
Tenho tantas coisas
lindas, / Para ver…
Mas tudo o que eu mais
adoro, / Ó deus meu…
É quando a vejo aparecer…
Colaborador
São outras as funções a
cumprir pelos eleitos autárquicos, outras são as qualidades exigidas, as
expectativas criadas são doutra natureza e são estes factores que teremos que
analisar e avaliar de modo a tomarmos uma decisão, porque ela nos é imposta.
Mas levantar-se-á sempre o problema de como é possível que uns partidos não
consigam pessoas de qualidade, disponíveis e empenhadas em exercer funções autárquicas
“a tempo inteiro” e para outros parece sobrarem as pessoas e o seu problema é a
escolha.
Como é possível que uns
que até têm bastantes votos nas legislativas se desunhem para arranjar
candidatos que concorram sob a sua bandeira e não os conseguem, senão à última
hora, e outros agreguem a si com tanta facilidade pessoas de diferentes
origens, prontas a desfilar sob bandeira alheia? Como é possível que uns nem
com a preocupação de qualidade consigam as boas graças do eleitorado e outros
nem precisem de preocupar com ela porque alberguem sob o seu manto gente de
qualidade muito díspar e conseguem o apoio popular?
Essencialmente porque uns
aparecem esporadicamente nas campanhas eleitorais, antes delas votam os
eleitores ao desdém, depois do desastre enterram a cabeça na areia à espera que
o flagelo passe. Para que é que eu me meti nisto, dizem os mais desiludidos
pela sua fraca prestação. Má hora a que não resisti à vaidade de aparecer numa
lista, dizem aqueles que nunca se deveriam ter metido, por não terem a
humildade bastante.
E porque há outros que já
ocuparam quase todo o espaço, que conseguem dar a ideia de que há falta de
necessidade de haver no terreno outras organizações além das que os próprios
controlam, que procuram convencer os outros de que são capazes de conciliar o
interesse de todos. Para esses quem surge de forma meteórica não está
interessado em defender os interesses de ninguém a não ser de si próprio. Quem
procede desta maneira e é portador de tal estado de espírito não vai a lado
algum. Vai passar o resto do tempo a olhar para si.
Então será que “ Os dados
já estão lançados”? No geral nas autarquias os dados são mais antigos e os
votos mais previsíveis. Quase tudo se passa como se o processo de decisão já
esteja concluído há muito e como se tudo o que ocorreu depois não seja
suficiente para abalar a decisão já tomada. As eleições são periódicas e, sejam
quais forem os resultados esperados, deveriam obrigar-nos a uma reflexão mais
ou menos longa. Porém a nossa preguiça mental não nos leva a tal, muito menos a
reconsiderar votos feitos.
Se formos benevolentes é
sempre tempo de dizermos que podemos fazer escolhas, que nem tudo está
previamente decidido, que se não nos deixamos condicionar pelos outros também não
nos devemos deixar condicionar por nós mesmos, que escolhas antes feitas nos não
devem condicionar agora, que tanto nos podemos ter enganado então, como podemos
estar enganados hoje. Sermos capazes de recolocar a indecisão e avançar a
partir dai para as decisões é uma qualidade e não falta de coerência, como por
vezes se diz.
Quer dizer que o
importante é sabermos como tomar as decisões. E neste aspecto o mais importante
ainda é o sabermos que o que foi importante, o que pesou há anos pode-se
revelar hoje perfeitamente irrisório, assim como podemos estar seguros de que o
que nos parece importante hoje se pode revelar amanhã como um conjunto de
pormenores ridículos que só foram levados em conta devido ao nosso “agrado” de
momento.
Se nós adoptarmos um bom
método de tomada de decisões podemos enganar-nos mas não temos razões para nos
sentirmos diminuídos. Mas será que nos podemos decidir correctamente se a toda
a hora nos surgem novos candidatos, novas caras ou então pessoas que nós
conhecemos com outra roupagem? Será legitimo que nós nos deixemos levar por
aqueles que já conhecemos há muito, que de algum modo nos acompanham, que de
alguma maneira nos ajudam a superar este sentimento ambíguo de orfandade? Ou
será melhor entregarmo-nos a um desconhecido, por mais méritos com que o
cubram, e por mais convencido que ele esteja que nós o conhecemos?
Ninguém toma decisões sem
“pensar”. Se muitas vezes não usamos todo o capital intelectual e tomamos reacções
rápidas é porque o ritmo de vida adoptado nos convida a não gastarmos muito
tempo a pensar e às tantas convencemo-nos mesmo que já sabemos tudo e decidimos
pelo gosto de momento, pelo agrado, pelo mimo que nos é feito. Para os
intelectuais o valor das nossas decisões depende da leviandade com que as
tomamos, isto é, da maneira como nos deixamos impressionar por leves
sentimentos ou por simples emoções de agrado.
Qualquer acusação de
manipulação social não tem fundamento. É tão legítimo lutar pela manutenção de
um ascendente já conseguido pelo apelo constante àquelas impressões leves, como
o é o apelo a sentimentos fortes e cujo deslocamento até é muitas vezes mais do
que evidente. Assim as nossas decisões não devem ser contestadas pelo seu
valor, mas são os políticos que devem ser realistas e criar os laços que possam
ser mais fortes do que os do adversário.
Se nas autarquias um
partido tem uma votação interior à votação nas legislativas é porque os seus
candidatos locais não têm o valor correspondente ao dos nacionais. Ou tão só não
têm a persistência, não se querem submeter à exposição a que todos os políticos
estão obrigados. Não se queira que a população veja da mesma forma um meteoro e
um satélite geostacionário. Alguns laços ou pelo menos a disponibilidade para
os estabelecer são elementos essenciais nas eleições locais. Não chega passar,
olhar, andar por aí, nem chega sequer ter boas ideias, é preciso estar de alma
e coração cá, com a gente de cá.
Eternos
amores
Eugénio Monteverde
colaborador
Cheguei a
Ponte de Lima…
No Caminho
dos Recados
Revi os
belos momentos passados,
O arfar de
antigamente,
Os abraços
sentidamente apertados
E o
saudosismo que nunca mente.
Continuei a
caminhada
Até ao
lindo largo de Camões
E logo
antigas recordações
Me deram a
pertinente bofetada;
Lembraram-me
as horas que eu a esperava
E que,
impacientemente rimava
Namoro e o
Lima das ilusões.
O tempo
insensível passa
E a idade
imperturbável
Avança
sobre os momentos mais felizes.
As amorosas
raízes
Que guardam
o perfume e a graça
Deste forte
queres é incontornável.
Cada vez
que chego a Ponte o coração
Entra em
alvoroço no meu peito
Melancólico
mas feliz, em jeito
Do submisso
eterno enamorado.
Porém,
lembra-me que o meu maior pecado
Foi ter
ficado apaixonado
Por uma mulher de Ponte
de Lima!
Um
presidente inteligente
Colaborador
Depois da tempestade,
duma tempestade “em copo de água”, creio eu, veio a bonança.
O casamento, que dura há
cerca de quatro anos e meio, com avanços e recuos, superou, mais uma vez uma
crise e tudo leva a crer que, voltou ao seu estado inicial, onde tudo eram rosas, isto é, que José Sócrates e Cavaco
Silva voltam a ser como Deus com os Anjos. Posso estar enganado, mas o P.da R.
quer recuperar o tempo perdido, colocar-se no topo do reconhecimento positivo
dos portugueses. Não nos esqueçamos que, no próximo ano, haverá eleições
presidenciais e o Dr. Cavaco Silva, está interessado num novo mandato.
Esta pequenina “guerra”,
entre S. Bento e Belém, incomodou as elites portuguesas, os empresários, as
grandes instituições com peso na sociedade portuguesa. E têm razão. Todo o
ambiente de crispação política entre aqueles dois órgãos de soberania,
reflecte-se, pela negativa, no mundo
empresarial português, a braços com uma crise que parece nunca mais acabar.
Portugal precisa de ultrapassar definitivamente esta crise para se colocar no rumo do progresso e da
modernidade , na Europa e no Mundo.
O País, infelizmente, não
pode contar com determinadas forças políticas, com legitimidade política é
certo, mas que parecem apostadas, no meu entender, numa política de “bota abaixo”,
nada condizente com o interesse dos
portugueses. Por isso, Portugal, tem de contar com o Presidente da República e
com o Primeiro Ministro para, em total sintonia, garantirem uma acção
governativa eficaz e sensata.
Quando for indigitado o
novo Primeiro Ministro que, tudo indica, será José Sócrates, o PS precisa de,
sobretudo de asssegurar na Assembleia da República, a passagem do Programa do
Governo e dos orçamentos anuais. E, o Partido Social Democrata, embora com certa
reserva, poderá vir a desempenhar um papel importante neste contexto.
É deveras curioso que,
neste pretenso mal-estar entre o P. da R. e o P. M., surgissem vozes de alguns
“sampaístas” a ensaiarem uma nova candidatura a Belém. Acho que não vão ter sorte
nenhuma. Existem, no PS, duas personalidades , de reconhecido valor, com mais
competência que o Dr. Jorge Sampaio. São eles, o Dr. Manuel Alegre e o Dr. António
Guterres. No entanto, entre estes dois “animais políticos”, embora reconheça
que Manuel Alegre, pela sua cultura e pelo seu passado antifascista, tenha o
seu valor, António Guterres parece-me
-ser o candidato que o P.S. vai escolher para disputar as eleições com Cavaco
Silva. António Guterres, é de facto uma personalidade incontornável, pela sua
cultura, pela sua inteligência e pelo seu papel que hoje desempenha ao serviço
da ONU.
Cavaco Silva e António
Guterres, representando correntes de pensamento distintas, poderão protagonizar
umas eleições presidenciais de grande importância para o País. Até lá, Portugal
precisa dum governo estável, que dê aos portugueses melhores condições de vida,
mais emprego, melhores cuidados de saúde,
melhor ensino, melhores vias de comunicação, melhor justiça, etc. etc. Vamos
ver se o Partido Socialista, consegue governar, sem maioria absoluta. Tenho a
impressão que o papel do Presidente da República, nesta legislatura, vai ser
crucial na angariação de consensos, entre as várias forças políticas. Embora não
seja determinante, poderá aconselhar.
Ele é um Presidente inteligente!
Como
um baralho de cartas
Colaborador
E porque esta é, de um
modo indubitável, a realidade do funcionamento dos nossos órgãos de soberania,
a tal historieta, se não se tivesse transformado num isomorfismo do tal baralho
de cartas, só poderia servir para atingir, mais uma vez, o Primeiro-Ministro,
José Sócrates.
Esta historieta, contudo,
levanta aspetos deveras melindrosos, e que, como é natural entre nós, nunca serão
explicados. Resta, pois, a perspicácia dos portugueses, que não requer, neste
caso, grande esforço na sua aplicação, tal é já o estrondo da queda do tal
baralho de cartas em que tudo se transformou.
Depois deste estrondo, é
hoje legítimo e natural, até pelas calúnias e mentiras que se viram ao tempo da
primeira candidatura vencedora de José Sócrates, que nos questionemos sobre a
veracidade de quanto de si se tem dito em torno do caso Freeport. De resto, lá
diz o sábio ditado, quem mente uma vez, mente sempre. E quem faz um cesto, faz
cem...
Com um pouco de atenção,
o leitor constatará facilmente que o Primeiro-Ministro, José Sócrates, de há
muito vem sendo alvo de mil e uma tentativas de desacreditação, e logo desde a
campanha eleitoral de que saiu vencedor.
É verdade que teve a
possibilidade de fazer mais e melhor em muitos domínios, mas também o é que lhe
surgiram ao caminho da governação escolhos simplesmente singulares. Verdadeiros
outliers da História Económica dos últimos cem anos. Indubitavelmente, a podre
e interesseira direita dos nossos dias não teria feito melhor, muito pelo contrário.
Esta realidade foi-se
manifestando nas mil e uma sucessivas sondagens, sempre com o partido hoje no
Governo muito à frente dos restantes opositores. Uma verdadeira dor de cabeça
para os seus oposicionistas, mormente para o PSD.
Pois aqui está como uma
orquestra sem maestro assumido acabou por sossobrar em pleno espectáculo, mau
grado a grande parte dos espectadores de há muito perceberem o que estava a
passar-se... A teimosia das sondagens lá mostrava esta mesma e omnipresente
realidade.
Terminou, pois, e da pior
maneira, a tristemente célebre cooperação estratégica. Uma invenção sem lógica,
que chegou aonde os mais lúcidos sempre pressentiram. Mas será que a esquerda
portuguesa, e também os eleitores, terão já percebido que uma tal situação não
deve continuar?
Portanto, se for maioritária
essa esquerda no Parlamento, haverá a coragem para decidir como se impõe em
favor do País e dos portugueses?
Estaremos cá para ver.
Quem
educa uma criança educa um povo
colaboradora
Nos braços da sua ama
Está a dormir no colinho
Que não quer dormir na
cama.
Venham amas p’ra vestir
Venham amas p’ra calçar
Venha o avô e a avó
Venha a tia p’ra embalar.
Traz a gata da vizinha
Porque a menina a quer
ver
Venha o coro do Alentejo
P’ra menina adormecer.
Mas se não quiser dormir
E se lembrar de chorar
Tragam palhaços e bobos
P’ra menina se calar.
Se acordar de madrugada
A chorar e a embirrentar
Mandem chamar o abade
P’ra benzer com água
benta.
CS4307
Pedir fiado é ficar de lado
Colaborador
O sentido da poupança
muito endógeno na nossa mentalidade popular, é hoje na sombra já foi entre nós.
Nas aldeias sobretudo,
qualquer agricultor ou reformado (remediado) ao fim do mês pegava os trocos que
sobravam e esses iam direitinhos para a “caixa” que era a instituição mais credível
para as populações. Actualmente as populações tiveram um decréscimo drástico
nas economias, porque os salários ou estagnaram temporariamente, ou
simplesmente foram suprimidas pelo fecho de centenas de empresas que lançaram
no desemprego mais de meio milhão de portugueses. Não fora a criação dos bancos
alimentares, quer pela própria igreja, caritas, conferências vicentinas e
sobremaneira pelo movimento extraordinário de cidadãos voluntários que têm
prestado um serviço relevante a esta nossa endémica do social, e não como
caridade, tem hoje um lugar muito maior do que aquele que o próprio estado
deveria ou podia ter. E sempre houve, antigamente, mais ajuda nos meios rústicos
do que os urbanos, mas actualmente ela atinge-nos a todos por igual, cada qual
na medida das suas posses. A solidariedade hoje identifica-se com subsistência
na sobrevivência de muitas famílias.
Primitivamente era um
termo jurídico. Há solidariedade da parte dos devedores quando são “obrigados”
a uma mesma coisa, de maneira que cada um possa ser constrangido pela
totalidade de todas nós. No código civil, etimologicamente, a palavra
solidariedade é uma deformação da palavra latina “solium” que, entre os
juristas romanos, servia para designar a obrigação que pesava sobre os
devedores quando cada um deles era tomado pelo todo (insulidum), por inteiro,
em massa, solidariamente. Quase se pode dizer que actualmente a solidariedade é
uma de dependência recíproca e espontânea. Pegou, como se diz no latim “in
pectore” isto é no peito a sério e com toda a seriedade, sem malabarismos ou
palavras falaciosas, que essas sim são um embuste contra quem deseja ser solidário.
Num sentido unilateral:
sobre o mostrador dum relógio a agulha dos minutos leva consigo ou conduz a
agulha das horas sem que esta conduza a agulha dos minutos. Por outras
palavras, o movimento da agulha das horas é solidário com o da agulha dos
minutos, etc. O verdadeiro sentimento social, contém em primeiro lugar o
conceito de solidariedade, e depois, sobretudo, o da continuidade, uma
continuidade sucessiva, gratuita, para uma solidariedade actual.
O país está a reagir bem à
crise, sobretudo a nossa sociedade. Estado e algumas empresas ainda deixam
muito pelo caminho, por causa, diz o estado, por falta de fundos, e os empresários,
por medo de ficarem pobres e perderem o seu estatuto terrível de “ricos”.
Riqueza pode ser
ofemilidade, isto é, “valor de uso” e “valor de abuso” sobre pessoas e empregos
que por deixarem de serem um bem de utilidade socioeconómico, passaram a ser um
egoísmo feroz, quase patológico, uns sentidos normativos, absolutos ou
relativos, contraries ao que seria desejável, com comportamento com o que
eticamente é totalmente reprovável, que é seguir o caminho mais fácil “ fechar
empresas ou deslocalizá-los, o que nunca é desejável numa economia de Mercado,
onde a justiça não seja palavra vá, e condene esses prevaricadores,
Diz-se entre nós que a
justiça estrita, é frequentemente injusta. Nesta oferta perigosa de linguagem,
quem fica a perder são sempre os mais fracos.
A justiça não é só a
procura da verdade, mas sobretudo, na lógica racional, a distribuição justa dos
rendimentos; porque na lógica dos sentimentos, os empresários, os empresários,
quase, todas, no lugar do coração têm uma pedra que classificam paradoxalmente
de gestão. Gerir a riqueza pertence aos ricos, mas gerir a pobreza deve ser um
hábito ético e activo de ricos, de remediadas e até de alguns pobres, que não são
de todo miseráveis. Gerir bem é repartir com equidade, lucros e prejuízos.
Quando dissemos que “ pedir fiado é ficar de lado” quisemos dizer que muitos não
fiam e muitos não pagam o fiado… Leva consigo a suspeita e outras vezes a
especulação.
colaborador
Sonhamos ter chegado o
dia,
De não ser mais amordaçados,
De viver em democracia.
Que tudo seria melhor,
Só que essa revolução,
Para muitos foi pior!…
Mas pouco ou nada se vê.
Vê-se sim, mais
bagabundos!
E todos sabem porquê.
têm hoje boas pensões,
Quem trabalhou sobrevive,
Com uns míseros tostões.
Para pôr o povo na linha,
Leis que ficam no papel,
Se esse povo é gente
fina.
A fazer grande fortuna,
Mas para alguns
cavalheiros,
Não há justiça nenhuma.
Por governos anteriores,
E a todos já mostraram,
Que não são nada
melhores!
Percam a sua arrogância
Os que não cumprem promessas,
Há que pô-los á distância.
O meu recado está dado,
E só peca por defeito,
Por vir um pouco
atrasado.
Com tantos jovens
abusados!
E como já se previa,
Afinal não há culpados!…
Dizendo que isto está
mal,
E até protesta a oposição,
Mas no fundo é tal e
qual!
Uma boa ocasião,
Para tomarmos desisões,
Para dizer sim … ou não …
Não há margem para errar,
Só mesmo os
desprevenidos,
Se deixarão enganar …
Nesta classe política,
O povo perdeu a esperança,
É o que diz toda a crítica!…
Porque
são diferentes
Colaborador
É uma verdade comummente
aceite que as eleições autárquicas se perdem, não se ganham. Quer dizer que as
eleições se resolvem por arrastamento, quem ganhou uma vez dificilmente não
repete a proeza. Quando alguém sai dum partido e muda para outro para concorrer
ao mesmo cargo arrasta atrás de si uma legião de seguidores e quase sempre
consegue ser eleito. Quem se mantém não precisa de revelar grandes dotes. O que
está vale sempre mais do que se propõe vir.
A procura de razão para
estes factos leva a pensar que há ocasiões em que os eleitores não gostam de
apostar no desconhecido que é sempre quem não tem experiência autárquica do
mesmo tipo. O eleitor odeia a descontinuidade salvo se se sentir directamente
atingido ou ofendido. Por isso a traição do nosso eleito é tolerada mesmo que
nos obrigue a votar num partido diferente e é bem vista se nos permite votar ao
mesmo tempo na mesma pessoa e no partido do nosso agrado. Já hoje ninguém se
sente constrangido a não fazer trair.
Afinal os partidos não são
parte credível nesta questão, as suas indicações são sempre colocadas sob
suspeição. Embora todas estas razões possam estar na mente do eleitor, no
momento de votar parece haver uma ou mais razões mais profundas para que isto
aconteça desta maneira. Uma razão imediata é a cobertura mediática que é dada e
o facto de que o ela ser positiva ou negativa é indiferente, ela acaba por
proporcionar um saldo positivo a quem dela beneficia.
Outra razão mais longínqua
será a manutenção de uma maneira própria de ver o poder local., já não de proximidade
ou de afastamento mas de indiferença próxima. Por mais cordata que seja a
população sempre houve ocasiões em que enfrentamos e afrontamos o poder. Mas
para nos levantarmos contra o poder local é preciso um motivo muito forte.
Mesmo quando o poder local era exercido sob mandato do poder central não era
aquele que sofria os efeitos da nossa oposição.
Quando o poder local
passou a ser eleito houve de tudo um pouco nas escolhas que os partidos fizeram
e que o eleitorado sufragou. Fora alguns equívocos resolvidos nas eleições
seguintes, as mudanças verificaram-se depois disso mais por desistência do que
por derrota. E esta só ocorreu por evidente falta de jeito demonstrado num
mandato infeliz. O crivo para ver a competência autárquica é mais grosso, não é
comparável ao usado para a escolha do governo. Há mesmo muita leviandade no
eleitorado autárquico.
A entrada em cena de
algumas figuras mediáticas viria alterar um pouco a forma de eleição nos
grandes centros urbanos onde também o voto político mais se faz sentir. Nos
outros locais é o mediatismo que tem reforçado o poder dos que já estão no
terreno. Entre pequenas realizações e grandes obras tudo é aproveitado para ter
algum tempo de exposição pública que extravase o território. A fama sentida
pelos de fora vale mais do que a sentida pelos da casa. Um autarca “querido” do
País nunca é traído pela sua população.
Se o eleitorado vê com
alguma leviandade a escolha dos autarcas já os interessados não brincam. A luta
mais eficaz é subterrânea. Interessa obter apoio seja qual for o método,
aliciamento, coacção, sedução. O cerco vai-se apertando sobre Juntas, associações
e particulares. Qualquer pretexto é utilizado, agravando-se o método à medida
da relutância, com coação moral e económica, com discriminações positivas e
negativas, usando os poderes autárquicos de modo arbitrário e pessoal.
Aqueles que se deixam
coagir a qualquer título porque disso tiram benefício pessoal ou relacional,
económico ou outro, arrastam atrás de si muitos que apostam em manter a mesma
cobertura e não vêm razão para mudar. Oferece-se protecção utilizando
hierarquias sociais já estabelecidas, lideranças formais e informais e
aceita-se protecção que não altere substancialmente o relacionamento normal com
o meio social. Os eleitores não se querem chatear muito.
As hierarquias estabelecidas
não aceitam com naturalidade lideranças informais. No entanto não tardam a
tentar integrá-las sob o seu abrigo protector. A rejeição absoluta quase não
existe, existe sim uma tentativa permanente de corrosão e corrupção moral que
desvaloriza a ideologia e arrebanha os incautos. No poder local a ideologia
funciona pouco e à medida que os mandatos se prolongam cada vez menos influência
têm. Porque temos uma relação diferente com ele não vemos no autarca o político
nacional do mesmo partido que odiamos, mas no geral ele é mesmo igual, às vezes
pior, depende da sua heterodoxia.
Nas escolhas autárquicas
os sentimentos ditos pessoais, sem serem provenientes de qualquer aprofundamento
de relações realmente pessoais, contam imenso. Quem está no poder, desde que
aberto a esse tipo de relações de falsa proximidade, tem uma evidente vantagem.
A maioria das pessoas, se diz preferir uma pessoa dura, não dialogante,
daquelas de pôr tudo na “ordem”, só aceita essa dureza para os outros, de resto
vota preferencialmente em quem for mais permissivo, quem prometa defendê-lo
directamente ou por entreposta pessoa.
Colaborador
Novamente encontrar-te
Deixava passar a noite
Para de dia ir falar-te.
Seguir teus passos
querida
Ver os teus olhos alegres
Voltados sempre para a
vida.
Ver as flores a nascer
Ver as rosas floridas
E eu a vê-las crescer.
Ser um pouco diferente
Amar e tambem ser amado
Por ti e por toda a
gente.
Ter o amor que perdi
Deixar para sempre o
passado
Viver o que não vivi.
Promover
o desenvolvimento
deputado
do Partido Socialista
Nos últimos anos, tem
sido comum e recorrente ler e ouvir justos comentários críticos de
ambientalistas, jornalistas e cidadãos anónimos sobre o estado de evidente
degradação e abandono em que se encontrava o pinhal do camarido.
Na realidade o cenário
com que nos deparávamos ao percorrer o interior do pinhal provocava grande
preocupação pelo elevado número de árvores mortas ou em avançado estado de
caducidade que se viam um pouco por todo o lado e ainda pelo facto de não serem
perceptíveis sinais de intervenção técnica dos Serviços responsáveis para
atacarem o problema e inverterem o desleixo que se verificava.
O conhecimento desta
situação e a noção que temos da importância ambiental, social e económica que
este espaço tem para o concelho de Caminha em particular, mas também para toda
a região do Alto Minho, levaram-nos a usar vários instrumentos de intervenção
parlamentar para fazer sentir à Secretaria de Estado das Florestas a dimensão
deste problema e à Autoridade Florestal Nacional – AFN- a urgência de uma
intervenção no camarido.
“Quem persegue, sempre
alcança” diz o ditado e é verdade, porque durante os meses de Junho e Julho
tivemos a satisfação de ver evoluir e até acompanhar no terreno com os técnicos
da AFN o desenvolvimento do trabalho de abate e remoção de mais de dois
milhares de árvores mortas, limpeza de caminhos e corte de espécies infestantes
em áreas com significativa extensão.
Felizmente a mata está
hoje mais cuidada e apetecível de fruir, pelo que me parece oportuno recomendar
a todos os apreciadores deste local, mas particularmente aos que criticavam e
bem o seu abandono, que a visitem agora e comentem o seu actual estado, mas
também e porque entendo de justiça, que se sublinhe a importância desta nova
atitude da Autoridade Florestal Nacional para com a manutenção do camarido, o
que nos faz criar animadoras expectativas sobre o futuro desta mata.
A recente aprovação de um
Plano de Gestão Florestal especificamente desenvolvido para aquele espaço
constitui outro sinal de empenhamento da administração florestal para definir e
hierarquizar as prioridades de intervenção técnica para o início de um processo
de urgente repovoamento arbóreo, sem o qual será inevitavelmente posto em
causa, a curto prazo, a sustentabilidade da mata e das suas importantes funções
ambientais e lúdicas.
É pois necessário
continuar a pugnar pelo início dos inadiáveis trabalhos do repovoamento
florestal, mantendo pontuais intervenções de limpeza e conservação do pinhal,
acções na quais devem ser mais responsabilizadas as autarquias locais, podendo
ser envolvidos os cidadãos, num pedagógico espírito de voluntariado.
Garantida a realização
destas acções, depois de concretizado o investimento na requalificação do
parque desportivo que já conta com o apoio de cerca de setecentos mil euros da
Administração Central, é também tempo de os responsáveis autárquicos locais
desenvolverem um projecto ambicioso para a orla ribeirinha do pinhal que,
integrando a agradável infra-estrutura pedonal já existente, crie espaço
adequado para acolhimento da náutica de recreio e, porque não, compatibilize
esse equipamento com condignas condições para a acostagem e apoio à frota de
pesca artesanal do rio Minho.
A estes projectos deve
estar associada a contínua melhoria das instalações do parque de campismo, uma
cuidada qualificação da praia da foz e a recuperação e aproveitamento da casa
do antigo couteiro nela instalando, nomeadamente um abrigo de acolhimento de
visitantes, um centro de interpretação ambiental e serviços de manutenção e
vigilância do pinhal.
Dessa forma, a Mata Nacional do Camarido será,
ela própria, selectiva dos seus utilizadores e cada vez mais respeitada e
apreciada, mantendo-se essencialmente como um espaço de excelência para a promoção
do bem-estar e qualidade de vida dos cidadãos, mas simultaneamente pode e deve
ser rentabilizada como uma distinta oferta turística, plena de atractivos nas
quatro estações do ano, o que constitui um forte potencial gerador de
desenvolvimento económico para a região.
Começou
o futebol
Colaborador
E já que falei em
jogadores desempregados, eles fazem parte dos 500.000 portugueses que, segundo
as estatísticas do Instituto Nacional de
Estatística (I.N.E.), já constituem cerca de 9,1% da população activa. Sobre
estes dados, as centrais sindicais afirmam
que é preciso criar mais empregos (que novidade…) enquanto as associações
patronais dizem que a culpa é do enfraquecimento, melhor, da queda da nossa
economia. Ora, para criar mais empregos,
é preciso, como é lógico, criar mais empresas. E para criar mais empresas, é
preciso cativar os empresários, os homens que “têm o dinheiro”, os chamados
capitalistas, quer nacionais, quer estrangeiros. Mas para cativar o
investimento, é preciso que o país tenha uma estabilidade social, que permita
ao investidor desenvolver o seu negócio, ganhar dinheiro, manter ou até
aumentar os postos de trabalho. Caso contrário, o desemprego, infelizmente,
continuará a aumentar e qualquer dia, nem
dinheiro há, para ir ao futebol.
Já com futebol, o país vai a eleições. Só
espero que, em Setembro os portugueses saibam escolher um governo que, duma vez
por todas, melhore as condições de vida
dos portugueses. Se não for assim, qualquer dia, só se falará de futebol
, nas primeiras páginas dos jornais, nas rádios e nas televisões e isso é mau sintoma.
CS4302
Serra de Arga, entre o Minho e o Lima
Lima Barreto
Colaborador
A Serra d’Arga
liga os rios Minho e Lima, com o Rio Coura pelo meio a distribuir trutas aos
amantes da pesca.
Preserva a águia real, a
lebre e tem na pastorícia uma riqueza de décadas.
A romaria de S. João de
Arga chama à montanha muitos romeiros, ainda puxados a pé descalço por alguns
dos seus rudes romeiros. Abriga cabanas e rochas, ossadas humanas em alguns
“dolmens” e sobretudo a devoção de um povo granítico, onde a água de Agosto é
de açafrão, mel e mosto.
Em Agosto, também se
malha com o suor o rosto daquele povo, lidando o linho como no antigamente.
Portanto, o acesso a São João de
Arga ainda hoje é difícil, com gentes vindas de Caminha, Viana, Ponte de Lima,
Paredes de Coura, Cerveira, Valença e Arcos. Tudo a caminhar por carreiros de
cabra, na serra da Senhora do Minho, caminhos de serra, ao serviço de romeiros
de tambor e ferrinhos, pandeiretas e castanholas. Mulheres descalças, merendas à
cabeça, chouriço e cabrito a “granel”, toalhas brancas bordadas e franjadas
fazem do São João de Arga provavelmente a Romaria mais antiga de todo o nosso
Minho.
Nos tempos antigos, as
mulheres a pé descalço, receosas dos caminhos e dos possíveis estragos, levavam
os fatos “à lavradeira”, guardados em sacos, só os vestindo quando chegavam à
romaria. O mesmo acontecia às chinelas que só calçavam em plena festa. O ouro
brilhava sobre os peitos das lavradeiras, em cordões pesados e nas arrecadas
das orelhas.
Talvez juntamente com a
Peneda, S. João d’Arga é ainda hoje a romaria com os trajes mais ricos do nosso
país, tradição que depois foi copiada
pelas festas da Senhora da Agonia, essa
hoje a Rainha das Romarias, em tempo moderno. Mas no tempo antigo, o São João
de Arga era sem dúvida a genuína romaria de todo o Minho, com as famosas tendas
de petiscos, as voltas rituais à capelinha do santo e os antigos quartéis lá
construidos para abrigar os peregrinos, ainda hoje relíquias de um passado
carismaticamente minhoto. A broa, o café de saco, a aguardente, o mel da serra
(especialidade tradicional de Arga) são atractivos que juntos ao “carrascão”
vinho de Perre e de Venade, ainda hoje têm clientela fiel.
Quanto ao local
é ventoso, frio e desabrigado no inverno, mas no verão é um lençol de brisa,
bafejado pelo respirar dos lobos e onde as águias-reais fazem o seu ninho para
perpetuarem um passado de tranquilidade, que liga o nosso Minho ao nosso bucólico
Lima.
O mosteiro de São
João d’Arga, restaurado na Idade Média pelos frades beneditinos, tem a primeira
referência no tempo no ano de 1252; em 1346 continuava a ser habitado por
monges, tendo ficado vago no ano 1515, quando foi doado à Ordem de Cristo. Com
os anos, o tempo deixou-o no esquecimento, os monges partiram para locais rentáveis
e a tradição desta romaria reforça-se em 1840. Vestígios desses frades são a
famosa “Fonte dos Monges” a sul da capela, com boa àgua da serra, que é coisa
rara.
Os romeiros
ofereciam sal ao santo (símbolo do baptismo) e também para a cura dos feridos
dos ditos romeiros no seu regresso às suas terras.
De acordo com a
antiga praxe, o sal costumava ser levado à cabeça e colocado dentro de uma arca
existente na casa das ceras, edificada juntamente com a sacristia, no século
XVIII.
Na Serra de
Arga, ainda hoje são conhecidas duas lendas: o do Santo Aginha. Na Serra de
Arga é célebre o ladrão que se tornou santo, de seu nome Aginha. A lenda do
Santo Aginha ou do Santo Oginha, que deu origem a uma capela de granito na
Igreja Paroquial de São João, datada de 1720, situada entre os lugares de Santo
Aginha e Felgueiras.
A Serra de
Arga, com o seu violento trovão, ainda é hoje testemunho histórico de um Minho
celta e suevo, onde o demónio se corre com esse vento diabólico que a serra pára
no inverno, sobretudo.
Colaborador
Outro exemplo
da falta de rigor entre a palavra e a acção é descrito nesta segunda parábola
que refere que um padre, invectivando os fiéis que, em contravenção ao primeiro
mandamento da Igreja, teimavam em colher a azeitona ao domingo, ameaçava com as
labaredas do inferno aqueles que não se abstinham de trabalhos servis. “Tomai
nota – dizia o pregador – que Deus deu ao homem seis dias para trabalhar
guardando para Si apenas um que o homem deve respeitar para Sua glória. Guardai-o
como sagrado”.
Aconteceu,
porem, que o padre herdou de um parente um lagar de azeite.
Do púlpito
passou a admoestar os que, por manifesta falta de tempo, deixavam apodrecer a
azeitona:
– Deus criou o
homem e criou para o seu serviço todas as boas coisas da Natureza. É grande
pecado, apenas expiado eternamente nas profundas do inferno, esbanjar os frutos
que Deus lhe deu. Tendes vós de colher a azeitona, da qual deriva a luz que
arde perenemente na lamparina do sacrário. E se achais que seis dias não são
suficientes, aproveitai o domingo para ripar o fruto da árvore da paz que não
pode ser desperdiçado. Se doze horas do dia não chegam, de noite também é dia.
Destes exemplos
de contradição proveio o provérbio de que fazemos titulo.
E quem terá
sido este Frei Tomás, celebrizado pela incoerência entre a pregação e a prática
que deambulou, peregrino, neste vale de lágrimas?
Chegou-nos à mão
um exemplar do ALMANAQUE DE SANTO ANTÓNIO (curiosa coincidência!), no seu vigésimo
sexto ano de publicação, de 1924, edição da empresa do “Boletim Mensal”, de
Braga. Passamos a transcrever, na íntegra, as suas páginas 255 e 256:
“FREI TOMÁS –
Fazei o que êle diz, o não o que êle faz”
Mal sabem os
leitores que o rifão tão sabido tem por autor, em parte, um autentico frei Tomás,
por sinal eminente pregador português, e em parte um fidalgo, provavelmente
abespinhado com os seus sermões.
Nasceu em Ponte
do Lima aí pelo ano de 1530, filho natural de Manuel de Magalhães, morgado de
Fonte Arcada. Entrou na Ordem dominicana, vestindo o hábito no convento de S.
Domingos de Lisboa, para onde foi ainda muito novo.
Frei Tomás de
Sousa, pois assim se chamava, mal ordenado consagrou-se ao púlpito,
revelando-se desde logo insigne orador. Alcançou tanta fama o seu talento, que
El-Rei D. Sebastião nomeou-o pregador régio, e a rainha D. Catarina escolheu-o
para seu confessor.
Quis o bom
frade aproveitar a sua influência na côrte para corrigir com liberdade apostólica
os vícios tão asados aos paços reais.
Um fidalgo,
cujo nome a história não regista, mas provavelmente ferido nalguma mazela pelo
pregador do Rei, prega-lhe à porta um papel com este lembrete:
O cardial D.
Henrique é que não gostava dele. Anulou a eleição que o elegera para Provincial
em 1578.
O seu patrício
Diogo Bernardes no seu Lima fala dele:
Tomás, que ao
grão Tomás vai imitando,
Na vida, na lição
e na doutrina.
Te poderá ouvir
que não se abrande!
Eu já des que
te ouvi, só isso quero.
Descubra o cubiçoso
novas minas.
Cada um a seu
gosto viva e ande
Não mostras tu
ser tudo só vaidade
Fora do amor do
céu, em que te afinas?
Bem verdades
guardas quanto pregas
Se olhas sempre
em Deus, sempre à vontade.
Terá sido pela
sua influente passagem por esta região que nela abundam os lobos com pele de
cordeiro a justificar a controvérsia da sua pregação, boa doutrina mas péssimo
exemplo.
Vou sentir
Jaime Franco
colaborador
Chegou o
Outono,
O Verão
terminou,
Terminou o meu
sonho.
Para terras
distantes,
Voltar a ficar,
Triste como
dantes.
A minha
Princesa,
Quem sabe a
chorar,
Também com
tristeza.
Dos beijos que
demos ,
E na
intimidade,
Tudo o que
fizemos.
Que tão bem guardavas,
Tocar com os dedos,
Onde mais gostavas .
De irmos ao cinema,
E depois mais tarde,
Reviver a cena.
De irmos á boate,
Para nos divertir,
E daquela parte,
Sempre ao despedir.
De tanta alegria,
Vou sentir vontade,
De voltar um dia.
Estiveres solteira,
Vamos atear,
De novo a fogueira.
De tanta loucura,
Ter a felicidade,
De nova aventura…
Colaborador
O Bloco de Esquerda com
uma votação superior nas europeias, mas com uma organização incipiente
quedou-se nas boxes. Pouco vocacionado para o poder local, mas atraindo a
juventude, caber-lhe-ia o papel de manter um bom extracto da população integrado
na luta política. A abertura da juventude, a dispensa das subserviências que
campeiam nos outros partidos, criaria uma outra perspectiva de olhar a vida pública.
Também o Partido
Socialista falhou na organização. Este partido tem-na não a tendo. Porque a
organização também serve para perpetuar erros, para prolongar inércias, para
tornar a apatia uma falsa base da estabilidade. É uma organização fechada, endogámica,
em que os membros alternam entre períodos de nojo e períodos de um activismo
que porém não ultrapassa a pesca à linha.
Ou há peixe na linha ou
novo período de nojo vem aí. Vivem angustiados por estarem num partido vitima
da chacota quando está no poder e de excessivas expectativas quando na oposição.
Não cultivam o emblema do partido, a solidariedade, e amaldiçoam a sua ingratidão,
como se tivesse de lhes dar tudo.
Irrelevante para a captação
de votos para o todo nacional, quem vota no partido fá-lo à revelia da
estrutura local. Porque não tem sido útil ao poder local tem sido vítima do
voto útil nas guerras locais passadas entre o CDS e o PSD e perspectiva vir a sê-lo
na luta que se avizinha.
As perspectivas de renovação
são nulas sejam a nível interno sejam pela captação de novos membros. Decerto
que os membros locais vão um dia atribuir a culpa à pouca importância que o José
Sócrates tem dado às estruturas partidárias mas é tão só revelador do vazio de
ideias, do conformismo, do imobilismo. O PS local é um deserto com umas
“estrelas cadentes” a luzir lá dentro, de que se não conhece uma ideia e que
tudo devem ao PS nacional.
O PSD local é o paradigma
da instabilidade permanente. Bem implantado na classe mercantil, no
funcionalismo, no meio agrícola tem sempre gente activa, dentro e fora do
partido, com a camisola bem agarrada ao corpo, pese embora o desconsolo dos
mais clubistas que só celebram vitórias longínquas. A maioria dos seus membros
bole muito mas é politicamente amorfa e sem valor.
Votam maioritariamente
no PSD nacional mas a nível local, quando têm perspectivas de se alcandorarem ao
poder todos se aliam contra eles. Traições também lhes não faltam. Até neste
momento, uma ocasião única para apelar às suas hostes no sentido de se unirem à
volta de uma candidatura inovadora, a traição continua a corroer o ânimo dos
seus adeptos.
Nunca repetiu uma
candidatura em duas eleições sucessivas e viu falhada a sua tentativa de pescar
na casa do vizinho CDS há vinte anos atrás no auge da arrogância cavaquista.
Tem uma história triste de sucessivos líderes perdedores e de eminências pardas
sempre presentes, mas ausentes para assumir as derrotas. Tem uma história
triste nas gestões partilhadas com o CDS em diferentes ocasiões, com a AD ou
sem a AD, formal ou informalmente.
No último mandato foi
colaboração no Executivo camarário, oposição na Assembleia Municipal,
manifestando o exemplo típico de uma liderança bicéfala. O actual líder será a
esperança de pôr termo a esta situação pela ausência aparente de compromissos
com os velhos lobbies herdeiros do carrascão e do chã das cinco. Chegar-lhe-ia
os votos sociais-democratas para ganhar, pelo que terá que saber vestir a
camisola e apelar à quebra da subserviência que muitos dos seus correligionários
ainda têm perante as forças retrógradas, ruralistas, paternalistas e
castradoras que o CDS representa.
Este CDS local já não tem
qualquer semelhança com o nacional nem com o que localmente lhe esteve na
origem. Resistiu à arrogância cavaquista, solidificou-se numa heterodoxia
original e de índole pessoal. O CDS aproveitou as divergências alheias,
congregou voto de esquerda com voto de direita tradicional e a partir de Daniel
Campelo aproveitou o mediatismo, mesmo que patético, de lutas perdidas e outras
de duvidoso ganho.
O actual candidato geriu
bem o seu perfil de escudeiro, numa corte em que os papéis estavam bem
definidos com peões de brega, bobos da corte e outros cargos menores. A sua
tentativa de passagem a chefe da orquestra manifesta-se muito difícil.
Aparentemente, maugrado as lutas intestinas, os indefectíveis parecem
permanecer firmes na defesa da fortaleza, as muralhas não aparentam um
desmoronar eminente.
A adesão a este projecto
que seria chamado a gerir o espólio do deslumbramento final de Daniel Campelo,
os ímpetos napoleónicos do resistente Gaspar Martins, é uma incógnita. No fundo
quem nele acreditar é porque acha que Daniel Campelo continuará como a eminência
parda a dar coesão a uma equipa disforme, desconexa e sem outro cimento que não
o oportunismo de querer navegar num barco vencedor. A pureza ideológica não
levaria o CDS a lugar nenhum e com Daniel Campelo uma certa heterodoxia
funcionou. Mas tal deve-se à sua liderança natural, a erros alheios e a um
outro conjunto de circunstâncias exteriores favoráveis.
Para manter a sigla, o CDS tradicional continuou a abdicar da sua
afirmação. Na prática o executivo de Daniel Campelo sempre se manifestou mais
favorável às políticas socialistas do que a quaisquer outras. Poder-se-ia ver aí
aquela democracia cristã que a nível europeu deu origem, numa estreita aliança
com os partidos socialistas, à Europa Comunitária. Mas haverá uma doutrina que
sobreviva a Campelo? Não virá ao de cima o que é mais próprio de cada elemento
desta controversa equipa? É caso para eles próprios estarem apreensivos.
Rede comercial terrestre
através
das nações arabizadas (11)
Colaborador
O Rio Nilo pôs de lado seus pôs de lado seus velhos faraós, para deixar subir e descer o
que de mais importante houvesse: pedras preciosa, especiarias, pelas, cavalos,
carneiros, camelos, tâmaras, artigos de metal, algodão, têxteis finos (sedas),
Lã, vidrarias, papiros (ou Papel), Ouro, construção naval, etc, As 6 cidades e
regiões que hoje estão em grande conflito diário faziam um corredor de produtos
de alto valor: Construção naval,
madeiras preciosas, carneiros, ferro, vidraria, azeitonas, Tãmaras,
Azeite e muito produtor da terra local. Entre Constantinopla, Antioquia e
Trebizonda, colhiam-se o Ópio, o Algodão e têxteis. Do Golfo de Áden para Leste
e Sul muitos corredores seguiam
directamente aos lugares onde se extraiam madeiras preciosas, pedre preciosas, âmbar,
escravos, marfim, etc. A linha que seguia mais para o Oriente: traziam minério
de ferro, Ouro, prata, Têxteis, tapetes, artigos de metal e alguma verdura e
fruta local.
Já na linha atlântica (que era muito procurada pelos negreiros) as
duas linhas de Ádem, traziam ferfumes ébano, madeiras preciosas, pedras
preciosas, especiarias, cânfora, seda, índigo, âmbar, marfim, etc. Afina, os
escravos e a seda andavam sempre presentes, com destinos diversos, numa proporção
desigual. O Golfo de Aden era uma das regiões mais importantes, não só pelas
facilidade de passagem, como da segurança que ali havia entre todos. Pelas
culturas que nos mostram, esta área deveria ter noutros tempos, Rede Comercial
mais perfeita do Mundo Ocidental, como ainda hoje sucede, mas de outros modos e
subtileza. Dos lados interiores de Tachkent, Búkarad e Nishapur, circulavam
produtos idênticos, tais como: sabão, tapetes. Artigos de couro, Têxteis, papel, perfumes, tapetes e artigos
de metal. Pela via de Búcara Urgenj, vinham algodão, têxteis, lã, âmbar, peles
e escravos. As rotas que passavam por Tebriz, continuavam a comerciar com
artigos de ouro, têteis, arroz, algodão, artigos de metal , madeiras preciosas,
tecidos tingidos, cera, carneiros, tapetes. E escravos de muitas origens. De tantos
e tão variados produtos transaccionados através desse enorme espaço, fica-nos o
espanto e a tristeza de saber que desde há milénios os humanos são vendáveis.
Colaborador
E é neste clima de
“insultos políticos” que os portugueses se preparam para, no próximo dia 27 de
Setembro, eleger um novo governo e um
novo parlamento. E, neste dia, das duas, uma: ou o P.S. D. ou o P.S. ganham as
eleições com maioria absoluta e o país segue a sua vida normal ou então, quem
ganhar terá que fazer coligações à direita ou à esquerda. Se o P.S.D. tiver uma
maioria relativa, possivelmente fará coligação com o C.D.S. Neste caso, embora
possa formar governo, não terá a maioria no Parlamento. Se o P.S. ganhar sem
maioria absoluta, sinceramente, não sei com quem irá coligar-se, pois o P.C.P.
já afirmou que não está disponível para fazer uma aliança com os socialistas.
Para mim, o ideal seria
uma maioria absoluta, quer de Direita ou de Esquerda. Se não for possível, e
com a crise ainda em cima de nós, embora a recuperar “uns pequeninos 0,3%”, vai
ser muito difícil a um governo minoritário,
governar o país por muito tempo.
Dentro de poucos dias,
nas televisões, todos os partidos vão
fazer debates, apresentando os seus programas, procurando cativar os
portugueses, no próximo acto eleitoral. O pior é que o desemprego continua a
aumentar (já vai em 9,1%), os grandes investimentos continuam parados, os professores continuam descontentes, as forças
armadas não estão satisfeitas , a justiça não anda, a criminalidade urbana cada
vez é maior. Tudo isto, creio eu, vai pesar e muito, no momento em que os portugueses vão depositar o seu voto, no
próximo dia 27 de Setembro. De qualquer maneira, naquele dia, vai surgir um novo governo e um novo
parlamento. Só falta uma nova política, com menos desempregados, melhor justiça
social, melhor qualidade de ensino e de cuidados básicos de saúde, uma justiça
mais rápida, um melhor clima nas forças armadas e de segurança. E os políticos,
todos sem excepção , são responsáveis pelo êxito ou inêxito dessa mesma política. Na minha opinião, creio
que já é tempo de deixarem os interesses partidários e pensarem mais nos
interesses dos portugueses.
colaborador
Que me faz tanto sofrer
Que me faz pensar naquilo
Que mais gostava de ter.
Esta dor que me atormenta
Esse gostar de alguém
Que faz de ti ciumenta.
Por gostar tanto de ti?
Que me faz pensar na vida
Daquilo que já vivi?
Depois de tanto amar
Tantas promessas são
feitas
Depois de tanto sonhar.
Que o vento por mim levou
Tanto querer por amar
Que o amor terminou.
Que vivo constantemente
Promessas que tu fizestes
E deixam dor para sempre.
CS4302
A nossa difícil relação com o poder
– o cepticismo
Manuel Pires Trigo
Colaborador
O
cepticismo alimenta-se com a incoerência e a mentira, por mais ténues que sejam
essas razões. O céptico por ausência de método aplica à realidade um carácter
redutor que dificulta a descoberta das suas razões. Quando assume carácter
doentio o cepticismo alimenta-se a si próprio numa obsessão permanente pelo
precipício que separa sempre a realidade das suas exigências. Este cepticismo
pode assumir um carácter retórico que disfarça muitas vezes uma oposição sistemática
que pode transladar-se para o ódio.
O cepticismo pode converter-se num
sentimento de revolta pouco solidário, que não resiste ao radicalismo verbal. O
radicalismo não ajuda àqueles que manifestam o seu cepticismo depois de todos
os esforços para serem razoáveis. O cepticismo até pode ser o resultante do
cansaço, e levar a que se lhe não atribua qualquer esforço pessoal para o
ultrapassar. Mas quem é escrupuloso, quer ter ideais, pode ser céptico mas não
se pode deixar contaminar por doenças de carácter crónico.
O céptico radical tem uma aversão
preconceituosa e sem fundamento e encontra sempre incoerências internas e
mentiras no discurso alheio. O optimismo incomoda-o. Para ele quem lança
nefastas ondas de optimismo nunca têm qualquer razão. Tenta promover e
generalizar a ausência de confiança nas pessoas e no futuro. Se as pessoas são
o que são, sem empenho em que o futuro seja diferente, com cépticos destes
estamos tramados.
Muitas pessoas fazem do cepticismo uma
estratégia de combate que visa aproximar a realidade do discurso. A ideia de
que não devemos manifestar a nossa confiança em ninguém está por de mais
generalizada. Tal deriva do facto de escassearem outros meios de intervenção. Os
partidos são estruturas fechadas, a imprensa só reflecte a realidade pelo lado
do espectáculo, os sindicatos são correias de transmissão, nos clubes faz-se
tudo menos reflexão, na blogosfera vomita-se asco na sua asserção mais
virulenta.
As pessoas agravam o seu cepticismo à
medida que mais se isolam. Esse isolamento não se desvanece com os comentários
anónimos na blogosfera. Esta forma de desabafo, que está longe de ser exclusiva
dos cépticos, corresponde a uma diminuição da tensão, é uma descarga emocional,
mas ela própria viciadora. Se o céptico tem no geral um comportamento mais
passivo, quem adere a esta forma de intervenção pode passar a nutrir um
sentimento mais activo de desforço de eventuais, hipotéticas derrotas. O céptico
não pode ser o eterno derrotado.
Sem suficientes pessoas em quem
confiemos, sem suficientes pessoas que possam expressar as nossas ideias, sem
poder de intervenção a nível da sociedade e muitos menos a níveis razoáveis de
poder, o cepticismo está demasiado perto. Caímos com uma facilidade imensa na
procura dos defeitos alheios, não estando decerto alheios aos nossos, mas
esquecendo-os, que também é isso que se pretende. Outra tentação dos mais cépticos
é fixarem uma verdade de que não têm dúvidas.
A fixação numa verdade quando o mundo é
tão deslizante é necessária para efeitos práticos, para servir de referências a
propostas que se fazem, para ciclicamente aferirmos a sua pertinência e a
necessidade de actualização. No jogo de forças que se estabelece com os outros
o que tem uma fixação mais forte, se não tiver escrúpulos, vence por regra. A
realidade, encarregando-se de desfazer as dúvidas, quantas vezes chega tarde de
mais. Há erros que se acumulam sobre erros e pessoas certas que perdem
sistematicamente.
Os cépticos com uma fixação forte, com
tantas certezas são falsos cépticos, são cínicos. Numa conversa mole que se
estabelece no meio social estas situações são comuns e desgastantes para quem
quer dar alguma seriedade a qualquer discussão. O escrúpulo não cabe em certos
meios.
Há muitas pessoas que nos desiludam,
mas essas estão para além do cepticismo. Este, como fenómeno social deriva de
uma incapacidade global, de uma descrença nas forças sociais existentes no
momento. Não é uma incoerência individual, uma mentira em que alguém incorre,
que altera a direcção, o vigor de um movimento colectivo. O cepticismo tem esse
vigor, mas o militante extravasa em muito a sua importância e confunde o
pessoal com o colectivo.
O céptico escrupuloso não é e sabe que
não é o portador da verdade, mas tem que fazer algum esforço para não ser
agarrado a esse anátema. Quantas vezes uma exagerada contundência numa conversa
mole é utilizada para esse fim. De qualquer forma a linguagem desabrida tem
sempre outras origens e outras razões e isso perturba e impede mesmo a nossa
compreensão do cepticismo.
Um dos casos em que o céptico tem razões para o ser é quanto às previsões. O
céptico facilmente encontra aí indícios de optimismo exagerado, mas também de
um pessimismo avassalador. E neste caso o céptico até o pode ser pelo lado
positivo, pese embora, perante duas previsões, opte normalmente pela mais
pessimista. Sem certezas, que essas ficam para os cínicos.
Maria Alice Martins
colaboradora
O mundo é um jardim
Onde crianças brincam
A vida é mesmo assim
Brincam crianças
Como é costume
Uma me acerca
E me pede lume
Em vez de lume dei-lhe um peão
Numa voz sumida
Pedeu-me um tostão
Doce olhar tristonho
Menino sem pai
Só regressa a casa
Quando a noite cai
A casa vazia
A mãe não chegou
E o menino triste
Mais triste ficou
O jardim é de todos
Os que querem brincar
Mas não há para todos
Amor e jantar.
As sondagens
Colaborador
Facilmente se percebe que terá de
envolver um risco muito maior, por exemplo, o dimensionamento de uma barragem,
domínio em que é essencial estimar o caudal de ponta de cheia com determinada
probabilidade de não ser excedido. Para não referir já a escolha da secção do
rio onde virá a situar-se o empreendimento, essencialmente determinada pela
estrutura geológica correspondente.
Simplesmente, tudo isto pode conduzir a
resultados bastante longe da realidade, logo a começar pelo levantamento geológico
do terreno, que pode muitíssimo bem vir a ser ultrapassado, no domínio do
custo, pelas perspetivas que possam ter-se estimado a partir do levantamento
geológico.
E o mesmo se dá - e com que frequência...-
com a estimativa do caudal de ponta de cheia, domínio que acarreta, com grande
frequência, que o nível de pleno armazenamento não possa ser utilizado, até
quando o mesmo é possível.
Vem tudo isto a propósito dos riscos
que se prendem com a tomada de decisões em situação de incerteza, onde as
estimativas conseguidas, como o próprio nome indica, são isso mesmo, ou seja,
estimativas, naturalmente variáveis com a amostra estudada, e por isso apenas
(e
O que os recentes protestos contra as
sondagens mostram é que a atual oposição percebeu muitíssimo bem que o
resultado da recente eleição para o Parlamento Europeu se ficou a dever à
natureza da eleição, sendo simples compreender que a abstenção observada não
deverá ter atingido bloquistas e comunistas por estarem os mesmos galvanizados
pela subida de há muito esperada.
A atual oposição deverá, claro está,
ter percebido isto mesmo, compreendendo, por igual, a realidade que logo na
sondagem para as eleições legislativas apresentada nessa noite se
consubstanciou: a manutenção da tendência vista desde há muito, mas
interrompida por um ato eleitoral extremamente desinteressante para a
esmagadora maioria dos eleitores.
É essencial que se perceba esta
realidade muito simples: as sondagens fornecem resultados aleatórios, variando
de empresa para empresa, e, dentro de cada uma, com a amostra recolhida. As
sondagens são estimativas, neste caso de intervalos de confiança, obtidos com
certa margem de erro e determinado nível de significância. O resto, como
facilmente se percebe, é mais um pouco de baixa política. A tal baixa política
que conduziu o País ao estado que pode ver-se: depois do Estado Novo, lá veio o
Estado velho e, já hoje, o estado a que se chegou.
Por fim, uma pergunta: que razão se
pode imaginar para que o centro de sondagens da Universidade Católica também
tenha falhado? Terá procurado favorecer o Governo e desfavorecer os designados
democrata-cristãos? O leitor já percebeu a falta de lógica da nossa oposição? E
compreende a lógica desta falta de lógica? É fácil, não é...?
Colaborador
O Estatuto de Deputado (só é deputado
quem quer…), prevê que após quatro faltas justificadas, se proceda à perda de
mandato dos deputados. A verdade é que esta norma, não sei porquê, nunca foi
aplicada, desde o 25 de Abril de 1974. Por isso, eu tenho legitimidade jornalística
para dizer que, há um regime de impunidade histórica, no Parlamento Português. Mais.
Ainda não vi ninguém com responsabilidades neste País, quer seja o Sr.
Presidente da A. da R., quer outros Órgãos de Soberania, que foram tão solícitos
a criticarem o Ex. Ministro da Economia, pelo seu acto impensado, de pôr “uns
cornos” a um deputado, vir a terreiro, fazer uma crítica á maneira como os
nossos deputados se comportam na Assembleia da República, no que diz respeito à
assiduidade. O pouco que se sabe, é
através da Imprensa que, no seu papel de informar, leva aos seus leitores, um assunto tão
importante como as faltas dos deputados.
Há quem diga que os deputados
deveriam ganhar mais, para poder dedicar
mais tempo ao seu “emprego parlamentar!... Outros dizem até, que os deputados
deveriam ser profissionais, isto é, não terem necessidade de fazer da
Assembleia da República, uma espécie de “part-time”. No entanto, a evolução
para um regime de exclusividade obrigatória, imporia a revisão do estatuto
remuneratório dos deputados!... É a qualidade da Democracia que está
Mas,
perguntará o leitor, quais as razões deste absentismo?. Desde logo, o facto de
os eleitos para a Assembleia da República, poderem, segundo o seu
Estatuto, optar por não desempenharem as
suas funções a tempo inteiro. A acumulação
da actividade parlamentar, com carreiras profissionais paralelas conduz, muitas
vezes, à sobreposição da actividade, que, se reflecte , como é óbvio, na
assiduidade dos deputados.
Resumindo e concluindo.
Tem a palavra a Assembleia da República que, para
evitar estas críticas, terá que melhorar, na minha opinião, o Estatuto dos
Deputados, de modo que possam exercer os seus mandatos, duma maneira mais
eficaz. Não me considero um cidadão de segunda, enquanto um deputado é cidadão
de primeira. Ninguém está acima da Lei…E a Casa da Democracia, tem que dar o
exemplo. Penso eu de que …
Jaime Franco
colaborador
No local do costume,
Fiquei com mais apetite
Ao cheirar o teu perfume.
E começar a comer,
E ao chegar a sobremasa
Comemos com mais prazer.
Pois comida,não faltava,
Só parei de te servir
Quando estavas saciada.
Que comida tão gostosa!
Comemos sempre ao despique,
Quem mais come é quem mais goza.”
Como tantas outras vezes,
Mas connosco já levamos,
Um pimpolho com três meses.
Porque o pimpolho acordou,
E para nossa tristeza
O piquenique acabou.
Antes do puto acordar,
A comida estava em brasa,
Foi comer até fartar.
Mas foi ainda melhor,
Quando se tem apetite ,
O comer tem mais sabor”
Não leveis ninguém convosco
Isso tira o apetite,
E a comida não tem gosto.
Colaborador
Estão de parabéns os golfistas
limianos. Apesar deste desporto não ser do nosso aceitável conhecimento pois
como é vulgar dizer-se que é um desporto dos “elites”, o certo é que o desporto
com ou sem elites, não é inferior aos demais desportos, por este facto social. O
desporto é sempre uma actividade que desenvolve as nossas características, físicas,
intelectuais, morais, as humanas também e por isso está dentro do lema “mens
sana in corpore sano”. Mente sã em corpo são.
Quanto a ser um desporto de elites,
isso talvez se deva ao preço caro dos materiais e também a uma espécie de
“estatuto” que o rodeia, que atrai gente com muito dinheiro, em todo o mundo. Conclusão:
é um desporto de ricos e isso não o menos preza nem o inferioriza perante todas
as outras actividades desportivas. Será que os limianos sabem que têm um Campo
de Golf?
A vila limiana tem corridas de cavalos,
tem golf de alta competição, qualquer dia irá ter uma pista de “karting” e o
mais que vier. Tem também uma Universidade, um Instituto de cultura, tem
piscinas e escolas com jovens que estão a brilhar e muito, sobretudo, no remo e
na canoagem. E a vila é pequena, é a mais antiga do país; as pessoas são
simples, mas têm sido criadas sinergias variadas que vão de encontro a alguns
talentos que fazem sucesso quer localmente, quer sobretudo internacionalmente. “
os pequenos não se medem aos palmos mas como dizia a saudosa Amália Rodrigues,
medem-se ás palavras que recebem dos seus aficionados e não só.
As elites são uma família com o seu
estatuto social proeminente porque geralmente, são constituídas pelos
banqueiros, gestores de empresas e outros homens de negócios. E quem é que dá
trabalho a todos nós?
Não são os pobres mas tão só os que têm
o capital, que quando aplicado bem e com alguma ética e carisma também social,
pagam as nossas renumerações e permitem a tantos um nível de vida equilibrado. Claro
que o golfe não está fechado nem à classe media, nem por exemplo a um “puto
pastor” que apareceu para os lados do Alentejo e hoje, quase , nem adulta é, um
astro na dita modalidade.
Nem tudo o que os elites praticam é “ilícito”
antes pelo contrário, porque muita gente fala contra eles por pura inveja. As
elites são a “fina flor” desta nossa sociedade assim dividida e encaixada num
“puzle” social e económico, complexo e
sobretudo invejado por gente que tem menos dinheiro. Também não é uma árvore
que faz floresta, nem são os elites que constituem o grosso do nosso tecido
social; antes pelo contrário. Como os cavalos de raça, também eles são raros,
mas apetecíveis. Falar contra eles não adianta, nem atrasa, porque se as
minhocas vivem da terra, as elites vivem do “capital” e do seu estatuto social.
Chamam-lhe de escola, o que há de melhor na sociedade em sectores bem definidos
por eles que são rentáveis, põem o nosso turismo em alta e atraem estrangeiros
(cantores, actores célebres, etc) para o nosso país que é já um jardim de príncipes
reais.
Colaborador
Com origem na China, há vestígios
arqueológicos do 2º milénio a. C. que
atestam a utilização da seda , que começou a ser exportada, ainda em épocas muito
antigas, para a Índia e para o Próximo Oriente , e potros países, com quem os
Mongóis tinham boas relação comerciais, através de vias terrestres bem
definidas que seriam imortalizadas na
famosa designação de “Rotas da Seda”. Meio século antes de Cristo, o Império Romano já
mantinha, através dessas rotas, comércio com centros produtores de seda. O
segredo da sua produção mantinha-se, no entanto, bem guardado. Aliás as guerras
ferocísssimas que os Romanos travaram entre os Cartagineses e povos vizinhos,
inclusive os muçulmanos, nunca foi por causa da Religião, mas sim pela cobiça
dos produtos vindos do Oriente. o Império Romano do Ocidente estava
perfeitamente sintonizado com o incremento do Comércio entre o Ocidente. Bizâncio era, ao tempo, um dos maiores empórios de
produtos que circulavam entre todos os do Hemisfério Norte, especialmente a Império que, segundo a lenda, dois frades
trazem em 552 para Bizâncio, escondidos nos seus bordões de bambu, as sementes
ou ovos do “bombix mori” (o bicho-da-seda) e com eles a base do segredo da
produção.
Com efeito, sendo a seda produzida
fundamentalmente com base na “fibrína da seda”, uma proteína fibrosa obtida do
casulo produzido pela lagarta do bicho-da-seda (conhecida também por sirgo ou
bicho-do-sirgo) compreende-se a importância de que se reveste este bicho, bem
assim como as amoreiras, já que é das suas folhas que se alimenta enquanto
prepara o tão apetecido casulo.Com base na experiência portuguesa, que
encontrou na região de Trai-os –Montes e Beira Alta o seu principal centro de
produção, vejamos como tudo se processava. A amoreira, depois de plantada,
necessitava de, pelo menos, cinco anos para cumprir plenamente a sua alimentação
enquanto alimento do sirgo. Este cumpria um ciclo anual iniciado na Primavera,
que assegurava uma ocupação contínua das mulheres na criação do bicho, extracção
do fio e tecelagem da seda. loc cit. Todos os anos os ciclo se repetia. Entre
Maio e Junho o bicho-da-seda nascia dos ovos que muitos meses antes haviam sido
libertados pelas borboletas. Colocados em tabuleiros sobre as folhas de amoreira
que as moças já haviam recolhido previamente, e que não se cansarão de recolher
durante as semanas seguintes, tal é o apetite da pequena lagarta que, depois de
mudar várias vezes de aspecto, inicia a construção do casulo, também conhecido
na região por “folhelho”, que o ocupará nos 10/15 dias seguintes.
Para o auxiliar nesta operação, as
raparigas colocavam nos tabuleiros a “arçã” (Lavândula pedunculata), pequenos
ramos de uma espécie de carqueja que facilitava a fixação do casulo. loc. cit. Contudo,
desde os tempos mais remotos, a seda continuou e ser um dos produtos naturais
mais cobiçados desde o Oriente (China e a Mongólia), como as oscilações de
poder no Oriente desses tempos. “Já depois da queda do Império que, segundo a
lenda, dois frades trazem em 552 para Bizâncio, escondidos nos seus bordões de
bambu, as sementes ou ovos do “bombix mori” (o bicho-da-seda) e com eles a base
do segredo da produção. Com efeito, sendo a seda produzida fundamentalmente com
base na “fibrína da seda”, uma proteína fibrosa obtida do casulo produzido pela
lagarta do bicho-da-seda (conhecida também por sirgo ou bicho-do-sirgo) compreende-se a importância de que se reveste
este bicho, bem assim como as amoreiras, já que é das suas folhas que se
alimenta enquanto prepara o tão apetecido casulo.Com base na experiência
portuguesa, que encontrou na região de Trai-os –Montes e Beira Alta o seu
principal centro de produção, vejamos como tudo se processava. A amoreira,
depois de plantada, necessitava de, pelo menos, cinco anos para cumprir
plenamente a sua alimentação enquanto alimento do sirgo. Este cumpria um ciclo
anual iniciado na Primavera, que assegurava uma ocupação contínua das mulheres
na criação do bicho, extracção do fio e tecelagem da seda, loc cit.
Todos os anos o ciclo se repetia. Entre
Maio e Junho o bicho-da-seda nascia dos ovos que muitos meses antes haviam sido
libertados pelas borboletas. Colocados em tabuleiros sobre as folhas de amoreira
que as moças já haviam recolhido previamente, e que não se cansarão de recolher
durante as semanas seguintes, tal é o apetite da pequena lagarta que, depois de
mudar várias vezes de aspecto, inicia a construção do casulo, também conhecido
na região por “folhelho”, que o ocupará nos 10/15 dias seguintes. Para o
auxiliar nesta operação, as raparigas colocavam nos tabuleiros a “arçã” (Lavândula
pedunculata), pequenos ramos de uma espécie de carqueja que facilitava a fixação
do casulo., loc. Cit. O mais importante, segundo a nossa perspectiva, é
reconhecer de facto e de jure que o mundo esteve sempre ligado por interesses
comuns e mutuamente vantajosos para as partes
Vinte anos
colaborador
Quanto valem hoje os teus vinte anos,
Que poder terão, para ti na vida
Para que não tenhas nunca desenganos.
Serão esse sonho, que tu queres viver?
Vais falar ao mundo, do contentamento
Que tu hoje tens, e não queres perder?
Que fique em teu peito, gravado este dia
Para recordares pela vida fora
Que vale a pena, toda a fantasia.
A noite que chega com o seu luar,
A lua que brilha, ao romper do dia,
São a primavera quando vão chegar.
São as águas límpidas que saem das fontes,
São os pasarinhos que fazem os ninhos,
São o roxinol, cantando nos montes.
São a madrugada surgindo para a gente,
São aquela mãe, que amamenta o filho,
São o pôr do sol, que é sempre diferente.
Do querer da vida, para seguir em frente.
Parabéns amiga, nos teus vinte anos,
Já podes sorrir e até a sonhar,
Que sejas feliz pela vida fora
É tudo que eu posso, para ti desejar.
CS4298
“In vino veritas”
Lima Barreto
Colaborador
Mas porquê
associar a verdade ao vinho? E logo nós que na bacia limiana temos vinhos
fabulosos, sobretudo os loureiros. O vinho no bago tem o olho da verdade,
porque, de facto, no bago existe só um olho, enquanto no homem temos dois
olhos: um para a verdade e outro para a mentira. O olho do vinho é como o nosso
coração que tem ao mesmo tempo corpo e alma.
Não falamos até
nos “vinhos espirituosos”? Nos verdes e nos maduros; nos quentes, nos vinhos da
videira e nos vinhos da torneira (os chamados vinhos de martelo). Em Ponte de Lima há
vinhos verdes broncos de excelência, enquanto os tintos são melhores na Ponte
da Barca. E isto porquê? Por influências climáticas (micro-climas), recursos hídricos
(hidrografia), diversidade geológica, biodiversidade (florestas, matagais,
rochedos, flora e fauna), enfim, tudo junto, solo, paisagem e gestão da
biodiversidade, fazem com que as castas desses vinhos verdes limianos dêm um
perfume à viticultura do Lima, muito especial, porque a sua prática ancestral
remonta muito antes da sua ocupação romana. São, por exemplo, famosos os vinhos
de Refoios do Lima, desde 1710, dados encontrados no Tombo Velho do Cartório do
Convento de Refoios, hoje pertença do Politécnico de Viana.
Portanto, o vinho, desde
a Antiguidade e com muita mitologia anexa, foi sempre o símbolo da força e
associado ao sangue, o símbolo da bebida da imortalidade. Em Roma, o Deus Baco
era o símbolo supremo do vinho. Ainda hoje, quando visitamos Las Vegas, em
Nevada, próximo da Califórnia, existe um dos mais castiços casinos, todo em mármores
italianos, com uma gigantesca estátua erigida a Baco, que jorra vinho, dia e
noite, para gaúdios dos visitantes.
A sub-Região do Lima é
considerada hoje uma das mais prestigiadas para a região demarcada dos vinhos
verdes.
Elevado nível
qualitativa, por conjugação de factores naturais e humanos, com características
“suis generis”, de vinhos leves, furtados, aromáticos, e nos tintos,
encorpados. Portanto, o vinho, sendo na Antiguidade, também um mito dionisíaco,
entre os Hebreus e com a figura bíblica de Cristo, ele entrou no sagrado. Como
nos diz o livro “Cântico dos Cânticos” do Antigo Testamento, “levem-me à adega
que lá eu encontro a sabedoria”.
Para Clemente de
Alexandria o vinho está para o pão, como a vida contemplativa e a gnose estão
para a vida activa e para a própria fé.
Na tradição bíblica
(Eclesiástica e Génesis) o vinho era o símbolo da alegria, a bebida dos deuses,
e muitas vezes o melhor “licor” para os eternos bêbados que persistem em tê-lo
como o autêntico pão. Vinho é sangue da uva, mas também e sobretudo para os pobres,
é o pão mais apetecido das suas mesas.
O Alcorão também atribui
ao vinho vários versículos: “o senhor nos fará beber uma bebida pura”, ou então
“dar-lhe-ão a beber um vinho perfumado”. Um grande místico pagão associou
sempre o vinho ao bebedor e ao escanção. Dizia esse pagão “bebe o vinho, pois a
taça é a face do teu melhor amigo”
É também um bem cultural.
A alma sente o milagre do vinho. Todos nos recordamos das Bodas de Canáa e o
milagre da transformação da água em vinho. E quase parecido, ressalvando as
simbologias – cristã e profana – o mesmo que se passa com os que fazem ainda
hoje o “vinho a martelo”.
Bem
prega Frei Tomás (II)
Franklim
Fernandes
Colaborador
Desde logo, dessa leitura
ressalta um facto muito mais polémico, criador de maiores confrontos e divisões
de opinião: os estatutos definem como proprietário do Campo do Arnado a própria
Irmandade. E é daqui que supomos advir a pretensa legitimidade de intervenção
da confraria, sendo questão nova como novos são os actuais estatutos.
Esta assumida presunção de posse é
desconhecida da maioria da opinião pública que sempre julgou, e tem por dado
adquirido, que o proprietário é o Município. E, se assim for de facto,
estaremos perante uma audaciosa usurpação de direito de propriedade capaz de
vir a causar, no futuro, graves questões entre a Igreja e o poder civil, de
imensuráveis danos colaterais devastadores para a acção pastoral da própria
Igreja.
O Código Civil, definindo
a posse como o “poder que se manifesta quando alguém actua por forma
correspondente ao exercício do direito de propriedade ou de outro direito
real”, define também como se adquire o direito de propriedade não se
encontrando, nas várias formas de aquisição, a mera proclamação desse direito
nem que seja pela via de quaisquer estatutos.
Ora, é do conhecimento
geral que a posse do Campo do Arnado está a ser exercida, pacifica e continuadamente,
pela Câmara Municipal desde tempos imemoriais, disponibilizando-o como local
público de lazer, aí colocando mesas e bancos de pedra, derrubando e plantando árvores
perenes, implantando a estrutura do bar desde os tempos do falecido Sérgio
Pinto, dele cobrando rendas, adquirindo os terrenos contíguos, ocupando o espaço
como bem entende, cedendo-o à Comissão de Festas das Feiras Novas que dele
retira dividendos logísticos e monetários, pavimentando os acessos, vedando o
próprio Campo, e, sobretudo sobre ele tendo exercido título de posse por usocapião
há cerca de trinta anos, tudo sem qualquer aviso ou oposição da Irmandade quem,
de forma visível e reiterada, jamais exerceu qualquer forma de posse para além
da efémera passagem de uma procissão anual tal como passa pelas ruas de Além
da Ponte sem que daí advenha qualqer presunção de propriedade sobre elas.
Parece-nos, pois, muito
estranha esta posição que ameaça descambar para fortes batalhas judiciais sem
honra nem proveito, com as funestas consequências que se adivinham para a
credibilidade da Igreja que legitima a instituição contestatária sendo que,
apesar de tudo, é a Igreja estruturalmente inocente nesta causa cuja
responsabilidade moral será cometida aos
defensores da peregrina ideia de conquista deste território, como os Cruzados
da Idade Média que lutaram pela defesa dos lugares Santos de Jerusalém contra
as investidas dos Sarracenos. A Guerra foi declarada!
Não resistimos a
transcrever parcialmente os principais objectivos e princípios da Irmandade que
deveriam ocupar todas as energias dos membros da Mesa Administrativa ainda em
funções, desperdiçadas em actos subterrâneos fomentadores de discórdia e de
aviltamento da doutrina social da Igreja e da caridade fraternal que preside à
regra franciscana e à sua vertente antoniana:
- A Irmandade, tendo em
conta a doutrina social da Igreja, a acção pastoral diocesana e a sua plena
integração na Paróquia (…) procurará:
1. Promover formação cristã dos Irmãos por meio de…
iniciativas que contribuam para o aprofundamento e celebração da fé, espírito
de oração e crescimento na corresponsabilidade eclesial.
2.Auxiliar na catequese…
3.Fomentar uma liturgia
participativa…
4. Desenvolver uma acção
sócio-caritativa…
5. FOMENTAR ENTRE IRMÃOS
E TODOS OS MEMBROS DA COMUNIDADE PAROQUIAL A UNIDADE QUE LEVE À EXPRESSÃO DE
UMA VERDADEIRA COMUNHÃO ECLESIAL.
A
hipoteca do futuro
Colaborador
Temos que, desde logo,
afastar dos nossos propósitos qualquer tentativa de obter comportamentos
uniformes. A diversidade será maior numas sociedades do que noutras, mas o
caminho não é regressar a uma hipotética unicidade que possa ter existido,
antes chegar a uma situação em que a diversidade já nada tenha a ver com hipotéticas
origens sociais.
A diversidade é já hoje
aceite, incentivada, benéfica em todos os aspectos da vida, desde o social ao
profissional e toda a vida prática. Diferente é a desigualdade, entendida no
seu aspecto mais grave que é a diferença de base, de nascença até àquela que
deriva da utilização de meios desonestos, mesmo que a aparente legalidade
esconda uma evidente ilegitimidade.
Só teremos uma visão única
do mundo quando não houver um litígio permanente entre a legalidade e a
legitimidade. Interesses suspeitos ainda fazem que o legal muitas vezes não
seja legítimo e por vezes o que seria legítimo ainda não é legal. É essencial a
semelhança entre estas duas visões para resolvermos muitos dos conflitos que
nos percorrem o nosso espírito. Ao agravar-se a diferença está em causa a
razoabilidade e a condescendência no nosso relacionamento com os outros.
Chegaremos talvez ao
ideal no dia em que ao olhar para o outro não necessitemos de saber quanto ele
ganha, em que as nossas diferentes opções de vida se não devem às diferenças de
rendimentos, em que cada um gerirá os seus proventos e não necessitará de tirar
proveito de mim, nem eu olharei com concupiscência para o que houver no seu
bolso.
O dinheiro, como elemento
representativo, simboliza o princípio e o fim de toda a desigualdade, mas é
essencial como elemento de troca. O problema é o seu entesouramento. Com
dinheiro apostamos efectivamente e sem subterfúgios na competição com o
objectivo de obter vantagens e não termos que apostar todos os dias na sobrevivência.
Claro que mesmo sem dinheiro os animais conseguem formas de domínio.
Obviar a todas as formas
de desigualdade congénitas é colocar a partilha onde há a exclusividade, a
colaboração onde há competição. Não podemos acabar com o dinheiro, mas também não
necessitamos de acabar com ele desde que fixemos regras precisas para o seu uso
e entesouramento. Tal não passa por acabar com a bolsa ou por outras ideias
retrógradas, mas por recentrar a riqueza sobre o trabalho.
A riqueza que assenta na
posse de bens (titulados ou não), ou de dinheiro é temporária e mesmo ilusória.
Os bens de utilidade imediata são riqueza efectiva mas são poucos, a maioria
exige uma ou várias conversões para que se obtenha um bem de uso e isso implica
a aplicação de trabalho numa ou em mais fases de transformação. Esse trabalho é
que é a verdadeira mais valia. É irrelevante o valor atribuído aos bens
naturais. Por outro lado os títulos representam no geral combinações de bens de
características e com incorporação de trabalho diversos.
O preço dos bens
originais anteriores ao trabalho é determinado pela guerra ou por outra
qualquer forma de domínio e pode ser resolúvel por via pacífica como o prova a
constituição da Comissão Europeia do Carvão e do Aço que, formada depois do fim
da 2ª guerra mundial, veio resolver uma questão secular de conflito permanente.
Resolvido este, concluímos que só o trabalho vem a dar valor à matéria bruta. O
trabalho livre porque a escravatura é apropriação semelhante à dos bens
naturais.
O dinheiro entesourado é
uma hipoteca sobre o futuro. Sem futuro nada vale e o futuro, tendo de pagar
tanto para sustentar o presente, derrapando sobre a ávida riqueza de hoje um
juro tão usurário, mais tarde ou mais cedo impõe uma retirada de valor à
hipoteca. O futuro é capaz de retirar credibilidade aos valores creditados
sobre ele. Os títulos que representam esse futuro são facilmente
desvalorizados.
Depreciam-se os bens que
se esperava fossem os geradores da riqueza futura. Deprecia-se o próprio
dinheiro se não tiver um Estado forte que o segure como referência. Quanto
menos expectativas menos rentabilidade futura é esperada e mais sobrecarga se
exerce sobre o trabalho de hoje. Este, não podendo corresponder, faz diminuir
a renda significativamente.
Mas, sendo hoje o
dinheiro o valor de referência, não se deprecia por ele mesmo, caindo a
depreciação sobre os bens por serem geradores de menor valia. Se o trabalho
envolvido no processo de transformação desses bens não aceita ser depreciado
então é o capital que vê reduzidos os seus rendimentos. Se o dinheiro se
depreciasse também o trabalho o seria.
Em cada momento não há
distinção entre capital industrial e capital financeiro porque as transferências
são fáceis. Foi a conversão do capital industrial em títulos que o tornou ainda
mais vulnerável do que o capital financeiro. Este pode reduzir a sua
rentabilidade mas tenderá a desequilibrar em seu favor qualquer partilha da
hipoteca sobre o futuro. Todo o capital financeiro depende do trabalho futuro.
Lembranças da minha rua
Menã
colaborador
Com as saudades que ela merece
Falas com ela ao romper do dia
E na madrugada dela te esqueces.
A minha rua, já foi alegre,
Agora é triste e tem saudade,
Tanto lhe quero, quero-a p’ra sempre
Por isso lhe mando a minha amizade.
Prédios velhinhos, as portas caídas
Os vidros partidos telhado no chão,
Assim a encontra quem passa por ela
Com muita saudade e desilusão.
Já falei com ela e fiquei mais triste
E com muita mágoa a compreendi,
Falou-me dos tempos em que era bela
E dos namorados que eu conheci.
Agora e o que resta desta minha rua
É uma lembrança que não vou perder,
Como o reviver de todo o passado
E muita ternura por não a
esquecer.
“Loucuras
colaborador
Chegou o calor,
Chegou a ocasião,
De viveres o amor.
De usar mini-saia,
E fio dental,
De ir para a praia,
Fazer o integral.
Bronzear o corpinho,
De frente e de costas,
Mostrar o rabinho,
Como tanto gostas.
Com um par jeitoso,
E regar o manjerico,
Que está sequioso.
De ir ao cinema,
Ver filmes de amor,
E repetir a cena,
Tudo ao pormenor.
Beber e dançar,
E dar umas quecas,
Á luz do luar.
Ou a outro evento,
E fazer algo mais,
Viver o momento.
Dar umas beijocas,
Tirar umas passas,
Meter umas cocas.
De noite ao relento,
Ou ir para a barraca,
Ganhar novo alento.
Colaborador
Nas Igrejas Bizantinas não
hás estátuas nem esculturas pintadas à moda do Ocidente. Tudo é reproduzido por
pequenos ícones, pintados sobre madeira, cercados por uma extensa aura de
pequeníssimos mosaicos com rosto sóbrio e nada de tristeza nem de ocultação dos
elementos em determinadas datas. Daí que também não tenha pegado a moda de
andar com o Cristo morto elas ruas. Alguns autores referem-se ainda a Seda
Inglesa, Seda Chinesa e Seda Francesa, esquecendo a Seda Portuguesa. Na
realidade, a cultura do bicho e a manufactura da seda, em processos rentáveis
ainda eram escassos, nos princípios do séc. 800 onde alguns artífices começavam
a desenvolver algumas indústrias
familiares ou locais, mas ainda mal se distinguiam da pequenas indústrias, com
pessoal de casa, pouco expedito para manter uma indústria de seda no género
daquela que vinha sendo desenvolvida alguns séculos antes de Cristo. Na cidade
de Lião, no Sul da França, em 1780 cerca 800 de artífices para trabalhavam na
seda para apenas 48 mercadores de sede. Mesmo com estes trabalhadores, que já
constituíam uma empresa média, o trabalho era feito habitualmente em casa de
empregados, que era uma forma conhecida por “sistema de artesanato doméstico”.
Na década de 1720 fábrica de seda de Thomas Lombe, em Derby, U. K. já empregava
várias centenas de empregados. Tudo começava a desenvolver-se, à medida que se
desenvolvem as máquinas necessárias para a sede e outros produtos. Quanto ao
desenvolvimento da Sericultura em Portugal, especialmente na Região Beirã e
Transmontana, os estudos ainda são incipientes para demonstrar, em remos económicos
e estatísticos) a importância desta tão interessante indústria que,
possivelmente, muitos ignoravam que tenha existido, como está provado pela
Museu da Sede, em Braganção e pela Cooperativa de Sericultores de Freixo.
O
mistério do Dr. Manuel Alegre
Colaborador
Para as próximas eleições, o Dr. Manuel
Alegre já não fará parte das listas de deputados à A.da R. pelo Partido
Socialista. Isto quer dizer que, quer o P.S. ganhe ou não as eleições
legislativas, aquele político não será deputado nem Vice-Presidente da A. da
R.. “Vai andar por aí”, como disse um conhecido político do PSD.
Posta de parte esta eleição,
resta ao Dr. Manuel Alegre, esperar por 2010, para voltar a concorrer à Presidência
da República. Será que este político
espera ser o candidato que o P.S. vai apresentar para disputar a eleição com o
Dr. Cavaco Silva? Ou terá de mais uma vez, concorrer sozinho?
Toda a gente sabe que o
Dr. Manuel Alegre é um “socialista de primeira água”, que é fiel aos seus princípios
socialistas, que não pactua nem pactuará com políticas de Direita. Também
sabemos que este político tem pautado a sua conduta pela defesa intransigente
das classes mais desfavorecidas: os desempregados, os pobres, os que têm fome
de justiça, etc.etc., contrariando assim a política deste governo que, na sua
opinião, favorece os grandes grupos económicos, em desfavor das reformas
sociais. Por isso, é com tristeza que eu vejo o abandono da cena política, do Dr. Manuel Alegre.
Na crise em que Portugal
está mergulhado, a existência de personalidades políticas com a craveira
intelectual do Dr. Manuel Alegre é sempre salutar e é, ao mesmo tempo um
enriquecimento da nossa Democracia. Pode ser que ainda pense mudar de opinião e
regressar à Assembleia da República, com aquela
figura imponente dum tribuno, admirado e respeitado por todas as forças
políticas.
Rotary e Lions – clubes de serviços
Colaborador
Um serviço e uma acção que esses indivíduos
respeitáveis realizam e de que outros indivíduos à partida carentes de qualquer coisa, tiram
uma vantagem qualquer.
Na prática, a vivência destes clubes,
resume-se mais a jantares de confraternização, promovem conferências ou colóquios
e distribuem algumas “benesses” por quem
eles determinam que têm necessidade.
A sociologia
tem por objectivo as diversas maneiras como os homens obtêm os serviços de
outros homens, ou mais geralmente, como os seres vivos obtêm os serviços de
outros seres vivos. Mas nestes clubes, a prestação dum serviço nem sempre
justifica o valor desse serviço, mas antes a sua oportunidade.
Falamos já em
sociologia que é uma ciência que trata do social, da sociedade, dos grupos e
dos factos ou acontecimentos sociais. Aí, os clubes em questão não têm uma dinâmica
social do progresso, mas talvez tenham uma dinâmica de ordem social, de ordem
social, de equilíbrio de interesses sociais e até culturais, sem que exista uma
filosofia subjacente a tudo isto, a não ser o simples pretexto de ser prestado
um serviço mais ou menos relevante, quase como um “ tapa buracos” sem se ser
propriamente um cantoneiro da sociabilidade. Reina e predomina o colectivo
sobre o individual, o que é já uma referência importante, mas no sentido normativo,
esse serviço lionista ou rotário não e especificamente virado para progresso da
sociedade, mas antes e só para o seu aperfeiçoamento e colmatar de algumas
lacunas mais visíveis e por vezes apetecíveis existentes no tecido social, que
por vezes, paradoxalmente, podem cair numa sociolatria, ou seja, no culto de
uma sociedade específica, com limites definidos, algumas vezes até
hieraquizados, no vínculo social, como a celebração colectiva que se leva ao
serviço, de uma forma fundamentada em fenomenos sociais, quase como que esses
clubes pudessem ser apelidos de “curso de filos” isto é, dinámica social sem
progresso.
A sociologia
trata da sociedade e como tal os clubes dos rotary e dos lions, estão
organizados numa anatomia na fisiologia social, mas restrita a um discurso
sobre o espírito positivo da solidariedade, sem nunca roçar o perjurativo que
alguns actos sociais, assumem, quando para culto das personagens; claro que
isto não é a essência destes clubes e pode cair, por vezes, naquilo que eles
podem ter de supérfluo.
Os clubes assim
formados não funcionam como uma sociabilidade de imitação, mas antes de
antecipação. Não são dirigidas propriamente a “sociedades menores” razão pela
qual afastamos deles o cariz caritativo; agem no corpo dos indivíduos
sucessivos, sem que essa sucessão lhes destrua, quer a doutrina, quer a
continuidade do seu trabalho, que é o serviço por servir e não o serviço como
um todo real, mas antes como o conjunto de relações reciprocas entre indivíduos
ou colectividades, sem a busca da notoriedade social, que ás vezes é quase uma
“evidencia parda” infelizmente. Eles são uma organização simples, nada
complexa, estável nas relações de um companheirismo um pouco “diplomático”. São
associações (clubes) quase sociais mas não verdadeiramente sociáveis.
As mentiras e
os cornos
Colaborador
Como o PS
perdeu as Eleições Europeias, o governo actual não se quer comprometer com
projectos que, no caso de perder as eleições legislativas, não poderá executar.
Creio que uma
das principais vítimas, das trapalhadas deste Governo, foi o ex-ministro Dr. Manuel Pinho. Falando
aos empresários, declarou que a chamada crise já tinha passado, quando isso não
é verdade, pois a crise continua. Depois, no estrangeiro, pediu mais
investimento, dizendo que em Portugal a mão de obra era barata. Isso também não
é verdade, pois, nos sectores mais produtivos, os trabalhadores tem salários de
acordo com as responsabilidades e habilitações académicas. Veja-se o caso da
Auto-Europa. No entanto, aquele Ministro tem a seu crédito, muitos
investimentos que colocaram Portugal nos primeiros lugares da Europa e a luta que ele travou para evitar a falência
de várias empresas, algumas já muito antigas, com muitos trabalhadores. Infelizmente foi traído por aquele gesto dos
adornos dum animal quadrúpede, ruminante, que nos dá o leite e a carne, que motivou o seu pedido de demissão.
Termino como
comecei. “Se as mentiras valessem tanto
como um par de cornos, já não havia ministros. Nem o Primeiro Ministro
escapava.”. Quem assiste aos debates televisivos, entre o Governo e a Oposição,
o que vê: uns a dizer que é verdade, os outros a dizer que é mentira. Chamam a
isto “debate político”… Não há dúvida que a Democracia, não sendo uma forma de
governar perfeita, ainda é a melhor. Será?
Gaivotas
colaborador
Manhã
de sol.
As
crianças brincam na praia
As
bochechas rosadas
Da
brisa fresca do mar
No
olhar a alegria de criança
Crescer
e ser feliz
Aproximei-me
e dei um chuto
Na
bola de trapos
Com
que brincavam
Já
de mãos dadas
Fomos
passear junto ao mar
Olhando
as ondas
Que
faziam castelos de espuma
Bandos
de gaivotas
tantas
de pasmar
O
peixe na lota
Fresquinho
a saltar
Pescadores
sorrindo
De
rosto enrugado
Da
vida no mar
Uma
esperança nasce
Em
cada criança
Que
haja bonança
Para
ir e voltar.
Os municípios multiusos
Manuel
Pires Trigo
Colaborador
Os municípios também se têm
visto livres de áreas tradicionais entregando a sua gestão a privados. São os
serviços de limpeza, jardinagem, transportes, etc. de que muitos municípios
abdicam por concessões temporárias e condicionadas. Outra via é a criação de
empresas municipais com alguma autonomia de gestão. A dimensão dos municípios é
determinante nas opções feitas, mas não há regras quando à opção a fazer
genericamente aceites.
Do lado dos ganhos temos
uma cada vez maior capacidade de intervenção na gestão do território através de
planos directores periodicamente revistos e alterados. Ultimamente os municípios
passaram a ter uma intervenção acrescida na área do ensino, na reorganização e
gestão escolar. E além disso têm recebido da administração central muitas
competências a nível de quase todos os ministérios por via da sua descentralização.
Quanto às novas áreas de
intervenção os municípios grandes são no geral mais tradicionalistas, talvez
porque tenham um aperto orçamental mais elevado. Os municípios pequenos, que têm
hoje um desafogo orçamental superior ao de algum dia, são os que mais se
aventuram por novas áreas de intervenção e até de negócio. Muitos passaram a
investir os seus excedentes orçamentais em equipamentos de cujo aluguer
usufruem.
É o caso de Ponte de Lima
que se destaca na criação e gestão de equipamentos da área da hotelaria. A Câmara
já é o maior empresário desta área, alugando restaurantes, cafés, residências,
parques de campismo, bicicletas. O que era impensável há anos, ou se entendia
como actividade residual, é hoje uma das principais actividades deste órgão de
gestão autárquica. No entanto a Câmara está a intervir num sector em que esta
concorrência era dispensável.
Em simultâneo vemos
desenvolver outras actividades já suficientemente difundidas por outras
localidades como é a organização de festas, ora rebaptizadas de eventos de todo
o género festivo. O município remete todos estes eventos para a área cultural,
embora seja mais que contestável esta qualificação. O povo gosta, o problema é
os artifícios que se fazem para contornar a Lei que não permitiria esses dispêndios
tão avultados em estrelas de duvidosas qualidades, em espectáculos de pouca
valia artística.
Efectivamente está na
moda que os municípios criem associações ou sociedades de direito privado de
que são o único accionista e para as quais transferem avultadas verbas cujo
gasto se torna assim mais opaco, menos sujeito ao escrutínio político. Nessas
associações tipo “Comissão das Feiras Novas” não há o mesmo rigor contabilístico,
a mesma transparência que hoje se exige à afectação de dinheiros públicos.
O que está em causa é a
alteração drásticas do municipalismo que, embora sempre possa ter subsidiado a
realização de festas tradicionais, nunca foi o seu principal promotor e
divulgador, muito menos criador de novos eventos. Hoje o município concorre com
outras iniciativas da sociedade, realiza eventos em simultâneo com realizações
tradicionais mais dispersas mas mais significativas para as pessoas das terras
onde ocorrem e consegue subalternizá-las.
Há ainda o problema do
tipo de eventos que se promovem ou patrocinam. Também os há de carácter mais
saudável, mas muitos são nitidamente quase desprezíveis, atractivos para os
indivíduos mais marginais, mais anti-sociais. Além de as iniciativas municipais
não deverem competir com outras de índole privada, por mais rentáveis que elas
possam ser, também não devem abranger temáticas desajustadas do ambiente
local. Até a inovação tem limites.
As contas de todas as
iniciativas municipais neste âmbito deveriam ser do conhecimento público para
que se não pense que há iniciativas grátis, que há políticos beneméritos,
porreiros e outros forretas, uns tristes. Até nesta área, mesmo que aceitemos
integrá-la nas competências municipais, há melhores maneiras de gerir o
dinheiro. As actividades lúdicas devem ser dinamizadas doutro modo, criando de
preferência condições para que a iniciativa privada as promovam.
Dinamizar actividades
puramente culturais seria mais louvável, mas decerto seria mais problemático
ter qualidade e adesão apropriada. Mas o principal senão é que os agentes
culturais não raro se deixam levar pelo vício da subsidiação. Nos nossos municípios
há imensa gente pendurada como se tivesse mérito cultural para lá estar.
Simplesmente o seu trabalho é invisível, muitas vezes não se lhes vê o cheiro.
Ainda falta saber o que é cultura para muita gente.
Os problemas dos vários
municípios são hoje muito iguais e também são idênticas as ambições de cada um.
Além desta dedicação ao entretenimento todos quererem um “multiusos” para si,
mesmo que haja um deficientemente utilizado a escassos quilómetros Não existe
planeamento, discussão sobre a melhor localização dos equipamentos, forma de
evitar desperdícios.
Muitos atribuem esta
duplicação de equipamentos à falta de regionalização, mas tal não serve de
desculpa. Há elefantes brancos que o bom senso recomendaria se não fizessem. Os
custos do seu não funcionamento vêem a penalizar futuras administrações. A solução
para quem os têm é mesmo tudo fazer para lhes dar uso e utilizá-los para o
desporto e a cultura e, porque não mas só depois, para actividades lúdicas, que
os sectores privado e associativo os podem aproveitar.
Recordações do rio lima
colaborador
Ai rio rio, ai meu rio
lima
De tanto feitiço e de
tradições,
De lendas antigas
escritas nos tempos
De feitos históricos e
recordações.
Recordo o passado que era
risonho,
Recordo os tempos que
eras leal,
Recordo a alegria dos
jovens brincando
Quando conservavas o teu
areal.
Recordo ainda em tempos
passados
Essa tua fúria de tudo
querer,
Recordo os tempos em que
tu andavas
Pelas ruas dentro e
sempre a crescer.
Recordo a beleza da tua
largura
E das tuas ondas a subir ás
ruas,
Recordo a pressa que
sempre tu tinhas,
Recordo a gente e as
amarguras.
Recordo agora o teu mau
estado
E a sujidade que trazes
contigo,
De rio amado ficaste mais
triste
E abandonado sem teres um
amigo.
Ópio e algodão substituem
Colaborador
Na China de antanho, as dinastias
formavam-se, cresciam e autodestruíam-se com o tempo e a usura. Lembramos a
data do Grande Cão Mongol que quase tinha engolido o Mundo de então: 1227 foi
uma data feliz para o Khan Mongol e uma libertação dos aguerridos e
asselvajados mongóis de poucos sentimentos nem moralidades. Para estes, a seda
não tinha interesse, como já dissemos antes, porque estes não tinham palácio
para se exibir com tais indumentárias fina nobreza. Agora, os chineses lançam-se
sobre os terríveis Mongóis e constitui-se uma nova dinastia que ficou a
chamar-se de Ming, que, em 1308, recolocara funcionários públicos competentes
em pontos-chave do Estado. O governo Ming teve grande sucesso com as medidas
tomadas em defesa do povo chinês, afastando para longe os corruptos aliados dos
Cãos Mongóis. Nos mares, os Ming construíram uma enorme armada, cujo comandante
Cheng Ho, a partir de 1405, obteve um
numeroso contingente de enormes juncos às suas ordens, em sete grandes expedições
limpou das costas chinesas tudo o que restava dos Mongóis e seus aliados. Esta
poderosa armada chegou bem longe nas suas expedições de limpeza: tendo alcançado
a Índia, Ceilão (Srilanka), Arábia e África oriental. Em 1434, tais expedições mudaram de táctica
porque eram muito dispendiosas. Foi então que os piratas japoneses aproveitaram
para penetrar ainda mais no Continente chinês. Através do Continente chinês, o
povo continuava no seu afã de produzir riqueza, manter a ordem, domar os rios e
os diques através do Grande Continente, que começava a receber outras culturas,
outras plantas, outros frutos.
Três novas espécies apareceram para
dar de comer aos milhões de povos antes escravizados pelos estrangeiros:
apareceu o Milho grosso (Zea mayz), a batata doce (Ipomoea batatas) e o
amendoim (Arachis hypogaea), espécies exóticas que desde logo começam a
produzir frutos em abundância para alimento do povo e dos animas. Todo e
qualquer canto ou colina era aproveitado para desenvolver estas novas culturas
que pareciam ter caído do Céu a pedido dos Ancestrais Chineses. Além destes três
espécies de fruto, os imperadores deram ainda grande impulso à economia da
China, encorajando a cultura do algodão, trazido da Ásia Central (que agora vai
tirar o lugar à cultura da Sede, que é mais lenta e com outras características.
Logo e fiação e tecelagem do algodão, que trouxeram muita riqueza aos povos das
cidades da bacia do Iansequião. O
progresso e a prosperidade chegaram até às
portas dos antigos inimigos do Norte, uma região devastada pelas sucessivas
incursões de nómadas famintos e rudes. Nasceu uma nova capital para a China:
Pequim (hoje Beigin), sobre os escombros da Velha Cambaluc, erguida pelos Mongóis.
No ano de 1200, a população da China totalizava cerca de 100 milhões e, em
1600, ultrapassava já os 150 milhões, excedendo o total da Europa, na razão de
três para dois. Uma vez mais a riqueza e o fausto atraía a Corte Ming para o
desastre, devido aos excessos nas habituais despesas que levam à corrupção dos
funcionários e dos seus chefes. Pelo ano 1600 começaram a lançar pesadíssimos
impostos sobre o povo, e o abuso do poder começou a minar a autoridade do
Imperador, dando origem a que os mais rebeldes se fossem aliar a uma facção contrária
aos Ming, que ficou conhecida pelo nome de Tribo do Norte, ou Manchu.
Agora, apoiados de dentro, os
Manchus abriram caminho para o sul da China, esmagando a autoridade Ming, vindo
a fundar, depois a última grande casa reinante da China (1644-1912). Uma vez
mais se viu que eram os funcionários chineses a partilhar o poder com os
Manchus, em detrimento dos Ming. Contudo, alguma coisa tinha que acontecer com o aumento assustador da população que trabalhava a mando e orientação
de leis rigorosas impostas de fora. Seguiu-se um novo surto expansionista com várias
direcções: No Ocidente, o Tibete, o Paquistão e a Mongólia caíram perante as
tropas chinesas. No Sudoeste, os colonos chineses ocuparam as províncias
fronteiriças de Kweichow e Iunan, muito ricas em minerais. Segue-se um rápido
incremento no comércio, com várias direcções: os produtos chineses – chá,
sedas, artigos de algodão, porcelana – escoavam-se, por terra, para a Rússia,
e, por mar, para o Sudoeste da Ásia, Índia, Médio Oriente e Europa. No séc.
XVII o crescente gosto pelo chá, que se verifica na Europa, justifica um enorme
aumento de exportação desse produto por mar. Por volta dos anos 1800, a decadência
económica volta a rondar a Grande Nação Chinesa. Vários factores contribuíram
par esse fracasso económico: erosão dos solos, cuja estrutura é muito sensível
ao vento, à chuva e as camadas de areia fina (Loes). O processo das culturas exóticas
não obedeceu a critérios correctos para manter o solo e subsolo. O abate sistemático
das florestas foi outro crime de ordem ambiental. Os chineses tinham apostado
na cultura algodoeira, mas a concorrência do algodão inglês foi um terrível
desastre para China.
Não tendo ainda compreendido que
cada cultura e produto necessitam de condições adequadas, os Chineses acabam
por abrir as portas a outro cultura terrivelmente perigosa, para os nossos
tempos, que foi a introdução da cultura de Papoila do Ópio (Papaver
somniferum), tendo comprado enormes quantidades de Ópio à Companhia das Índias
Orientais (inglesa). Tudo isto e muito mais levou à corrupção e fà alta de
coragem para trabalhar e produzir. A partir de 1796 camponeses descontentes
começaram a provocar constantes rebeliões, levando a China ao declínio económico
e comercial, face aos vizinhos que já envolviam a China, especialmente o Japão
e países europeus, incluindo Portugal.
A estratégia de Cavaco Silva
Hélio Bernardo Lopes
Colaborador
Acontece, porém, que desenvolver um
pensamento estratégico nunca é tarefa fácil, mesmo quando se trabalha em regime
estacionário, ou seja, em que se conhece a estrutura onde irá ter lugar a
intervenção estratégica em causa.
Todavia, tudo se torna incomensuravelmente
mais complexo se o regime em que se tem de decidir deixou de ser estacionário,
tendo-se tornado, digamos assim, torrencial e fortemente variável. Precisamente
o que tem hoje lugar no nosso Mundo atual, atirado pela via neoliberal para o
pandemónio que nos traz preocupados com o presente e com o futuro.
Acontece que na véspera daquele
discurso do Presidente Cavaco Silva me foi dado acompanhar o programa, Toda a
Verdade, que passou na SIC Notícias pelas duas horas da madrugada. E neste programa
o tema tratado girou em torno das existências mundiais de petróleo, e na dúvida
sobre se o designado pico do petróleo terá já sido atingido, ou ainda não. Como
é evidente, não existe unanimidade neste domínio, mas o que se percebe é que a
médio prazo esse pico do petróleo será atingido.
Aí chegados, e a médio prazo,
seguir-se-á uma realíssima crise mundial, mas que é hoje impossível de evitar
pelos governantes do Mundo. Mesmo partindo do princípio de que a crise virá nos
tempos mais imediatos, ninguém, sobretudo em Portugal, poderá gizar uma política
consistente ao nível estratégico, pela simples razão de que o futuro, bem como
o seu quadro de atuação, será então absolutamente imprevisível. E mesmo ao nível
de previsões aceitáveis, só muito pouco desse futuro será por nós determinável.
Um infinitésimo de uma insignificância. Como a História de Portugal sempre
mostrou.
O que aqui pretendo dizer é que não
existe estatégia possível, se excetuarmos aquelas medidas simples, embora
eficazes, que se encaixam no aviso do Presidente Cavaco Silva, de que os
portugueses deverão redimensionar o seu modo de vida. Derlei, até há pouco no
Sporting, entendeu não seguir esse caminho, embora lhe seja impossível
conseguir os duzentos mil contos mensais de Cristiano Ronaldo no Real de
Madrid.
E já agora: onde se situa, neste último
caso, a ética no trabalho e na organização da sociedade? E porque não
quinhentos mil contos mensais, como se dá com certos desportistas
norte-americanos? Haverá aqui lugar para valores de natureza ética? Que pensará
o Presidente Cavaco Silva de uma tal realidade político-social?
Artesanato em Ponte de Lima
Lima Barreto
Colaborador
Mas o nosso Artesanato porque foi sempre tão pobre e nunca a 1ª escolha
do povo limiano? Porque a ele se sobrepôs sempre o “património da memória” e
todos nós sabemos que o artesanato é produto de uma ferramenta “material” no
Vale do Lima. A tecelagem, o mobiliário rústico de pinho crú, a cestaria fina
encostada de luxo e a cestaria encostada grossa, a cantaria uma região farto em
granito, a lotaria fina aplicada a lanternas, apliques e candeeiros, as rendas,
as colchas, as toalhas, a tamancaria, todo esse artesanato ainda se vai
encontrando nas Feiras de Ponte com certa profusão.
Mas como já referimos, foi o linho,
o escolhido sempre pelo povo minhoto e também limiano, como o produto da terra,
mais apetecido de trabalhar, porque dele vinham produtos nobres e belos, como
toalhas bordadas, tapetes, os próprios trajes populares, enfim, o linho, no
artesanato levou vanguarda, tanto na estopa como no “sedeiro”, pois a roca
fazia dos dedos do nosso povo verdadeiros pincéis semelhantes aos dos maiores
artistas de quadro ou pinturas.
Dos
novelos, às dobadeiras, eram urdidos e colocados nos teares para “tecer
a estopa ou o linho” como quem pinta um quadro com os vários pincéis
apropriados.
A descrição sucinta e cura do nosso
linho, ainda hoje mora em muitas das nossas gentes mais antigas, não só como
tratamento da terra, como também e sobretudo, com a preparação artística dos
ditos linhares, existentes um pouco por toda a parte.
Com o linho, vinha sempre aliada a
força do nosso povo, ao plantá-lo no campo, na maior de todas as dificuldades
laborais, como também a alegria, quando se faziam os tratos especiais e
requintados deste produto tão querido do povo: ripagem, tecelagem, espadelagem,
enfim coisas práticas, pertenças também do lúdico e do convívio, do esforço e
do próprio concurso de mãos mais habilidosas.
Bem prega Frei Tomás
Colaborador
A construção em causa pretende
substituir, com vantagem, o bar que, no passado mês de Dezembro, foi totalmente
destruido por um violento incêndio que provocou a inactividade duma empresa
familiar composta por quatro elementos – dois casais, um deles de recente formação.
Era daquela estrutura que todos colhiam a maior parte dos seus recursos económicos
e de onde esperavam construir um futuro estável. Com esta objecção, vêem mais
longe a esperança de retoma da sua economia arrasada por uma tragédia que não
mereceu a atenção nem a solidariedade de qualquer confraria vizinha que, não
tendo promovido qualquer “abaixo-assinado” de apoio nesse difícil momento, se
lembrou agora de a agravar e adiar, tudo em defesa duma procissão anual cujos
andores não passam no cruzeiro (recentemente alvo de um atentado patrimonial ao
ser gravado em rebaixamento com dizeres que pretendiam afirmar posse)! Ora, tal
argumento é negado pela distância entre o cruzeiro e a estrutura do bar. Por
isso espera-se para breve uma petição para o derrube desta frondosa árvore que,
no entanto, não mereceu para já qualquer reparo na passagem da procissão.
Bem sabemos quão melindrosa é esta
controvérsia e como pode ser causa de sérias desavenças e, levada ao extremo,
provocar indiferenças e friezas em questões de fidelidade religiosa. É que nem
todos compreenderão esta pioneira intromissão da estrutura religiosa numa questão
temporal de lana-caprina cuja única colisão de interesses visível passa pelo
curso de uma manifestação processional uma vez por ano se não chover, pisando
terrenos do proprietário da obra embargada. Porém, é coisa que parece não
incomodar o descanso da irmandade e dos componentes sobrantes da mesa
administrativa.
Melhor teria andado a instituição se
esperasse pela posição da Assembleia de Freguesia de Arcozelo que, curiosa e
coincidentemente, sentiu também as dores da irmandade. Não arcaria com o
desonroso ónus do vanguardismo em questão divisionista, bem ao contrário dos
ensinamentos do fundador da ordem
religiosa que a patrocina que defendeu e proclamou: “onde houver discórdia que
eu faça a união”, não se espere, pois, que se calem todas as vozes por que “se
alguém diz mal é porque alguém faz mal”.
Uma virtude teve, para já, este
movimento reivindicativo: ficou a saber-se que o pregador Frei Tomás era
franciscano.
A nível da palavra
Manuel Pires Trigo
Colaborador
Os partidos funcionam a várias
escalas, com diferentes formas de representação e problemas específicos aos
seus distintos níveis. Às escalas mais elevadas os partidos assumem um carácter
exclusivo. Assim a maioria da população é excluída da participação política a
esses níveis e vê-a dificultada a níveis mais baixos. Aqueles que acham que
deveriam poder dar uma colaboração de valor acrescido à vida pública do País,
sem necessitar de para isso estarem enquadrados em partidos, sentem-se
frustrados.
Além de todos os outros defeitos os
partidos só recorrem aos chamados independentes em última instância. Os poucos
que conseguem furar todas as barreiras à entrada são mal vistos,
marginalizados, o seu trabalho chega a ser sabotado, minimizado, ridicularizado
mesmo. Aos políticos profissionais nada é exigido, aos independentes têm que
ser os melhores. A sua participação cívica depende da maior ou menor mesquinhez
dos aparelhos partidários.
A maioria dos independentes
desconhece muitas das regras dos partidos, têm uma sensibilidade “imatura” para
responder ao cinismo prevalecente nos meios políticos. Quem não prescindir de
ser genuíno, de ter uma satisfação própria naquilo que faz, não tem lugar. Os
poucos aceites acabam por soçobrar à mão daqueles que parasitam os aparelhos
partidários. Os partidos estão cheios de “sargentos” à espera da sua vez de se
promoverem a “oficiais”. E estes, os que têm “estatuto” são arrogantes e
mesquinhos.
A política, como trituradora da
personalidade individual, ataca menos os profissionais, mais preparados para o
efeito. E estes atacam os não filiados por terem excessiva independência.
Abrigam-se no facto de eles mesmos serem obrigados a aceitar opiniões
diferentes das suas, a defenderem perante outros aquilo que muitas vezes é
contrário à sua sensibilidade. Os independentes são uns privilegiados neste
aspecto. Só que normalmente já provaram noutros fóruns a sabedoria que os
profissionais nunca são obrigados a provar.
Os independentes não estão obrigados
a tantas cedências, não se deixam arrastar pela militância tantas vezes acéfala
e seguidista, nem se deixam ficar pela apatia de muitos dos que um dia se
filiaram num partido com objectivos menos sérios. Claro que também há falsos
independentes, há aqueles que querem apanhar a boleia e querem ficar de vez com
um lugar na carruagem. Quem se quer manter independente cultiva-se, desenvolve
ideias, métodos próprios, porque os partidos ainda não descobriram nada de
infalível.
Há uma clara diferença entre quem
procura ter uma satisfação pessoal naquilo que faz politicamente e quem tudo
faz por obrigação, a contragosto às vezes. O verdadeiro independente não
prescinde da sua sensibilidade, não deixa que se esmaguem os seus sentimentos
pessoais. Nunca esquece o que era matricial em si. O independente empenha-se se
se sente enquadrado, sentimental e intelectualmente, num plano estratégico
mesmo que definido por outrem.
Parece pois existir, e as pessoas
concluem-no, haver perversão na política. O mundo em que os políticos mergulham
é artificial, tem regras próprias embora retiradas de velhos princípios
comummente aceites. Mas princípios criados noutros contextos não conseguem
integrar facilmente o actual. Honra, dignidade, frontalidade, seriedade e
outros perderam o significado quando transferidos para um mundo diferente
daquele em que tais termos ganharam significado.
Há valores que eram próprios de um
mundo de hierarquias rígidas e, por anulação das regras próprias, o seu
significado perdeu-se. Ainda se não encontraram regras eficazes que se apliquem
à vida de hoje. De alguma forma falta uma autoridade exterior à política, alguém
capaz de dirimir conflitos entre os vários agentes políticos, de impor alguma
lisura e clareza à luta política. É tanta a confusão que em cada momento até
falta saber o que está em causa, seja a curto ou longo prazo, seja ao mais
pequeno nível, seja ao mais vasto.
Os políticos movimentam-se hoje em
quadros mentais para os quais a sua contribuição é muitas vezes mínima. Não os
tendo elaborado, não sendo seus proprietários, seus gestores, quando muito são
seus defensores, mas chegam facilmente a ser seus escravos, prisioneiros da sua
lógica própria. Muitos políticos atiram-se a discutir assuntos para os quais não
estão preparados e não estão convictos daquilo que defendem. Por vezes só deles
têm uma noção vaga.
Embora não haja liberdade absoluta e
haja valores sociais a respeitar, podemos manter a nossa liberdade enquanto
conseguirmos manter a alma, estivermos convencidos da bondade do que fazemos,
seguirmos um caminho solidário escolhido com entusiasmo e vivido com satisfação
pessoal. Só a espontaneidade, a naturalidade são demonstrativas da nossa
liberdade. O falso verniz dos políticos é a capa que esconde caracteres de
duvidosa índole.
Qualquer submissão absoluta à lógica
da luta política é contraproducente. Também o é suplantar a ignorância por
meios artificiosos. Dada a necessidade de existirem políticos profissionais só
resta pedir-lhes que não tornem artificial a sua sensibilidade e recorram a
quem sabe sempre que não estejam seguros. Este mundo em que se não toleram uns
cornos e se suportam todos os insultos tem algo de podre. Hoje os políticos
procuram munir-se de instrumentos intelectuais perfeitamente perversos. A nível
da palavra parece ser tudo permitido.
Ai meu Portugal
Antero Sampaio
Colaborador
Presentemente, este povo, a que
pertenço, na minha opinião é muito difícil ser governado. Mas que andam aí uns
lusitanos de colarinho branco que se governam “à grande e à francesa, isso é
verdade.
São uns lusitanos que não se
importam de estar presos, pois creio que nada lhes falta, outros dizem que
disseram mas não disseram, que ficam muito admirados como é que alguns milhões
de euros entraram na sua conta bancária e que, quando são chamados a comissões
de inquérito (ainda não percebi bem a utilidade dessas comissões), portam-se tão
bem que, para serem anjos, só lhes faltam as asas.
Os outros lusitanos, aqueles que
todos os dias enchem as estatísticas do
desemprego, aqueles cujo salário não chega para sustentar as suas famílias, aqueles que, como eu, vive da
sua reforma, assistem impávidos e serenos, às histórias destes figurões que
enchem as primeiras páginas dos jornais e as aberturas dos noticiários das
televisões.
E como reage o Governo deste País ?.
Sinceramente não tenho resposta para esta pergunta. Quando o Governo parece ter
resolvido um problema, logo surgem dois ou três problemas, ainda mais difíceis.
Claro que vivemos em crise, crise
que atinge todo o mundo. Mas nós, que pouco ou nada produzimos, seremos os últimos
a sair dela. Até lá, os despedimentos continuarão, o custo de vida aumentará .
Mas tenham cuidado os governantes que, a
história está cheia de conflitos que começaram, porque o povo vivia na miséria
e não podia aguentar mais. Embora sejamos um povo de “brandos costumes”, quando
a barriga tiver fome, a cabeça começa a funcionar mal. E tudo pode acontecer.
Ai, meu Portugal.
Com os mongóis a seda deixou de ser
comércio importante (5)
João Gonçalves Costa
Colaborador
Os novos senhores vestir-se-ão de qualquer forma. Aliás,
para povos nómadas e sempre em rotação, é necessário fabricar produtos fortes
para erguer tendas móveis, extensas para homens e suas alimárias. Durante maia
se um século, a História da China dos Dong vai confundir com as hordas de povos
vindos da Mongólia e seus vizinhos. A China ficou reduzida a uma província da Ásia
Central. E Era tudo o que restava dos tempos de Confúcio. Estes novos
invasores, habituados a cultivar as melhores terras dos planaltos, bordos dos
grandes rios, das estepes onde criavam animais rijos e fornecedores de leite,
carne, peles, pelos, ossos, etc. estavam-se nas tintas para culturas de elite,
cujas folhas alimentavam milhões de bichos-da-seda. Agora a moda é outra e o
modo de viver, deslocar-se e fazer a guerra obriga e outros métodos, que não as
belas amoreiras muito trabalhosas e pouco rentáveis. Aliás, as tribos de
pastores nómadas não esperavam cobrir-se de belos panos de seda fina, nem mesmo
depois de mortos.O que mais afligia estes guerreiros de pouca civilizados, era
a falta de água, bons pastos para alimentar os seus carneiros, bois, cavalos,
camelos e alguns animais menores. Ao contrário da Seda, estes animais forneciam
o essencial de que precisavam estes guerreiros: Comida (Leite, queijo, carne),
roupas de pele de carneiro, coberturas de feltro para as suas tendas redondas,
também, transporte rápido e seguro (Cavalos típicos do deserto). Alem do mais
carneiros e cavalos, lã e crina de cavalo e barba de camelo constituíam,
naqueles tempos produtos muito adequados para o comércio com os sedentários do
Sul e do Leste. Estamos, de caminho, a ver como nasce outra importante indústria
que, ainda hoje, se desenvolve através da maioria dos países muçulmanos: os
tapetes, carpetes e suas variantes. Durante muito tempo houve abusos e violências
entre os nómadas mongóis e os povos sedentários, a quem o primeiros queimavam
as terras, os animais, as colheitas para, depois, eles se instalar no lugar
deles. Se não era a lei da selva, era pelo menos a lei do Deserto e a falta da ética
que Confúcio tentou espalhar pela China. Contudo, as grandes invasões em massa
têm nome e ficaram registadas na História da Humanidade. Podemos, desde já,
citar os ataques dos Hunos, que contribuíram para derrubar o Império Romano; o
assalto turco ao Islão e a constante pressão tribal que levou os dirigentes da
China e erguer uma das maiores muralhas do Mundo, que ainda se pode ver e
admirar pelo esforço de milhões de chineses. Claro que as gentes de hoje apenas
ouvem falar do Muro de Berlim e das fronteiras patrulhadas dia e noite. A
Muralha da China, iniciada muito antes de Cristo, é um dos mais importantes
Monumentos naturais construído pela força do povo e a vontade de defender a Nação
dos povos migradores vindos da Mongólia. Para evitar que as terras de cultura e
as pastagens dos chineses fossem sistematicamente invadidas e destruídas pelos
“Povos do Norte”, os chineses desenvolveram o projecto Grande muralha, onde
milhões de povos pereceram sob as cargas
de pedra, argamassa, areia, terra, fome, sede, doenças e chicotadas. Contudo,
as coisas acabaram por mudar de feição, visto que os povos nómadas e guerreiros
inconstantes, não tinham jeito para administrar grandes cidades e continuar com
processos culturais que vinham de muitos anos de antes de Cristo e, desta
forma, ou se retiravam para outras terras ou se ligavam aos locais, por
casamento ou miscigenação, que teve efeitos benéficos em termos sociais. No séc.
VIII surgiu um chefe mongol de extraordinária capacidade, ficou conhecido pelo
nome de Temuchin e, depois de várias vitórias sobre diversas tribos vizinhas,
ficou conhecido na História pelo nome de Gensgiscão*, cujo nome significa:
“Poderosíssimo Rei”. Tendo as tribos turcas por aliadas, Gengiscão lançou-se
numa extraordinária carreira de conquistas: para o sudeste em direcção ao Norte
da China; para o sudoeste, através da Pérsia muçulmana, e para o Sul da Rússia.
Por todos locais onde combateu, a cavalaria mongol obteve sempre as maiores vitórias.
Só em parte deviam os Mongóis os seus sucessos ao factor número (com um exército
de 250 000 homens era demasiado pequeno, na avaliação feita pelos chineses).
Contudo, mais importante que o número de homens em combate, eram os poderosos
arcos de flechas, que podiam matar um soldado à distância de 200 m, além do
facto de os cavalos e os cavaleiros resistir de modo espantoso à fadiga. O
chefe tinha imposto uma rigorosa disciplina militar e organizou as suas tropas
em unidades de 10, 100, 1000 homens. Táctica genial, Gengiscão, ou melhor “O
Grande Cão (Khan)” sabia muito bem como e quando podia cercar o inimigo ou como
atraí-lo, fingindo retirar, logo surgia a terrível emboscada. Ao mesmo tempo, O
Grande Cão aterrorizava os seus inimigos, queimando-lhes as aldeias, cidades,
depois de conquistadas, chacinava sem piedade e os seus habitantes. Felizmente
que o Grande Cão morreu em 1227, numa altura em que o seu Império ia desde o
oceano Pacífico ao mar Negro, os seus sucessores ainda alargaram mais
fronteiras do Império daquele Grande Khan Mongol chegando, então à Alemanha,
Ocidental e à Palestina do sudoeste. Com a chegada de mais Khans (não confundir
com cães) em 1280 o império abarcava toda a China, onde se instalaram.
Confrontar textos e gráficos
de “ A HISTÓRIA”, Ed. Europa América, vol I, Lisboa, 1964.
O pobrezinho
colaboradora
De regresso à minha casa
Encontrei um pobrezinho
Caído na berma da Estrada.
Dei-lhe o meu braço amigo
Ajudei-o a caminhar
Levei-o p’rá minha casa
E dei-lhe do meu jantar.
Matei-lhe a fome com pão
Com àgua a sede matou
Uma manta p’ra agasalho
E em minha casa ficou.
E logo ao romper da aurora
Com forças p’ra caminhar
Lágrimas de gratidão
Dos olhos lhe vi saltar.
Ouve amigo meu irmão
Se encontrares um mendigo
Se nada tens p’ra lhe dar
Dá-lhe o teu braço amigo.
Escuta meu bom amigo
Não esqueças a lição
Nem só da mão sai a esmola
Sai também do coração.
O gesto é tudo
Antero Sampaio
Colaborador
O gesto insólito, inqualificável, injustificável e
atrevido do Sr. Dr. Manuel Pinho, durante o debate do Estado da Nação, na Casa
da Democracia, que é a Assembleia da República, correu todo o Mundo, foi capa
de jornais e revistas, de aberturas nos telejornais e estações de rádio e fez
esquecer, por momentos a transferência multimilionária do Cristiano Ronaldo
para o Real Madrid e a crise que continua a
afectar o nosso País.
Este triste acontecimento, num “Portugal
dos Pequeninos”, que pertence à União Europeia, ocupando, em todas as valências,
o lugar dos últimos, noutro País, não teria o impacto dum “tsunami” político
que lhe querem atribuir. Há Parlamentos onde os deputados se agridem
verbalmente, com insultos muito graves, com ameaças até de confrontos físicos,
mas que têm o valor que têm. Nada mais. Com o Dr. Manuel Pinho, não aconteceu assim.
Farto de apanhar pancada durante quatro anos e meio, ciente que exerceu o seu
mandato da melhor maneira que soube e que pôde, satisfeito por ter resolvido,
duma forma positiva, alguns problemas delicados em diversas empresas,
contente por ter colocado o nosso País,
nos lugares cimeiros das energias renováveis, sector onde Portugal é deficitário,
este ex-Ministro da Economia, como não é político profissional, não aguentou
mais insultos e disparou, duma forma nada convencional, que pôs todo o País a
olhar para ele e a crucificá-lo. Creio que poderia ter reagido duma forma mais
benigna, com um sorriso nos lábios, com um certo desprezo até, mas não. Como um
jogador de futebol, que passa o tempo de jogo a ser massacrado pelo adversário,
com o olhar sereno dum árbitro bonacheirão… em determinada altura, com uma
entrada mais violenta, perde a cabeça e agride o adversário, tal como fizeram o
Zidane e o Pepe. Por este acto
irreflectido, é expulso, prejudicando a sua equipa, que fica reduzida no seu número
de jogadores. E o Dr. Manuel Pinho, que é uma pessoa inteligente, sabia muito
bem que estes actos pagam-se muito caro e é agora o Sr. Ministro das Finanças
que vai abarcar a pasta da Economia, ele que já se vê “grego”, para aguentar o
barco do dinheiro deste País.
No meio disto tudo, entendo que o
Dr. Alberto João Jardim tem toda a razão ao afirmar que no Parlamento da
Madeira, este acontecimento, que é noticia nacional e mundial, seria um momento
de bom humor, hilariante até, não merecendo o valor que está a ser dado no
Continente. Na Madeira, se o Dr. Jardim mostrasse uns “corninhos” a um
deputado, este, concerteza, acharia muita graça, e não levaria muito a sério este insulto político, pois é
de política que se trata. Mas a Madeira é a Madeira e o Continente é o
Continente.
Caro leitor. Portugal atravessa uma
das maiores crises da sua existência. O desemprego não pára de aumentar. Os
empresários fazem “das tripas coração”, para manter os postos de trabalho dos
seus colaboradores. Os pobres, cada vez são mais pobres e os ricos não param de aumentar, honestamente ou não,
as suas fortunas. O custo de vida não pára
de subir e cada vez mais o poder de
compra dos portugueses é menor. Falo por mim.
Portugal,
passados trinta e cinco anos do vinte e cinco de Abril, que prometeu aos
portugueses, melhor qualidade de vida, em todos os sentidos, ainda está longe
duma estabilidade política que garanta à população portuguesa, mais emprego,
melhor saúde, melhor ensino, etc. etc. O aumento da abstenção, nos actos
eleitorais é sinónimo de desencanto, de descrença na classe política, duma
certa tristeza dum povo que viveu muitos anos em ditadura e que, agora, em
Democracia se vê, confrontado com uns políticos, quer sejam de Direita ou de
Esquerda, que prometem muito, mas que nada fazem. A continuar assim, o fosso
entre os ricos e os pobres vai aumentar ainda mais, o desemprego de jovens
licenciados, começa a ter índices preocupantes, os empresários, sem encomendas,
fecham as portas, a população idosa começa a não ter dinheiro para comprar os
medicamentos e com este panorama aterrador, ainda hoje se fala do Ex-Ministro
da Economia, Dr. Manuel Pinho que, na Assembleia da República, teve um momento
infeliz de mostrar uns corninhos a um deputado da Oposição. Um Pobre País e um
País Pobre. E por último, uma pergunta: será que poderemos algum dia viver, com
estabilidade política? Têm a palavra os políticos profissionais.
Feira do Cavalo
Lima Barreto
Colaborador
O pobre camponês que conhecia só os
garranos pelos menos estava naquele local de corrida, porque gostava de
cavalos.
Nós, por exemplo, tendo o cavalo
como um animal perfeito, tal qual atleta olímpico, temos por ele um certo
respeito e medo, por causa do seu coice. Ora o cavalo só dá coices quando está
“zangado” com ele ou com o cavaleiro, ou então, quando pressente em nós o medo.
Nada pior que o medo para assustarmos qualquer animal. Mesmo quando um cão
corre contra nós, não devemos fugir e se pararmos, ele pára também e não nos
faz qualquer dano, tirando o psicológico.
Em Ponte de Lima tudo cresce, tendo
se dá, como a semente no campo do agricultor. Já na capital deste Alto Minho,
nada cresce sem contestação. Parece-nos o exemplo de uma planta chamada salsa
que dizem que não cresce em terra de gente invejosa. Será que Viana tem inveja
a Ponte de Lima? Deixamos a pergunta no ar e responda quem souber.
O cavalo, no mundo etoniano, era um
arquétipo portador de morte e de vida, porque em épocas remotas, as guerras,
metiam no seu forte, a cavalaria, quando não havia ainda canhões de infantaria.
Os psicanalistas referem-se ao
cavalo como símbolo do “psiquismo inconsciente” ou da psique não humana, mas
com “inteligência”.
Impetuoso, elegante, nobre, ele às
vezes é benéfico, outras vezes maléfico, quando atira para o chão quem o monta,
talvez mal.
Não é um animal muito submisso, pois
só obedece a rédeas, curtas, seguras e inteligente. Dentro de “ferros” , couraça,
armadura, etc, é um animal quase de poderes mágicos. Tem tradições na
literatura, já nas antigas Grécia e Roma, onde sempre exerceu funções de guia e
de intercessor, numa palavra própria, de “psicopompo”. Sob este aspecto ele é
mesmo um animal cheio de magia, de peito largo, coração de leão e corrida quase
de lebre. Dizem muitos que os cavalos têm muita coragem que alguns confundem
com inteligência. Inteligência ou instituto, o certo é que é também um repreensível
amigo, donde já até se use o cavalo para a terapia da deficiência física ou
mental, com resultados apurados, positivos.
O cavalo despertou sempre o nosso
imaginário, e ficamos contentes, por Ponte de Lima ter agora um autódromo a nível
internacional, que muito contribui também para que os limianos continuem a
valorizar o seu garrano ou o seu cavalo maltês, ou seja, o cavalo do monte.
Estas duas raças deverão crescer na região, e como os cavalos são o carro que
puxa o Sol, então que o sol limiano, seja puxado sempre por garranos e cavalos
do monte, porque no futuro, Ponte de Lima, pode ter também cavalos lusitanos,
que é uma paixão superior do povo português, ou melhor das gentes lusitanas.
Parabéns a Ponte de Lima, não só pelos cavalos, mas também pelos possíveis
cavaleiros que se venham a perfilar na aerófago cavalar nacional.
O cavaleiro não é uma estátua em
cima de um cavalo, como alguns retratos importantes, reproduzem, mas o
cavaleiro é antes de mais um “cavalo humano” a dirigir um cavalo de raça
apurada, geneologicamente, ou não.
Um cavaleiro é hoje, não um
guerreiro, como outrora, mas antes um artista da arte equestre, sem estilo de
Guerra ou de morte, como na antiguidade mitológica, mas antes como o artista da
aventura da nossa vida, que dá à verdadeira competição um sentido físico,
psicológico, estético, científico e até ético. Recordemos, por exemplo o
simbolismo mítico dos “cavaleiros do santo graal” que faziam parte do “Palácio
Celestial” da nossa bela literatura épica.
As Festas do Cavalo em Ponte são
para continuar.
Repugnante
Hélio Bernardo Lopes
Colaborador
Ao pensamento de imediato me ocorreu
o tristemente célebre caso canadiano do Colégio da Divina Providência, situado
em Québeque, onde algo de semelhante teve lugar, embora com uma outra variante,
mas cuja natureza, neste tempo de empobrecimento acelerado, pode muito bem
estar de regresso por onde menos possa esperar-se.
E pude, por igual, recordar os
milhares de casos que tiveram lugar nos Estados Unidos, ao longo de décadas,
sempre em torno de jovens desamparados ou pobres, abusados e vilipendiados na
sua dignidade, por aqueles que se apresentavam como seguidores de Jesus Cristo,
mas que mais não eram que réplicas do Diabo.
Como naquele colégio canadiano, também
neste caso dos colégios irlandeses parece que os criminosos sairão por sobre a
fasquia da Justiça, mostrando que as instituições religiosas de há muito vêm
funcionando como escudos protetores dos que, na sua estrutura, se determinem a
praticar crimes os mais hediondos.
Tinha a hierarquia da Igreja Católica
da Irlanda que saber de uma tal realidade, à semelhança do que se deu no Québeque
e nos Estados Unidos, entre outros países. E o mesmo terá de aceitar-se no
respeitante ao conhecimento que terá existido ao nível das estruturas centrais
da Santa Sé, como se pôde perceber a partir das orientações do Vaticano no
sentido de evitar queixas públicas por parte das vítimas de tais ignomínias nos
Estados Unidos, já lá vão décadas muitas.
Mas o que mais este escândalo sobre
crianças em mim reforçou foi a ideia, que de algum modo sempre tive, de que o
Vaticano terá sempre tido conhecimento do que se passava na Alemanha de Hitler,
apesar de nada ter sido dito ao tempo. Como de resto ainda hoje. É-me legítimo
acreditar numa tal realidade, perante mais este escândalo conhecido desde
sempre e nunca parado nem denunciado.
Essencial é não esquecer a proteção
dada, no próprio Vaticano, ao croata Ante Pavelic, logo após o fim do segundo
conflito mundial, depois de ter superintendido no assassínio de cerca de
duzentos mil sérvios ortodoxos. Quem tiver a oportunidade de conhecer um sérvio
culto, de imediato ficará a saber o quão longa é a memória daquele povo, e de como
só com extrema dificuldade os sérvios de hoje e de amanhã poderão esquecer os
crimes praticados sobre os seus antepassados, sobretudo pelos croatas católicos
durante a última grande guerra.
Tomo por evidente e indiscutível que
a mensagem de Cristo e os textos deixados pelos evangelistas constituem autêntica
e natural linha de rumo, para cada um de nós e para o Mundo. O mesmo se não
pode dizer da Instituição que Cristo fundou, porque a Igreja Católica, pelos
mil e um repugnantes exemplos deste tipo, e de outros igualmente repudiáveis,
de há muito deixou de ser exemplo para o Mundo. A prova de que assim é está,
mais uma vez, na postura assumida perante quanto agora se conheceu
publicamente: naturalmente, tem de condenar, mas nada faz para castigar, perante
a Justiça, os crimnosos que no seu seio se acolitam desde há décadas. É a
vergonha das vergonhas.
Campanhas eleitorais
Colaborador
Efectivamente não há praticamente
medida que não tenha contestação imediata, mas os resultados de muitas só se vêem
a prazo e, mesmo que se vejam até à campanha eleitoral subsequente, vai faltar
a reanálise, a reavaliação que eventualmente poderiam diferir das conclusões
tiradas à altura. Passa por mais importante o debate teórico, feito na ocasião
do lançamento de uma medida, que o debate que se poderia fazer estando já na
posse de dados da sua aplicação.
Dir-se-á que vai depender da força
que as forças políticas interessadas conseguirem imprimir aos assuntos que mais
lhe são favoráveis de modo a inclui-los na agenda política. Força que a razão
decerto reforçará mas que se terá que dispersar contra muitos temas, muitos
adversários, no meio de muita controvérsia inútil criada pela manha e engenho
dos mesmos. As condições para o debate nunca mais serão as mesmas.
Outra desvantagem da campanha
permanente é o desgaste que provoca na capacidade de acção e de inovação. Não só
pode ter efeito negativo na acção em concreto, quando esta poderia vir a ser
benéfica, como tal efeito se pode repercutir noutras acções e iniciativas a
tomar. A oposição agarra-se à ideia de que é melhor ganhar agora que esperar
ganhar a prazo e que é necessário perturbar a eficácia alheia. A situação tenta
junto da população que tenha validade a máxima “deixem-nos trabalhar” e deixem
a avaliação para depois.
Na verdade são as medidas mais
radicais, que implicam mudanças irreversíveis, que são mais difíceis de
implementar, que sofrem mais contestação, que têm resultados a mais longo
prazo. A fragilidade do sistema democrático permite que haja armas de que a
oposição, mesmo em minoria, se pode munir para embaraçar, atrasar, ir diferindo
essas medidas para que nunca se consiga a sua plena execução. E muitas vezes
pior que nada fazer é implementar uma medida só parcialmente.
Isto torna difícil, senão impossível,
fazer do Estado um edifício coerente, há retalhos de medidas que ficam
aplicados aqui e acolá e outros que nunca se chegam a aplicar, há sectores
evoluídos e outros que não conseguem sair de uma organização artesanal. Também
isto tem um efeito directo na criação de injustiças relativas, de desequilíbrios
internos e externos às organizações, de desigualdades funcionais, nos meios,
nos rendimentos, no pleno dos factores sociais.
Como fortalecer a democracia,
impedir bloqueios extemporâneos, conseguir cumprir até ao fim e mantendo a
mesma força mandatos expressivos? Suspender durante um tempo a democracia, seja
por via da ditadura do proletariado ou duma ultraliberal, não é solução.
Acreditar que as coisas acabarão bem após este jogo de forças que de algum modo
vai permitindo avançar parece ser o mais lógico.
Mas para quem não vê lógica na crença
vejamos: A maioria dos avanços, feitos em particular nos últimos cinquenta anos,
não se deve à política mas a outros factores de natureza social e muitos deles
desenvolveram-se mesmo contra a política. Resistências ao desenvolvimento
sempre se manifestaram e principalmente quando este tem repercussões nas
estruturas sociais.
Em primeiro lugar temos a ciência no
seu ramo físico, a ciência dita experimental e a sua ramificação utilitária que
é a tecnologia. Será despiciendo destacar alguns dos seus ramos ou realizações,
mas, quanto aos seus efeitos derivados da conjugação de muitos factores,
pode-se realçar aqueles que se referem à alimentação, à saúde e à comunicação.
Temos depois a ciência computacional
cujas realizações já hoje abarcam quase todos os domínios da actividade humana.
Sobressai ainda a ciência das organizações que se foram tornando autónomas da
ciência do poder. Por fim, mas não menos importantes, temos todas as outras ciências
humanas, cuja evolução tem sido mais lenta, mas cujos efeitos se tem feito
sentir em toda a vida quotidiana das pessoas.
Também a ciência política tem
sofrido avanços mas também aqui há resistência da parte das velhas estruturas e
protagonistas. A incomodidade é grande ao faltar saber para lidar com novas
realidades. A política vê-se agora sob pressão não já para criar ou dar origem
a fenómenos novos, mas para acompanhar e enquadrar a evolução desencadeada a
partir doutros centros de poder.
A introdução de novas tecnologias,
de novos procedimentos computacionais e organizacionais, de novos
comportamentos pessoais e colectivos faz-se em muitos casos sem pedir o
“agreement” dos políticos e de muitos sectores sociais que se lhe oporiam se
tal lhes fosse possível. Fazem-se muitas vezes sem Leis que enquadrem esses
novos fenómenos, colocando os políticos numa corrida louca para irem atrás,
suficientemente perto para não perderem o controlo total.
Estamos numa sociedade em que existe
uma ânsia medonha de que haja Leis sobre tudo. Mesmo que em muitas situações se
pudessem aplicar Leis já existentes pela verosimilhança com outras, exige-se a
descrição pormenorizada de todo o contexto invocável, a referência explícita a
cada um dos seus elementos particulares. Só isto já coloca o governo sob pressão
máxima e a oposição ajuda e até se ri enquanto está nessa posição. A população
incrédula exaspera.
Isto é também um dos factores que
leva a oposição, a imprensa e o público em geral a criar uma espécie de
tribunal permanente, um julgamento em que os argumentos esvoaçam ao sabor do
vento dominante no momento. Colocar o governo a trabalhar mais e melhor, dar à
oposição menos poderes de interferência, não será só por si qualquer remédio
para a questão. Só uma maior cultura política da generalidade das pessoas
permitirá melhorar este ambiente por vezes infernal.
O martírio
Eugénio Monteverde
colaborador
Luzia
do outeiro continua à espera
da
filha, que numa distante Primavera
partiu
cheia de promessas e ilusão.
Não
sabe que ela está prisioneira
de
rufiões, se insensíveis mafiosos,
que
vende os seus dotes bem graciosos
a
quem, na calçada, dela se abeira.
E
a Tia Luzia, de lencinho na mão,
seu
velho confidente de há longos anos,
vai
enxugando as lágrimas dos enganos,
os
profundos suspiros da insatisfação.
O
enfarruscado cão, fiel companhia,
parece
adivinhar o que lhe vai na alma
e
fica junto desta mulher enfadada e calma,
afaga
as rugosas mãos da Tia Luzia.
Naquele
rosto onde só o olhar brilha
sobre
o baixo-relevo da sua cruel dor,
apercebemo-nos
daquele imenso amor
que
sempre devotou à sua querida filha.
E
o povo, compreensivo, não passará
sem
vir consolar a pobre Tia Luzia
dizendo
para ter fé em Deus, que um dia
a
sua inesquecível filha voltará!
Confúcio incentiva
João Gonçalves Costa
colaborador
Desta
forma, a autoridade do Estado do seu tempo ainda se reforçou mais com o
confucionismo. Confúcio era um mestre muito antigo, que reencarnara para
servir de ponte de união àquela grande nação que queria impor-se como potência
mundial, mas os seus vizinhos Caim, amiúde, sobre ela e, pelo processo da
corrupção, impunham imperador de feição sem formação nem dignidade, demasiado
corruptos.
A Filosofia de Confúcio era simples
e prática: exaltação dos laços que deviam unir amigos e inimigos, irmãos,
maridos e mulheres, pais e filhos e, acima de tudo, governantes e governados.
O lema de Confúcio era parecido com o de Jesus-Cristo, mas em termos activos e
funcionais: Faz ao teu Irmão aquilo que querias que ele te fizesse. Mais tarde
tudo isto foi virado ao contrário e aí temos o fruto. Apesar de muito feio e
ter sido repudiado pelo pai, o Mestre Confúcio era muito mais Belo por dentro.
Pois tinha passado pela Europa, em vidas passadas, conhecendo-se duas delas: o
Filósofo Séneca (séc. I), e o autor e
estadista medieval Boécio (sécs. V e VI)- ver Pérolas de Luz, vol II. Ainda no
tempo de Confúcio, houve grandes mutações sociais, com o aparecimento de novas
castas e novos modos de recrutamento dos
funcionários, através do novo sistema de exames. Surgem, então os nobres
rurais, que viviam em extensas fazendas(chuang-yuan) geridas por caseiros, de
mistura com servos da gleba ou escravos. Milhões de homens passaram pelo
trabalho forçado, devido à prática corrente de comprar e vender simultaneamente
as terras juntamente com os seus trabalhadores. (Lembramos o Brasil, depois
de Cabral).
Contudo, devido ao enriquecimento rápido
de algumas classes, começou a desenvolver-se um conjunto de utensílios para
obter maior produção: grades, cilindros, adubos, rotação das culturas e introdução
de trigo de amadurecimento rápido. Aumento muito a produção de alimentos e
permitiu um grande desenvolvimento da população activa. Em três séculos, cerca
de 1200 a população do Sul da China triplicou e a China dos Song e Chin juntas
totalizavam 100 milhões de seres humanos. Por todos os lados se expandiam os
pequenos comércios que, lentamente, se transformara em grandes espaços
comerciais e urbanos. Agora sem programação nem controle oficial os mercados
abriam-se para os chineses e para os estrangeiros. Havia enorme tráfego de
mercadorias fabricadas de oferecidas livremente ao mercado Havia grandes
corporações urbanas de mercadores e artífices, na sua maioria especialistas na
cultura e fabrico de sedas, lacas, porcelanas, produtos agrícolas, aves e
animais domésticos para servir o grande público. Bancos e companhias privadas
desenvolviam-se e financiava vultosos negócios com papel-moeda, emprestado a
juros. No mar também se desenvolveu um importantíssimo comércio, especialmente
entre as cidades litorais mais ricas de então: Ch’üan-chou, Amói e Cantão. Mais
tarde surgiu Macau, muito perto destas áreas. Nestes portos, os muçulmanos já
eram senhores de muito respeito, além de outros estrangeiros, especialmente
povos da longínqua Mesopotâmia.
Com tanta riqueza comercial, a
maioria dos chineses elevaram o nível cultural, técnico, científico e
espiritual. Muitos construíam wa-tzu (ou jardins de prazer e bem-estar). Eram,
portanto, predecessores das casas de campo, dos nossos dias. A cultura também
tinha o seu lugar cimeiro: teatro, fantoches, jograis e contadores de estórias
(cujos contos se transformaram nas primeiras novelas). Muitas peças teatrais e
romances estimularam, por sua vez, um intenso comércio editorial de livros
produzidos em série. Daí nasceu uma importante classe urbana de literatos.
Cerca de 1200 as escolas particulares e oficiais multiplicavam-se rapidamente,
dando resposta às exigências não só dos exames oficiais, como da cultura
popular. Consequentemente, as cidades do Sul, incluindo Hangchow, que era a
maior cidade do Mundo, tornaram-se grandes centros de ensino. No séc. XIII, os
matemáticos chineses eram peritos em álgebra e os médicos já tinha inventado
uma vacina contra a varíola. Em resumo, pode dizer-se que a “revolução
comercial “da China e a reforma governamental Song tiveram enorme repercussão
na Sociedade chinesa. Contudo, os reformistas e os investidores Song não
conseguiram enfrentar a fúria e a ambição dos seus inimigos internos e
externos. O fim dos Song surgiu repentinamente
em 1279, com a morte do último imperador desta dinastia, ao fugir do
furioso ataque das irresistíveis hordas de mongóis, que passam a ser, agora, o
novos senhores da China e não só, pois muitos países nossos coevos, agora mais
sossegados, têm suas raízes mais profundas nas diversas Tribos mongóis: para
que não esqueçam, lembramos alguns: Turquia, Hungria, Finlândia, grande parte
da população russa do Oriente, onde se mistura muito sangue mongol. Não se
sabe bem se os actuais Bascos também se possam meter classe, incluindo muitos
ciganos que vagueiam pelo Mundo e ignoram as suas raízes.
Narciso
colaboradora
Narciso
minha paixão
Tu
bateste à minha porta
Eu
abri-te o coração.
Narciso
da minha vida
Narciso
dos meus sonhos
Fico
sempre enamorada
Quando
olho nos teus olhos.
Decerto
tu serás meu
Tenho-te
tanta feição
Vives
no meu pensamento
Moras
no meu coração.
Já
passaram tantos anos
Narciso
da minha vida
Eu
abri-te o coração
Naquela
noite esquecida.
Naquela
noite esquecida
Tu
bateste à minha porta
Eu
abri-te o coração
Levaste
a chave que importa.
Eu
abri-te o coração
Levaste
a chave que importa
Eu
passo os dias à espera
Que
venhas bater-me à porta.
E
nesta noite tão fria
Teu
carinho é meu abrigo
Diz
só que me tens amor
Que
eu fico sempre contigo.
Ovos de Páscoa
Colaborador
A história de
cada povo é a sua maior riqueza e nela cabem os acontecimentos que definem a
personalidade jurídica, cultural e política de um homem social, além de um todo
conteúdo sociológico baseado em arquétipos de rico conservadorismo, como são
as lendas, as tradições, os costumes.
Agarramo-nos tantas vezes
a diversas efemérides, não tanto para reforço do tradicionalismo, mas mais
como um elemento essencial de nós próprios, que é a alegria.
Aparece agora no segundo
trimestre do ano, a Páscoa; como símbolo da alegria.
Mas porquês se ela pressupões toda uma quarentena
quaresmal imbuída de sacrifício e de luto? Não interessa intronizar os
sacrifícios, mas antes personalizar a alegria.
A tradição popular é
semelhante a um pássaro que faz o seu ninho; parece sempre tudo igual; é feito
quase sempre das mesmas coisas; e sempre lindo; e todas as vezes diferentes. Há
que preservar as boas tradições, ainda que elas estejam ou não ligadas pelo tal
“ópio do povo”. E este povo precisa tanto de festas, quase como mudar de roupa,
para imprimir nova cor aos dias, à rotina dos quotidianos ou ao monocórdico
despertar das manhãs. O envolvimento das pessoas, na Páscoa, faz-se de mil
maneiras, mas manda a tradição que os padrinhos dêem o “folar” aos afilhados;
que se triture amêndoa ou que se saboreie uma fatia de pão-de-ló; que se
distribuam tremoços pelos mais carenciados, acompanhados de uma pinga que
espirre de uma torneira, tempestivamente; que se coma fartamente o cabrito
assado ou se pintem os ovos de policromas tonalidades. Enfim, a Páscoa é doce,
como o Carnaval é gordo.
As famílias juntam-se
deslocam-se como se a atracção fraternal fosse um íman induzido pelo calor da
recíproca generosidade. As casas cheiram a fresco porque o lixo não pode
coabitar com a curiosidade feminina das pessoas e das coisas. Então vai daí que
a barrela também é comadre da Santa Páscoa.
Falar de Páscoa serve
assim para atenuar os nossos fracassos, endivida as pessoas face ao repto da
doçura; faz esquecer mazelas; parece que a vida é mais fácil, os projectos são
encapotados com túnicas brancas a substituir o roxo quaresmal. Alguns
confessam os seus pecados porque lhes são pesados; outros subtraem-nos com
singeleza, dormindo sobre eles, como a cinza adormece sobre o carvão queimado.
Afinal, todos temos os nossos defeitos; e estes são a coisa mais repetitiva do
dia-a-dia; é fácil ter um defeito, difícil será cultivar uma virtude.
Dado que a ponderabilidade
do quotidiano exige toda a espécie de renúncias, também a espontaneidade de um
festejo reivindica colocar-se na passarela com alguns sonhos cor-de-rosa ou de
marfim. Sonhos com cheirinho de alecrim; oportunidades geradas e não consubstanciadas;
delírios de um prazer ilimitado de criar génios sem defeitos, enfim, milhões de
situações deliciosas que são como ovos da nossa bela Páscoa. Os sonhos não são
para se materializarem, senão deixavam de ser sonhos.
Há prendas que se não
chegam a receber porque o orgulho de cada um, por vezes, mancha o dever
gratuito da generosidade. Todos nos sentimos felizes quando alguém se dá com
naturalidade aos outros; não estamos assim tão longe uns dos outros, mas
quantas vezes fazemos a caminhada como duas montanhas paralelas, mudas como
surdas. Os Ovos da Páscoa que cada um espera receber, podem não ser senão ovos
de avestruz rachados ao meio.
A vida não está fácil e
poucas são as pessoas que esperam por Ovos da Páscoa. A própria governação que
nos oferece? Uma alarmante carga fiscal; um ensino que continua em crise
permanente; uma saúde para os portugueses que está assente em estruturas
anquilosadas; uma convivência social baseada na degradação continua do uso e
abuso dos bons costumes e das boas maneiras; uma comunicação social que nos
atira para autênticos campos de
concentração do fútil e do inútil, tornando o homem, preso da máquina e si
próprio; poluição das ideias que se esvaziam de ideias. Esta visão é bastante
pessimista, mais ilusória que os Ovos da Páscoa, mas de facto o síndrome
moderno parece ser a destruição do homem pelo homem, comparativa a uma
eutanásia provocada e consentida.
Ovos de Páscoa. Quanto
engano.
Seria bom que algo de
melhor nos reservasse a nossa própria compostura social; que as crianças não
fossem aritmeticamente fechadas em gavetos socio-culturais, delineados pelos
nossos erros, perante a incapacidade de vencermos uma batalha, que não é senão
a nossa própria sobrevivência.
O Compasso
Jaime Franco
colaborador
O compasso é um negócio,
Que está para durar,
Qualquer padre arranja um
sócio,
Para ocupar o seu lugar.
No tempo em que cada
padre,
Tinha a sua freguesia,
Era Páscoa de verdade,
Hoje é pura fantasia.
Mas mesmo sendo
diferente,
É sempre uma festa
alegre,
Porque hoje esta nova
gente,
O que quer é come e bebe.
E isso é coisa que não
falta,
Já deixou de ser
surpresa,
O melhor que há na
ribalta,
Aparece em muita mesa.
O que gosta de doçura,
E portinho a acompanhar,
Vai encontrar com
fartura,
Em qualquer casa que
entrar.
Há lagosta e camarão,
Champanhe para
acompanhar,
Há cabrito e há leitão,
E até lampreia e caviar!
Há presunto e salpicão,
Há bebidas a granel,
Há tinto do carrascão,
E aguardente com mel.
Uns cantam a aleluia,
Outros só fazem barulho,
Dão ao Compasso alegria,
E vão enchendo o
bandulho.
Para acompanhar a Cruz,
Até há quem tire férias,
E à pala de Jesus,
Tira o ventre de misérias!…
A máquina fotográfica de Kirlia (13)
João Gonçalves Costa
colaborador
No Ocidente acredita-se
no trabalho dos Devas e os Elementais para defender as grandes massas de
árvores. Em Portugal, tudo quanto é florestal, lenhoso ou capaz de fazer sombra
a alguns, arde e destrói tudo. Então, quando chegam. os bombeiros pouco envolvidos e, finalmente, proceder ao
relatório das despesas a cobrar ao nosso povo.
Desde há milhões de anos que o Homem tem
vivido em paz e respeito pelos mares e pela Natureza. No Oriente, os monges
passavam mais tempo na floresta do que na cidade, ou nas salas de jogos e
haréns. As preces, as orações, os
mantrams, o sacrifício, o jejum, as mensagens de paz e amor são formas antigas
e modernas de ajudar o Planeta a equilibrar suas energias vitais, planetárias e
cósmicas. Os muçulmanos dizem: “Se Maomé não vai à montanha, a montanha vem
a Maomé.” E nós, onde vamos, depois dos incêndios? Restam-nos, pois, as
hortas fluviais para refrescar os neurónios.
A Flora e a Fauna são
dois pilares da Vida na Terra. Se fôssemos clarividentes, ou atentos ao
despertar da nossa consciência individual e colectiva, facilmente concluiríamos
desta verdade.
Nos anos de l939, Semion
Krasnodar Davidowitsch Kirlian, técnico de electrónica,
cidadão soviético de origem arméni (Croácia), conseguiu, pela primeira vez,
fixar imagens de uma mão e de folhas de plantas vivas, em fotografia, segundo
um aparelho por ele concebido. A partir daí, numerosos investigadores se
debruçaram sobre esta temática. Os esposos Kirlian provaram que se podem fixar
em fotografia as energias das plantas, bem como dos próprios humanos. Basta
arranjar maneira de as fotografar pelo referido processo.
Afinal, o que essa
máquina capta são as vibrações, diríamos, a consciência vibracional, dessas
plantas (que não é igual para todas). Geralmente usam-se as folhas e as flores
para efeito de análises, já que os caules e as raízes funcionam como canais
condutores de energia. O estudo das plantas ajuda também à compreensão do papel
do homem na Terra e às suas obrigações,
face à defesa intransigente dos elementos que nos rodeiam.
Um erro político
Hélio Bernardo Lopes
Colaborador
Decorreu há dias lugar em
Lisboa um colóquio subordinado ao tema, Tempos de Transição, em que foram
oradores Marcelo Rebelo de Sousa e Ana Maria Caetano, filha do antigo
Presidente do Conselho, Marcelo Caetano, e que tratou, precisamente, da
passagem deste nosso político pela chefia do Governo.
Marcelo referiu, por
igual, que Caetano terá chegado ao poder dez anos mais tarde do que seria
desejável. É um ponto com que não concordo completamente, porque a sua
aceitação remete-nos para a possibilidade de Caetano dispor já nesse tempo mais
antigo de uma visão política para o futuro das nossas antigas províncias
ultramarinas, o que, de quanto li até hoje, nunca encontrei.
Tocava a nossa questão
ultramarina demasiado fundo a vivência histórica dos portugueses, o que foi
possível observar em Almeida, por via de uma histórica intervenção pública de
Teófilo Carvalho dos Santos, logo ao início da violência no norte de Angola,
quando ali se manifestou contra a barbérie que havia sido praticada e em favor
da defesa da presença portuguesa na nossa antiga província ultramarina.
Claro está que tal
posição veio depois a sofrer modificações, mas também é verdade que as mesmas
se ficaram a dever à moda da época e não a um equacionamento capaz de quanto
estava em jogo.
Fora do poder da nossa
vontade, o tempo foi naturalmente decorrendo, e o que hoje se pode ver da
situação vivida pela maior parte do continente africano não é de molde a
sufragar a iniciativa de conceder independências do modo como tiveram lugar,
quando os europeus se deram conta de que poderiam explorar as riquezas daquele
continente com um preçço muitíssimo mais baixo.
O que é paradigmático é o
caso do Zimbabué, desde o início da sua independência apontado como um caso de
descolonização exemplar, mas onde, afinal, a sua população de pouco era
detentora, porque a grande riqueza do país ficou, naturalmente, nas mãos dos
históricos colonizadores. O resultado está hoje bem à vista.
E o que é verdade foi o
referido em certo discurso de Caetano, a cuja luz, sem as nossas províncias
ultramarinas Portugal ficaria de mão estendida perante a Europa mais
desenvolvida. Precisamente o que se tem visto, e num domínio onde, afinal,
nunca a nossa dita democracia concedeu aos portugueses o naturalíssimo direito
de decidir o futuro do seu País.
Atualmente oitocentos mil
portugueses vivem em Angola, sendo que o ritmo da sua chegada ali só não
crescerá se for impedido, sendo que está a mostrar uma realidade histórica de
há muito conhecida, ou seja, que o País não consegue um desenvolvimento
harmonioso e sustentado só por si. Vistas bem as coisas, nem mesmo o dinheiro
europeu chegou. Ao contrário, o que voltou foi o novo Eldorado de Angola e a
generalizada emigração para as mais diversas partidas do Mundo. Precisamente o
que Caetano referiu nesse seu longínquo discurso.
O ascendente da política
Manuel Pires Trigo
Colaborador
Duas poderosíssimas
forças se digladiam, se conluiam, se harmonizam perante a nossa clara
impotência. Desde que a economia assumiu o seu papel na sociedade, libertou
outras forças e as pôs a colaborar no sentido de obter novos bens que não só os
naturais, que a política, até aí única força dominante na sociedade, com a
fiscalização mais ou menos próxima, mais ou menos comprometida da religião, vem
travando uma luta inglória pela reconquista da hegemonia.
No caso português a
economia nunca teve um papel notório nem mesmo antes de Salazar, quanto mais na
ditadura deste. A política sempre foi preponderante e os agentes económicos
sempre foram subservientes perante ela. No entanto não era este ascendente que
os políticos democráticos pretendiam ter. Após o 25 de Abril e após um pequeno
período de capitalismo de Estado mal definido, até foi a política que mais
contribui para que a economia ganhasse uma nova energia, se libertasse de uma
tutela castradora, obsessiva.
Cedo a economia
portuguesa se integrou para o bem e para o mal na economia europeia e através
desta na mundial. De forme que até podemos dizer que houve sectores da economia
que aprenderam bem mais depressa os esquemas fraudulentos que os processos
honestos. De tal modo que a crise financeira mundial trouxe à tona da água
iguais problemas àqueles que são correntes nos países mais avançados, baseados
na mesma ganância, aventureirismo e inebriamento argentário.
De repente a economia
parece ter ficado de gatas perante a toda-poderosa política que agora sim,
parece não ir deixar a oportunidade de a submeter, à economia, a regras que a
ponham a contribuir tão só para o seu fim específico. Mas nunca o será com o
beneplácito da direita, ainda a sonhar com as benesses do neo-liberalismo, e
que quer deixar que a economia tome de novo as rédeas do poder, se auto
governe, se auto satisfaça e se auto destrua, se for caso disso.
A direita que não é
suicidária estará pronta a arrepiar caminho. Mas cabe à esquerda fazer algo
mais, tomar a iniciativa de lançar princípios que não sejam os velhos
princípios igualitários, sem mérito e sem credibilidade, mas novos princípios
que moralizem a distribuição e o uso do dinheiro. As medidas que podem ajudar a
definir esses princípios são:
Começar pelo fim dos
paraísos fiscais, contra os múltiplos interesses que lutam pela sua manutenção,
mesmo que já se resignam a menos benesses. Depois há necessidade de tornar
claras as condições do empréstimo de dinheiro e da tomada de empréstimo do
mesmo. Só pode emprestar dinheiro quem o tem e só pode pedir empréstimos quem
possa pagar os encargos respectivos.
Não é admissível que se
invista dinheiro na depreciação de qualquer tipo de bens, sejam mobiliários ou
imobiliários. O investimento tem que ser feito pela positiva e com o
conhecimento de toda a espécie de riscos que sejam plausíveis, sendo que o seu
grau de probabilidade será sempre uma incógnita. A economia não necessita dos
complexos produtos financeiros, criados com o único fito de mistificar a
realidade.
Ser proprietário não
significa ter o direito a usar discricionariamente os seus bens, nem mesmo os
rendimentos que deles possam advir. É necessária a consagração do dinheiro, das
empresas, das organizações como bens sociais cuja utilização e usufruto devem
obedecer a regras claras. Impõe-se uma gestão providencial, que tenha em conta
o interesse social e o futuro, incluindo o seu próprio ciclo de vida.
Têm que haver entidades
que se interessem pela viabilidade e vitalidade de cada negócio e que tenham os
poderes de autorizar e fiscalizar a sua actividade, nomeadamente dos desvios que
desvirtuam o fim para que cada empresa é criada. Tem de ser encontrado uma
conciliação favorável entre a livre iniciativa e o condicionamento que se impõe
em sectores em que a anarquia que se instala é prejudicial.
Com a criação dos
negócios especulativos permitiu-se desligar o dinheiro da sua origem no
trabalho produtivo e “autorizou-se” que as pessoas fizessem dele o que mais
lhes aprouvesse. Sendo de todo impossível terminar com a especulação, é de todo
possível impedir que os negócios assentes numa outra actividade ponham a sua
própria viabilidade em risco só por quererem entrar num negócio para o qual não
têm vocação.
O marxismo pretendeu
criar uma relação mecânica entre o trabalho e o dinheiro. A tentativa de a
levar à prática na URSS revelar-se-ia um fiasco monumental. Mas o forrobodó
neo-liberal que se seguiu à queda do muro de Berlim deu no que deu, nesta crise
de contornos tenebrosos. O que esta crise veio provar é que, por mais valor que
os bens que hoje se criem venham a adquirir no futuro, continuará a ser o
trabalho humano a fonte primordial em que vai assentar a economia do futuro.
E quem senão a política será capaz de impor directrizes para a
actividade económica de modo que ela não derive para caminhos duvidosos? Como
há duzentos anos se coloca de novo a necessidade da primazia da política sobre
a economia. Se não forem tomadas medias quanto antes, verificaremos que o
actual ascendente corre o risco de não ser senão passageiro.
Eu acredito
Maria Alice Martins
colaboradora
Eu acredito em Ti Senhor
Eu acredito
Eu acredito na tua mensagem
De paz e amor
Eu acredito tu és o caminho
Eu acredito em ti meu redentor
Eu acredito tu és a esperança
Eu acredito tu és a verdade
A tua palavra é que me enriquece
Eu já encontrei a felicidade
A Estrada é longa
Mas não tenho cansaço
Por mim esperas Senhor
Eu acredito
E eu caminho sorrindo na dor
A força me vem do infinito
O teu rebanho
Conhece o pastor
E já se apascenta
No alto da serra
A tua palavra senhor
Eu acredito
É como a água
Que fecunda a terra.
Deportado não, obrigado!
Defensor Moura
Presidente do Município de Viana do Castelo
Nas últimas semanas os relatos da qualidade arquitectónica de Viana do Castelo têm competido com os recados sobre o meu futuro político, no noticiário local e nacional.
O destaque proporcionado à nova arquitectura vianense pela conceituado revista inglesa da especialidade Wallpaper, a propósito da distinção concedida pela rainha Isabel II ao Arquitecto Siza Vieira, constituiu uma inesperada promoção internacional de Viana do Castelo que, felizmente, foi vastamente reprodu¬zi¬da no nosso país por diversas reportagens publicadas em jornais diários e revistas semanais.
Lamentavelmente, em vez de se congratularem com mais este sucesso de Viana do Castelo, houve protagonistas políticos que estiveram mais interessados em inventar cenários sobre o meu futuro político.
Primeiro propagan¬deando que tinha sido vetada a minha candidatura à Câmara Municipal, aprovada por unanimidade pela Comissão Política Concelhia do PS.
Depois anunciando que eu iria para deputado e, finalmente, que José Sócrates me tinha destinado lugar na lista de deputados do Porto ou de Lisboa.
Foi esta a questão que me foi colocada pelos órgãos de comunicação social, logo que cheguei da minha viagem ao estrangeiro.
Naturalmente respondi que continuo a ser candidato à Câmara Municipal da minha terra natal, dado que não tenho conhecimento de qualquer decisão partidária em contrário, já que a federação distrital apenas avocou o poder de decidir sobre isso, mas ainda não decidiu quem será o candidato.
Quanto à candidatura a deputado, confessei que seria um desafio interessante protagonizar uma efectiva e activa representação do meu município na Assembleia da República, sendo o porta-voz do pensamento e da experiência de Viana do Castelo que há tantos anos faz falta naquele fórum nacional.
Mas sendo, naturalmente, candidato e eleito por Viana do Castelo!
Até porque desconheço qualquer acusação fundamentada de malfeitoria, nem sei de qualquer julgamento que me condenasse à deportação!
Não é muito próprio do sistema democrático o julgamento sem possibilidade de defesa, nem a eliminação administrativa ou desterro de adversários políticos!
Mas sobre isso, terei com certeza oportunidade de expressar melhor o meu pensamento independente, se a tal for obrigado.
Por agora, quero apenas denunciar a forma como esta questão está a ser encarada por alguns dos intervenientes directos ou indirectos neste infeliz episódio partidário.
Como para a maioria deles, ser presidente de câmara foi uma promoção social e ser deputado é um bom tacho, consideram os cargos que me querem “atribuir” como uma choruda compensação para o atropelamento pouco democrático que me prepararam.
Desenganem-se, bondosos beneméritos.
O exercício do cargo de Presidente de Câmara não me trouxe qualquer promoção social na minha terra, nem muito menos qualquer vantagem económica e, até, o inerente protagonismo cívico tive o cuidado de o repartir com os excelentes vereadores que integraram as equipas que escolhi.
Pelas mesmas razões, não considero que ser deputado seja um invejável tacho!
Aliás, nunca precisei nem lutei por tachos, mas não prescindo da intervenção cívica que norteia a minha vida há cinco dezenas de anos, nem abdico do meu direito democrático de exercer os cargos para que sou escolhido e eleito pelos meus pares e concidadãos.
Independentemente, quer das dificuldades do empreendimento quer dos engulhos que possa provocar aos meus adversários!
Alguns pobres levam a vida de rico
Lima Barreto
Colaborador
Há pobres que não trabalham; que não têm doenças e por isso não vão à farmácia; que não perdem o sono por causa de negócios; que não ligam ao vestuário e desprezam mesmo a caricatura de uma gravata formal.
Não têm dinheiro, daí também não terem vícios. O pobre é sempre mais feliz do que o rico, porque não tem preocupações de maior. Não sonha com o que não pode ter nunca; assim não sofre de insónias… O verdadeiro pobre é aquele que nunca sonhou. “ E o que dá ao pobre empresta a Deus”. Pobre não é aquele que tem pouco, mas aquele que deseja mais.
O problema da pobreza é o de ocupar o tempo todo.
A pobreza não é vergonha, só é muito des¬confortável. O maior fardo que o pobre carrega consigo, é a pobreza com pertences. Se a pobreza, por vezes, é mãe de crimes, a falta de juizo é o seu pai. O funeral de um pobre é menos triste do que o rico porque tem pouco acompanhamento. Não pensam no futuro porque o que se diz mal é sempre do passado. O presente, para um pobre é a longevidade da sua vida: normalmente vivem tempo de sobra, muito superior ao que vive uma pessoa rica . Nenhum homem é suficientemente rico para poder comprar o seu passado, muito menos o seu futuro.
Nem a pobreza, nem a riqueza, ouvem a voz da razão.
Na riqueza nunca faltam amigos falsos; os amigos dos pobres, pobres são como eles, e por isso têm inveja de nada.
A riqueza consegue-se com esforço e com o roubo, mas a pobreza sabe que nada tem a perder. Os pobres choram sozinhos.
As suas rugas já são hereditárias. A sorte não quer nada com os pobres porque estes não sabem gastar o seu dinheiro, que são sempre migalhas de ricos. Para um pobre não existe o sucesso, porque ele vive sempre no fracasso assumido. As lágrimas do pobre secam depressa, sobretudo quando se trata das tristezas dos seus semelhantes.
Uma fortuna é a maneira mais simples de começar a enriquecer a partir da fraqueza dos outros. O fracasso descobre o génio e ao pobre não lhe interessa a verdade porque só se inventa a mentira. O pobre só se sente fracasso quando more. Não pensa no futuro com medo de nele tropeçar. Habitua-se a tudo, porque até o hábito tira a piada ao prazer e ao sofrimento. O pobre não é hipócrita apenas pela razão de que a hipocrisia é a melhor homenagem que o vício presta à virtude. O pobre ama o vício e odeia a virtude, porque sabe que nunca será santo para ninguém. Não dá esmolas; de vez em quando pratica um furto; não precisa de ser honesto porque tem medo de ser ridicularizado.
Tem fome mas faz dela a sua força de vida; não faz vida de formiga porque a da cigarra diz melhor com o seu perfil. Além do mais nós sabemos que a formiga ocupa um lugar humilde na tradição celta, a humildade não é coisa de pobre, só de “padre”…
O pobre come do pote, o rico come da panela de pressão. O pobre tem cor preta, porque o branco é a cor dos anjos. O beto do pobre é sempre o puto, porque um luto branco é de pessoa “chique” ou tem qualquer coisa de mes¬siánico. O pote do pobre só serve para o caldo, mas para o rico pode servir para guarda dos suas libras de ouro.
O pobre não precisa de poupar, como o rico só precisa de gastar.
Os pobres nem se quer precisam de ler e portanto também não gastam dinheiro em livros. Os ricos compram livros mas não os lêem… Por isso, para um pobre, um livro é sempre aberto como o seu coração; o rico tem os livros fechados porque escondem neles os seus negócios.
O sol é para todos; por isso também é para os pobres. Os ricos não têm mais sol do que os pobres, porque o “sol quando nasce é para todos”…
Para os pobres a morte é o fim das suas angústias, enquanto para os ricos a morte é o leito dos seus remorsos….
Está um navio no cais
Maria Alice Martins
colaboradora
Está um navio no cais
Para o meu amor levar
Não quero vê-lo partir
Para não ter que chorar.
Está um navio no cais
Vai levar o meu amor
Enquanto vai e não volta
Por ele rezo ao senhor.
O navio já vai longe
Já lá vai no alto mar
Com o meu lenço acenando
Chorando o vejo a afastar.
O navio já vai longe
Do cais o vejo a afastar
Aqui vou ficar à espera
P’ra mais cedo o ver chegar.
A igualdade de oportunidades e a inveja social
Manuel Pires Trigo
Colaborador
A igualdade de oportunidades é a primeira das igualdades e talvez seja a igualdade suficiente para garantir as outras. Há no entanto quem pense que a dificuldade da efec¬tivação de uma séria igualdade de oportunidades deve levar em que se pense como, através de outras igualdades, se pode compensar essa falha e corrigir as desigualdades assim criadas.
Outros dirão ainda que a falta de igualdade não é de agora, tem gerações, e continuamente se agrava. Terá havido um momento primeiro em que todos foram iguais. Depois agrupamo-nos, organizamo-nos em tribos e clãs, em cidades e nações e voluntariamente ou não fomos perdendo igualdade, foram-se definindo funções, foram-se herdando estatutos, foi-se criando um passado colectivo e inveja social.
O Estado Moderno é uma tentativa de repor um certa igualdade à nascença e de contribuir para a não criação de diferenças radicais. Este modelo está longe de ser globalmente seguido embora seja bastante aceite. E cada Estado tem, como as pessoas, um passado representado por sucessivos gerações que confluíram, se sedimentaram e organizaram.
Do nosso passado colectivo se vai deixando um rasto, uma linha de rumo, alguma característica que pode até já já pouco dizer no presente, mas ainda representa uma reminiscência que é levada em conta em momentos decisivos, pronta a desempenhar o seu papel de influência sobre os comportamentos individuais.
Os portugueses são tidos como um povo de conquistadores. Motivo de orgulho para um povo pequeno, vivendo num território pobre e marginal. Mas nunca o senti, nunca participei, nunca me atribui esse rótulo. E se principalmente no tempo da guerra colonial me apercebi que havia quem se sentisse como tal, quem se sentisse vestindo a pele dos velhos conquistadores que um pouco à sorte deambu¬laram por esses mares além.
No tempo da guerra colonial eu aceitava o passado, não renegava as gerações anteriores, mas sentia-me ultrapassado pelos propósitos de então, não me reconhecia neles. Era como se eu sempre tivesse colaborado, participado nas conquistas que haviam sido feitas mas, chegado aqui, tinham feito de mim um conquistado como aqueles que em gerações passadas “eu” ajudara a submeter.
Os benefícios da conquista haviam sido só para uns que permaneceram para sempre conquistadores e não para a maioria que se dispersou misturada com os conquistados. Mas ainda por cima esse pensamento de conquistador sobreponha-se à minha solidariedade para os efectivamente conquistados, o que era a pior lástima para mim.
Esta sensação de estar cá com o coração e lá com o intelecto, de não poder deixar de estar com os meus, com o meu exército, e dar razão àqueles que estão do outro lado é dilacerador para a alma lusitana. Uma nação de conquistadores é uma nação desigual, mas quando persiste no erro para além do razoável perde identidade. Uma nação que não consegue ainda estripar da sua alma essa fonte de desigualdade que a noção de conquista transporta não consegue estar de bem consigo própria.
Estar de bem passa por compreender a razoabilidade das coisas no contexto histórico em que se desenrolaram e a sua reversibilidade natural. Por não darmos aos outros as mesmas oportunidades nossas, eles conquistaram-nas, libertando-se da ignomínia. Também individualmente não estamos prisioneiros de todos os factos que ocorreram na nossa existência. Podemos com¬preen¬dê-los, ultrapassá-los na medida em que constituíram entraves à realização das boas oportunidades ou tê-los em conta quando favorecem os nossos sucessos.
Só tendo a noção do nosso próprio valor saberemos se aproveitamos bem as oportunidades que a vida nos deu ou se os obstáculos intranspo¬níveis as tornaram impossíveis. E temos de estar permanentemente disponíveis, não obcecados, para corresponder a novas oportunidades. Aquilo que nos faz andar angustiados toda a vida é procurarmos compensar no futuro aquilo que a vida nos não deu no passado. Na nossa conta corrente temos sempre um crédito imenso a cobrar não sabemos a quem.
Atribuímos culpas ao desbarato com a ideia peregrina que alguém se poderá dispor a pagar algum dos créditos que temos à cobrança. Como esta atitude não é nada compensatória, embora nós nos não preocupemos que o justo pague pelo pecador, raramente nos livramos desta esquizofrenia colectiva de que todos somos culpados e vitimas. Porque razões não bastamos nós, as nossas dificuldades e ainda temos que suportar este passado normalmente pesado no seu deficit?
Oportunidades perdidas todos tivemos, mas oportunidades que não nos foram dados foram muito mais e para muitos mais. Oportunidades únicas, irrepetíveis são poucas e os que delas beneficiaram são normalmente egoístas e mesmo gananciosos. Mas é destas que nós pensamos quando falamos de igualdades de oportunidades.
Porquê não termos sido nós a ter uma dessas oportunidades? Porquê não a podermos ainda ter no futuro? Podemos pensar assim se não cairmos na inveja social. Efectivamente esta tem nas mesmas oportunidades o seu campo predilecto mesmo que se não fique por aí. Criadas virtualmente pela inveja social imensas oportunidades ficam por surgir e as que aparecem são avidamente procuradas.
Perante a impossibilidades de todas as oportunidades estarem ao dispor de todos, só nos resta combater a inveja social e estabelecer um limite máximo para as imensas compensações que as tais oportunidades únicas podem proporcionar. Os recursos da humanidade são escassos e só têm que ser aproveitados no proveito de todos, afastando-se o egoísmo, a ganância exacerbada e o parasitismo social.
O meu sonho
Jaime Franco
Colaborador
Alguém a chorar, por um ente tão querido.
Vi nesse meu sonho, que era por Jesus,
Que num sofrimento medonho, carregava uma cruz.
Coroado de espinhos,
Com o sangue a jorrar,
Ia caminhando,
Arrastando a cruz,
E os seus assassinos,
De látegos no ar,
Iam flagelando,
O corpo de Jesus!…
Com o olhar tão triste e tão magoado,
A todos falou, olhai bem para mim;
Foi para remir o vosso pecado,
Que o Pai me enviou, para sofrer assim!…
Senti na consciência,
Um grande remorso,
E no meu coração,
Uma enorme dor…
E por penitência,
Rezei um Pai-Nosso,
Pedindo perdão,
Ao meu Salvador…
Ao acordar do meu sono, senti paz e bonança!
E ao lembrar o meu sonho, senti nova esperança!…
Vou guardar este sonho gravado na mente,
E enquanto viver o irei recordar,
Pois graças a ele creio firmemente,
Que Jesus morreu para nos salvar!…
Sonhai vós também, irmãos em Jesus,
Não percais a fé e acreditai,
Que Cristo aceitou, o suplício da cruz,
Para nos resgatar e levar para o pai!…
A Consciência Cósmica
das Plantas (12)
João Gonçalves Costa
Colaborador
Consciência, Vida e Alma constituem um trinómio da vida na Terra, em todas as dimensões, desde o Mineral, o Vegetal, o Animal ao Humano. Numerosos estudiosos da vida das plantas provam que estas têm consciência e lutam pela preservação da vida, como os animais ou os humanos. Quando ouvimos dizer que o mundo vegetal está a pontos de se extinguir, é prova evidente que tais observadores nunca se detiveram junto de um antigo vulcão para ver como a vida pula e avança, em todas as dimensões, à volta do vulcão. Na realidade, alguns não enxergam nem compreendem a energia das plantas e dos outros seres. No Universo tudo é energia em vibração. Até os buracos negros são energia.
Através das suas vibrações, as plantas percorrem o planeta em poucos segundos, detectando perfeitamente onde é possível sobreviver e multiplicar-se. Milhares de espécies exóticas estão constantemente a entrar em Portugal. As plantas procuram os melhores habitats, perguntando umas às outras, onde se poderão instalar livremente. O mar e os rios portugueses são portas abertas à flora exótica. Muitas espécies fogem ao controle dos parques, jardins, aquários e entram em movimento através das águas, auxiliadas pelos ventos. Dizer que são as aves que trazem as sementes na moela é uma lenda como aquele que diz às crianças que os meninos vêm de França no bico das cegonhas. Somos um povo dominado por lendas e conceitos pueris ancestrais, que devemos ultrapassar. A França já não tem cegonhas para todos.
Para nós, muitas são chamadas plantas ruderais, daninhas, infestantes, ou perigosas, só porque são exóticas, desconhecidas, e logo as pomos de parte, no rol dos inimigos. Isto é uma falta de amor pela Natureza. As plantas pouco se importam com o que pensamos delas. Elas têm consciência do seu papal neste planeta. Quando os humanos resolveram transformar os bosques, as serras, elas sofrem, protestam e resolvem chamar quem as há-de defender. Aí está a causa de muitos e enigmáticos incêndios que deixam tudo em cinzas. Infelizmente, os incêndios são uma endemia mundial. Tanto ardem as serras da Galiza, como da Grécia, da Amazónia, da Florida, da Austrália. Os inimigos da Vida são idênticos em todo o Mundo. Na selva da América do Sul, os Aluxes defendem, de noite e dia, as terras de seus antepassado Incas, Maias, Aztecas e outras culturas.
Os Aluxes, do México, ligam-se segundo a tradição, às almas das plantas das florestas; estes seres também são chamados, em vários sectores espiritualistas, de espíritos da Natureza e, no Oriente, Devas (deuses menores).Os Espíritos da Natureza trabalham em diversos departamentos correspondentes às diversas classes de plantas.
Considerações inúteis
Hélio Bernardo Lopes
colaborador
Constitui para mim um espanto o modo aparentemente feliz como a grande comunicação social, à semelhança dos partidos políticos oposicionistas, ou mesmo de muitos dos detentores de grandes interesses, se nos mostram em face da chegada de novos indicadores de grandes dificuldades económicas e financeiras do País.
Foi o que voltou há pouco a poder ver-se, depois da revelação do último relatório do Instituto Nacional de Estatística. O próprio Presidente Cavaco Silva, numa sua visita a Abrantes, não resistiu a salientar que os números divulgados por aquela instituição não são nada bons, e que se torna essencial pensar para lá do presente ano.
E não deixam de ser algo espantosas estas considerações, porque que os referidos números não são nada bons já os jornalistas sabiam, sendo de esperar do Presidente da República palavras de ânimo no sentido de que os mesmos podem ser invertidos, embora sob certas condições.
Também deveria ter evitado aquela referência à necessidade de se olhar para lá do presente ano, porque tal seria sempre interpretado como uma alusão a um suposto eleitoralismo do atual Governo, o que, podendo ser uma realidade, é-o naturalmente, e sê-lo-ia, por igual, com qualquer outra maioria que estivesse à frente da gover¬nação. É sempre assim e em todo o Mundo. São considerações que só ajudam a piorar o clima político que o País já vive.
Acontece que o Presidente Cavaco Silva referiu uma outra realidade cujo conteúdo se não consegue entender, e que foi o facto de não se conseguir vencer a crise sem empreendedores. Simplesmente, trata-se de um facto evidentíssimo, embora não possa fazer-se muito neste domínio quando, por natureza cultural, a população é pouco empreendedora. O País tem uma História, já com muitos séculos, e conhece-se bem o que se passou, ao menos, no seu último século e meio.
Diga-se o que se disser, não deixo de ficar espantado com o modo aparentemente feliz como boa parte grande comunicação social e dos políticos das oposições, ou dos comentadores, se manifesta perante a chegada de indicadores que mostram que o País está a andar para trás.
Como se não estivesse isto mesmo a ter lugar por todo o Mundo! Chega a dar a sensação que os que assim falam têm uma solução para a crise!!
Retalhos Literários (6)
Américo Carneiro
colaborador
Se toda a nossa vida
é desafio
DIOGO BERNARDES
Se toda a nossa vida é desafio,
Se sobre nada tem seu fundamento,
Que descuido este meu? Qu‘errado intento?
Que pretendo? Qu‘espero? Em que me fio?
Oh vida humana, folha em seco estio
Levada pelo ar de qualquer vento!
Oh flor de primavera, num momento
Chamuscada do Sol, murcha do frio!
Quando cuido no tempo atrás passado,
O que passei m‘espanta, o por vir temo,
No presente não sei que me embaraça.
Mas, ainda que de ti tam alongado,
Ordena tu que torne, ó Pai Supremo,
Este pródigo filho a tua graça.
.............
Ponte de Lima é o sol dos solares
Lima Barreto
Colaborador
A mais bela vila histórica do Minho,
Ponte de Lima, acaba por ser também o “sol” dos solares. Tem muitos e lindíssimos,
hoje quase todos ao serviço do turismo.
Há solares em Ponte da Barca, Arcos
de Valdevez, Melgaço, mas a Vila tem os de maior proeminência arquitectural e
de atracção turística.
Na antropologia estudam-se as
estruturas sociais, como o grande liame estrutural e a relação sanguínea dos
povos; a importância das casas e do seu “habitat” sócio-cultural, a relação da
família com os seus fundamentos e com os seus “fundos”, o espaço e o tempo
ligados por uma solidariedade humana, as relações de vizinhança de proximidade,
os trabalhos e as tarefas e também os ecossistemas que fizeram desenvolver
modelos sociais baseados na reciprocidade de alguns valores materiais e outros
espirituais ou até religiosos. As comunidades limianas, hoje por tidas por paróquias,
juntas de freguesia, centros sociais ou casas do povo, têm o sinal da nobreza não
só nos seus castelos mas também nas suas gentes, nos aldeamentos caldeados de
tradições populares, muitas dele ainda hoje sobrevivas, fazendo o património
imaterial de toda esta região, com manchas de agricultura avulsa e agregados
familiares escravos do trabalho.
Os solares de Ponte são conhecidos
em todo o nosso País e até no estrangeiro: e isto porque à volta deles se criou
uma religiosidade laica e ao mesmo tempo estimulada por crenças mitológicas e
divinas, que são o segredo maior desses recantos paradisíacos. Promoveram em
seu redor o folclore, as romarias festivas, o fortalecimentos das feiras,
enfim, eles são ainda hoje quase uma simbiose confusa entre o religioso e o maçónico,
porque são quase como lojas de segredos que só os nobres conhecem.
Deram origem a uma literatura
aristocrática mas também popular, porque o nobre nunca se quis separar do pobre,
para benefício recíproco.
As terras de Diogo Bernardes e António
Feijó, celebradas na mais bucólica ribeira portuguesa, têm o seu coração em
terras de Ponte de Lima. E na área deste concelho que castelos coabitam com
veias e alvéolos, encostas e cumes, biombos de montanhas a espiarem o Rio Lima
e outros rios menores, ribeiras, riachos, fontes, nascentes, tudo o que faz o
encanto natural de qualquer jardim geograficamente estratégico e localizado
numa densidade histórica e humana, harmoniosa, sempre defendida dos ventos e
sempre bafejada de sombras miticas e do sol radioso do nosso verde Minho.
Os castelos, para esta região
limiana, são como as suas próprias igrejas: locais de concentração de tradições
e costumes, cantares e dançares e ainda por cima com uma ementa gastronómica
fenomenal, sem par neste nosso torrão natal.
Num habitat
muito disperso nasceram castelos, como cogumelos nas matas sombrias da região
limiana. O palácio nunca sufocou o casebre e o casebre nunca menosprezou o palácio,
sua fonte de sustento durante séculos.
Por isso é que a
nobreza na região limiana nunca foi conflituosa com o seu povo, porque esse
povo soube aproveitar o que o palácio tem de inebriante: “o seu genius loci”, isto é, a alma da história
limiana, num espaço geográfico de eleição, dom da natureza e do trabalho do
homem.
Os muitos
testemunhos arquitectónicos desses castelos estão recheados de talhos, pinturas
e azulejos, uns sobretudo do gosto e do interesse dessas gentes em preservá-los
no cadinho da sua mais bela história.
Os medos
portugueses
Hélio Bernardo Lopes
Colaborador
De grande interesse, como costuma
ser já hábito, foi a recente entrevista que António Pires de Lima, antigo
Bastonário da Ordem dos Advogados, concedeu a Ana Lourenço e ao programa, dia
d.
Eu mesmo, antigo e claro apoiante
daquele regime constitucional, também nunca senti medo de viver nesse já longínquo
tempo, sendo que desde muito novinho, aí com os meus oito anos, já falava de
política em casa e com os amigos da família.
Já no meu tempo de liceu, essas
conversas eram diárias e uma marca típica dos rapazes e das raparigas do meu
liceu e das suas turmas.
Falar de política, discuti-la,
opinar sobre literatura, cinema ou música, bom, eram coisas correntes, e marcas
que permitiam criar lideranças de tipo diverso.
Naturalmente que havia a PIDE, e
mais tarde a DGS, mas estas pobrinhas só dispunham da possibilidade de utilizar
cerca de meia centena de linhas telefónicas na central dos TLP da Trindade.
Por todo o território nacional, a
rede telefónica era a dos CTT, com a sua organização em árvore e centrada nas
designadas mesas, pelo que a escuta telefónica sobre um nosso concidadão fora
de Lisboa e Porto - área dos TLP -, era praticamente impossível de realizar,
porque logo as estruturas de que estivesse a ser escutado, com probabilidade
elevada, tomariam do facto conhecimento.
O antigo Bastonário da Ordem dos
Advogados desconhece uma história que comigo teve lugar num domingo de Agosto
de há três anos. Com um telemóvel que me havia sido emprestado, de molde a
poder falar com a família, fui-me entretendo a marcar para a minha casa e casas
de amigos que sabia estarem fora do País, a passar as suas férias.
Em dado momento, cerca de um minuto
depois de marcar certo número, recebi uma chamada de um outro desconhecido, e
que não atendi. E fiquei admirado com tal facto, porque desconhecia
completamente aquele número de telefona da rede fixa e de Lisboa.
Uns trinta minutos depois, voltando
a brincar com o telemóvel, repeti as chamadas para os tais números cuja casa
estava vazia. Num ápice, logo depois de marcar o tal número referido atrás, eis
que voltei a receber nova chamada do tal número desconhecido. Perplexo, escrevi
esse número no livro que tinha na mão e que me encontrava a ler, sobre a História
das Equações Algébricas.
Ao final de Agosto cheguei a Lisboa
e cerca de uns vinte e tal dias depois ocorreu-me ao pensamento o tal caso das
chamadas que não atendi. Procurei o livro e pedi à companhia a morada do tal número.
Qual não foi o meu espanto, quando
vi o proprietário do número: uma família muito conhecida, de vista, que uns
tempos depois o locatário do número para onde eu ligara antes de ser solicitado
me disse que não conhecia...
Em síntese, o
meu amigo conhecia, pessoalmente, a tal família, a quem facultava a chave de
casa, fosse lá a razão a que fosse. Em todo o caso, nunca me revelou tal facto,
o que passou a constituir mais uma resposta a uma questão de há muito conhecida
nos seus contornos e na sua sbstância. São as consequências do modernismo, mas
também um sinal do tempo que passa.
Primavera
Maria Alice Martins
colaboradora
Primavera espaço curto
Encantos sem igual
Fazem as aves os ninhos
Desabrocha o roseiral.
As primaveras passadas
São meus sonhos e quimeras
Já não és o que eras antes
Já não és o que antes eras.
Coitada de mim coitada
Mesmo assim sorrindo vou
Recordando a Primavera
Que há tempos por mim passou.
Na estação da Primavera
Há nela dias bem frios
Na primavera da vida
Também há dias sombrios.
Nos dias de Primavera
Anda perfume no ar
Volta sempre a Primavera
No brilho do teu
olhar.
A satisfação com o trabalho e a satisfação com o cargo
Manuel Pires Trigo
Colaborador
Muitos de nós tivemos a ilusão de
que seria possível a existência de uma sociedade de funções em que o seu
desempenho não constituiria qualquer caracterização do homem. Imaginava-se uma
integração social absoluta e um respeito absoluto pela individualidade que
teria a suficiente liberdade para a desenvolver. Pura utopia, é evidente.
Numa segunda escala dos valores
colocamos o papel social, realizado segundo o princípio da nossa liberdade de
iniciativa e da oportunidade social, mas também muitas vezes usado somente como
justificação para a nossa reivindicação de independência económica. A relação
entre papel social e situação económica nem sempre é pacífica.
São duas as formas de integração
social mais comuns e passam pela empregabilidade e pelo empreendorismo, mas não
estaremos longe da verdade se colocarmos como suprema ambição do homem a
ociosidade. No entanto a mais banal dos nossos percursos leva-nos a lutar pela
preparação para o desempenho de uma função numa qualquer organização de que não
somos proprietários, uma luta pela empregabilidade.
Já a existência de alguns factos
favoráveis nos podem levar a desenvolver uma superior capacidade de iniciativa,
mas também uma capacidade própria para manter vivo um projecto, para assegurar
a continuidade de uma organização. Muitos empreendedores começam bem mas falham
e a razão maior é o excesso de confiança. A satisfação que se tira é muito
subjectiva, mas é sempre fraca se só passa por não estar dependente.
Porém uma das razões que dá origem a
mais falhanços entre aqueles que não têm que ter “patrões” é a ociosidade. O
acompanhamento que qualquer negócio exige não se compadece com uma entrega
absoluta ao ócio. Poucos terão a sorte de puderem vir a beneficiar
verdadeiramente deste estado que nos pode dar o tempo de reflexão que a vida
normal no geral nos não faculta.
O que acaba por tocar a quase todos é
pois sermos empregados. A diversidade do emprego tem aumentado continuamente.
No tempo em que a agricultura era a principal actividade, os comerciantes e os
artesões eram os únicos empregadores. Outros serviços e mesmo da área cultural
só estavam as dispor dos Reis e de alguns poderosos.
O desenvolvimento da indústria
trouxe desenvolvimento do comércio, dos transportes e mais tarde derivou para
novas áreas como a energia, as comunicações, os serviços pessoais. Também as
organizações se foram tornando cada vez mais complexas e portanto a necessitar
de pessoas capacitadas para desempenhar funções a diferentes níveis de
responsabilidade.
O emprego evoluiu de modo a
corresponder a cargos e a dar às pessoas posições na escala social. Estão
disponíveis aos empregados diferentes papéis sociais. A alguns são atribuídos
poderes que, sendo específicos, não deixam de ser relevantes. O tipo de
organização, privada, associativa ou do Estado é determinante para este
efeito.
Em qualquer tipo de sociedade é
inevitável que haja uma divisão social do trabalho. No geral as pessoas
procuram empregabilidade, adquirem capacidades para lutar por um lugar e vir a
ocupar um ou mais dos cargos disponíveis no mercado de trabalho. A adaptação
das pessoas à função, ao cargo não tem que ser absoluta mas é determinante para
a eficiência da organização, para tirar os benefícios do seu trabalho. Mas, não
raro, estamos satisfeitos com o trabalho, mas insatisfeitos com o cargo.
Cabe aos gestores sociais
preocuparem-se com este aspecto da questão, mas o imediatismo e o acaso da
sorte, se vistos em termos subjectivos, são mais determinantes que qualquer
princípio que se procure implementar. No geral é inglório procurarmos o ajuste
certo entre as pessoas e o lugar que ela ocupa em termos de organização de
trabalho e da partilha dos benefícios económicos que a actividade global nos
proporciona a todos.
A realidade humana está cheia de
injustiças que se reflectem no individual e no colectivo. Bloqueamos perante
elas, ficamos constrangidos perante a impotência que em nós se manifesta quando
nos sentimos injustiçados, mas tal passa por darmos pouca importância a nós
mesmos.
O termos consciência de que esta é a
injustiça primeira, o não ocuparmos o lugar em que nos achamos com direito, não
quer dizer que não vivamos a nossa circunstância com o sentido de relatividade
que ela comporta. Normalmente achamo-nos compensados ou descompensados de uma
outra forma, mas só a maturidade nos leva a obter o equilíbrio que ambicionamos
ter.
Na juventude a vivência familiar e
social condiciona sobremaneira a nossa visão do mundo e nem sempre vemos as
coisas com racionalidade. Dizem os velhos que falta na juventude um incentivo
ao amor ao trabalho. Esta asserção simples está longe de transmitir aos outros
a quantidade de informação de que nec







